Questão 8ac8794d-63
Prova:UNEAL 2013
Disciplina:Português
Assunto:

“Quando vim de minha terra, se é que vim de minha terra (não estou morto por lá?), a correnteza do rio me sussurrou vagamente que eu havia de quedar lá donde me despedia. [...] Quando vim de minha terra não vim, perdi-me no espaço na ilusão de ter saído. Ai de mim, nunca saí.” Nesse poema, Carlos Drummond de Andrade

A
discute a permanente frustração do desejo de migrar do campo para a cidade.
B
reflete sobre o sentimento paradoxal do migrante em face de sua identidade regional.
C
expõe a tragédia familiar do migrante quando se desloca do interior para a cidade.
D
aborda o problema das migrações originárias das regiões ribeirinhas para as grandes cidades.
E
comenta as expectativas e esperanças do migrante em relação ao lugar de destino.

Gabarito comentado

A
Alzira Nunes Monitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico-textual: o poema apresenta a migração como experiência paradoxal de partida sem desligamento da origem. Isso aparece em “Quando vim de minha terra, se é que vim de minha terra (não estou morto por lá?) [...] Quando vim de minha terra não vim, perdi-me no espaço na ilusão de ter saído. Ai de mim, nunca saí.”; ao afirmar, duvidar e negar a própria saída, o eu lírico mostra que continua identitariamente preso à terra natal, o que conduz à alternativa B.

Tema central: paradoxo identitário migrante
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada por extrapolação temática. O fragmento não menciona campo, cidade nem desejo de ascensão urbana, e também não fala em “permanente frustração” da migração. A dor do eu lírico decorre do não desligamento da origem, não de fracasso no projeto de ir do campo para a cidade.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reconhece o núcleo de sentido do fragmento: o migrante vive uma experiência contraditória em relação à própria origem. O texto não trata a saída como fato simples e concluído; ao contrário, constrói o movimento “vim” / “não vim” / “nunca saí”, sempre ligado à expressão “minha terra”. Isso mostra que houve deslocamento, mas não ruptura subjetiva com a identidade regional.
C
Errada
Está errada porque introduz conteúdo inexistente no texto. Não há qualquer referência a família, tragédia familiar ou conflito doméstico. O fragmento trata de conflito interior do eu lírico com sua própria partida.
D
Errada
Está errada porque transforma imagem poética em dado sociogeográfico específico. A expressão sobre “a correnteza do rio” funciona como elemento imagético e simbólico; dela não se pode concluir que o poema trate de migrações de regiões ribeirinhas para grandes cidades. Além disso, “grandes cidades” não aparece no texto.
E
Errada
Está errada porque desloca o foco do texto para o destino, quando o fragmento se concentra na origem. Não há comentário sobre expectativas ou esperanças quanto ao lugar de chegada; ao contrário, “perdi-me no espaço na ilusão de ter saído” e “nunca saí” negam exatamente uma leitura orientada pelo destino.
Pegadinha da questão
A banca explora a leitura literal de “vim” para induzir o candidato a pensar em migração como deslocamento objetivo; porém o poema desfaz essa literalidade com dúvida, negação e paradoxo, mostrando que o centro está no vínculo identitário com a terra de origem.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o texto afirma e depois nega a mesma ação, localize o paradoxo antes de escolher a alternativa.
  • Separe deslocamento físico de desligamento identitário: o texto pode admitir um e negar o outro.
  • Não transforme imagem poética em informação social concreta sem marca textual que autorize isso.
  • Elimine alternativas que acrescentem cidade, família, causas econômicas ou expectativas futuras sem apoio expresso no fragmento.

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