Questõessobre Português
Leia o trecho a seguir.
O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu experimento científico,
a dama gentil e senil procurou forçá-lo [1]. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe
[2] mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou.
No trecho, os pronomes 1 e 2
São palavras acentuadas pelas regras das oxítonas:
A conjunção “Mas”, em destaque no trecho, liga
Para responder à questão, analise o trecho a seguir.
Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia do estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):
— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!
No segundo parágrafo, há a presença dominante de verbos no pretérito
No primeiro parágrafo, os verbos utilizados representam, em conjunto,
panela
[Do lat. *pannella, dim. do lat. vulg. panna, ‘frigideira’.] Substantivo feminino.
1. Vasilha de barro ou de metal destinada à cocção de alimentos.
2. O conteúdo desse recipiente: Comeu uma panela de feijão.
3. Fig. V. panelinha (1 a 4).
4. Gír. Nádegas, traseiro.
5. Bras. Cavidade subterrânea onde as formigas depositam suas larvas.
PANELA. In: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.0.
Os verbetes constituem um conjunto de acepções,
isto é, pequenas notas e apontamentos que compõem
as entradas de um dicionário. Com base na leitura do
verbete “panela”, vê-se que a função da linguagem
predominante é a metalinguística, pois nele se
Há quem ache difícil a leitura das bulas de remédios
por causa das letras reduzidas e dos termos técnicos que
deixam a compreensão das informações mais complicada.
Mas as indústrias já oferecem alternativas para ajudar na
leitura e no entendimento da bula.
Consultar a bula sem orientação médica pode ser
perigoso e causar ainda mais problemas para o paciente,
segundo um médico endocrinologista. “Ele pode ler alguns
termos técnicos e fazer má interpretação da bula, levando a
prejuízos no tratamento. Qualquer dúvida, é mais interessante
tirá-la com o médico que prescreveu o medicamento.”, explica.
Para facilitar o entendimento das informações que
constam das bulas, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária regulamentou algumas características com
relação ao formato e à linguagem usada. “A bula obrigatória
vem com perguntas e respostas, em termos simples e
compreensíveis, e ficou de mais fácil leitura. A indústria é
obrigada a oferecer bula em áudio, ou pode vir em tamanho
maior ou em braile. O paciente, entrando em contato com
a indústria, tem até dez dias para receber esse material.”,
afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia.
Disponível em: https://g1.globo.com.
Acesso em: 15 jan. 2024 (adaptado).
Considerando a função social do gênero reportagem,
a estratégia empregada nesse texto para dar credibilidade
às informações apresentadas é a
33ª poética
estou farta da materialidade embrulhada do signoda metalinguagem narcísica dos poetasdo texto de espelho em punho revirando os óculosmodernos
estou farta dessa falta enxutadessa ausência de objetos rotundos e contundentesdo conluio entre cifras e cifrantesda feminil hora quieta da palavrada lista (política raquítica sifilítica) de supersignoscabais: “duro ofício”, “espaço em branco”, “vocábulo delirante”,“traço infinito”quero antesa página atravancada de abajureso zoológico inteiro caindo pelas tabelasa sedução os maxilareso plágio atrozratas devorando ninhadas úmidasmultidões mostrando as dentinasmultidões desejantesdiluvianasbandos ilícitos fartos excessivos pesados ebastardosa pecar e por cimaos cortinados do pudorvedando tudocom gomade mascar
CESAR, A. C. Poética. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.
Recorrendo à intertextualidade e à metalinguagem, esse
poema expande os referentes da poética de Manuel
Bandeira ao
A rua
A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo.
Há suor humano na argamassa do seu calçamento. Cada
casa que se ergue é feita do esforço exaustivo de muitos
seres, e haveis de ter visto pedreiros e canteiros, ao erguer
as pedras para as frontarias, cantarem, cobertos de suor,
uma melopeia tão triste que pelo ar parece um arquejante
soluço. A rua sente nos nervos essa miséria da criação,
e por isso é a mais igualitária, a mais socialista, a mais
niveladora das obras humanas.
JOÃO DO RIO. A alma encantadora das ruas.
São Paulo: Cia. das Letras, 2008.
Nesse trecho, as metáforas usadas pelo narrador
caracterizam a rua como um lugar que retrata a

Nesse anúncio publicitário, o trecho que concentra
concomitantemente marcas das funções conativa e
emotiva da linguagem é

Prima Julieta
Prima Julieta irradiava um fascínio singular. Era a
feminilidade em pessoa. Quando a conheci, sendo ainda
garoto e já sensibilíssimo ao charme feminino, teria ela
uns trinta ou trinta e dois anos de idade.
Apenas pelo seu andar percebia-se que era uma deusa,
diz Virgílio de outra mulher. Prima Julieta caminhava em
ritmo lento, agitando a cabeça para trás, remando os
belos braços brancos. A cabeleira loura incluía reflexos
metálicos. Ancas poderosas. Os olhos de um verde azulado
borboleteavam. A voz rouca e ácida, em dois planos: voz
de pessoa da alta sociedade.
MENDES, M. A idade do serrote. Rio de Janeiro: Sabiá, 1968.
Entre os elementos constitutivos dos gêneros, está o
modo como se organiza a própria composição textual,
tendo-se em vista o objetivo de seu autor: narrar,
descrever, argumentar, explicar, instruir. No trecho,
reconhece-se uma sequência textual
Diante dos argumentos apresentados ao longo do texto, a lacuna na penúltima linha deve ser preenchida com:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O dia em que homens brancos de terno negociaram o futuro dos Indígenas
Na manhã de segunda-feira, 5 de agosto, o governo brasileiro se preparava para enviar às pressas uma comitiva do Ministério dos Povos Indígenas a Mato Grosso do Sul para monitorar os ataques violentos de ruralistas aos Guarani Kaiowá na região de Douradina. Os mercados financeiros viviam mais um dia de pânico, temendo uma recessão nos Estados Unidos. A crise na Venezuela se arrastava (…). Era mais um dia em que o mundo exibia seu mosaico complexo de muitas urgências e profundas assimetrias. Mas nada seria tão relevante para decidir o futuro do planeta quanto uma audiência, naquela mesma data. Em uma pequena sala no 4º andar do prédio onde ministros definem se leis estão sendo aplicadas de acordo com a Constituição brasileira, homens de gravata iriam discutir com representantes dos povos indígenas se deles seria arrancado o direito às terras ocupadas por seus ancestrais desde antes da colonização. Demarcar terras indígenas é uma medida fundamental para garantir a conservação da Amazônia e de todos os biomas. ___________, decisiva para a existência de toda a humanidade.
(Adaptado de DELGADO, Malu. Diário de Guerra. Sumaúma, Brasília, 26 ago. 2024. Disponível em https://sumauma.com/marco-temporal-stf-futuro-indigenas-novas-geracoes/. Acesso em 26/09/2024.)
Lélia Gonzalez criou o termo “pretuguês” citado no texto 1 da
questão anterior. O trecho a seguir apresenta algumas reflexões da autora sobre esse tema.
É engraçado como eles gozam a gente quando a gente diz
que é Framengo. Chamam a gente de ignorante dizendo que
a gente fala errado. E de repente ignoram que a presença desse R no lugar do L nada mais é que a marca linguística de um
idioma africano, no qual o L inexiste. Afinal, quem que é o
ignorante? Ao mesmo tempo acham o maior barato a fala dita
brasileira, que corta os erres dos infinitivos verbais, que condensa “você” em “cê”, o “está” em “tá” e por aí afora. Não
sacam que tão falando pretuguês (Lélia Gonzalez).
(GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: LIMA, Marcia; RIOS, Flavia
(org.), Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janiero: Zahar, 2020. p. 80.)
Segundo o excerto,
Texto 1

(Adaptado de Instagram de @midianinja. Disponível em https://www.instagram.com/p/CB
QdmZZJFmA/?igsh=aXduZmgybDJ1aW1r. Acesso em 04/09/2024.)
Texto 2

(Instagram de @andrevargassantos. Disponível em https://www.instagram.com/p/C46fe85J
JjX/?igsh=YjFodmJjM3NmbmM3. Acesso em 04/09/2024.)
As palavras em destaque nos textos 1 e 2 são:
Texto 1
(Adaptado de Instagram de @midianinja. Disponível em https://www.instagram.com/p/CB QdmZZJFmA/?igsh=aXduZmgybDJ1aW1r. Acesso em 04/09/2024.)
Texto 2
(Instagram de @andrevargassantos. Disponível em https://www.instagram.com/p/C46fe85J JjX/?igsh=YjFodmJjM3NmbmM3. Acesso em 04/09/2024.)
As palavras em destaque nos textos 1 e 2 são:
Para Iara Bonin, articular a cosmovisão indígena a um modelo
de desenvolvimento para o Brasil é um desafio coletivo. No
texto, isso é marcado pelo uso de verbos em
Com relação ao trecho em negrito no texto, é correto afirmar que se trata do uso de:
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Brasil pode perder o Pantanal até o fim deste século, afirma Marina Silva
Sofrendo com secas e incêndios extremos, o Pantanal pode ser destruído por completo até o fim deste século se o mundo não for capaz de reverter as mudanças climáticas causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis, que estão provocando eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos. Foi o que disse a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, em audiência na Comissão de Meio Ambiente do Senado na 4ª feira (4/9) sobre as queimadas e a estiagem prolongada que atinge a maior parte do país – com prejuízo maior ao Pantanal e à Amazônia.
Marina não tirou o fim da maior planície alagável do planeta da cabeça. A Ministra mencionou o que cientistas de todo o mundo apontam há décadas: ou agimos para conter a crise climática, eliminando petróleo, gás fóssil e carvão, combatendo o desmatamento e modificando o uso do solo pelo setor agropecuário, ou ela irá acabar com biomas, com a biodiversidade e com a Humanidade. [...].
(Adaptado de ClimaInfo, 5 de setembro de 2024. Disponível em https://climainfo. org.br/ 2024/09/04/brasil-pode-perder-o-pantanal-ate-o-fim-deste-seculo-afirma-marina-silva/. Acesso em 12/09/2024.)
Tendo como base o texto e as figuras I e II precedentes e considerando os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item.
Estariam mantidos os sentidos e a correção gramatical do
primeiro parágrafo do texto caso se deslocasse o segmento
“desde 1977”, com as vírgulas que o isolam, para
imediatamente depois do vocábulo “que”.
Um artigo publicado recentemente pela revista Science revelou que a empresa estadunidense ExxonMobil, uma das maiores produtoras de petróleo dos Estados Unidos, sabia, desde 1977, do aquecimento global de origem antrópica, mas seu posicionamento sempre foi considerá-lo uma especulação, assim como as mudanças climáticas.
Conforme o artigo, os estudos realizados pela ExxonMobil eram tão bons quanto os de origem acadêmica e eles utilizavam até modelos computacionais para prever as consequências de tais problemas.
“Eles foram precisos ao indicar quando o aquecimento global causado pelo homem seria detectado e quando se tornaria mais evidente a ponto de suscitar preocupações na sociedade. Enquanto cientistas e acadêmicos comunicavam o que sabiam ao público, a empresa trabalhava para negar, em suas atividades de relações públicas, o aquecimento, ou seja, ela sabia de tudo e passou décadas negando”, diz o professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes e também do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).
Tendo como base o texto e as figuras I e II precedentes e considerando os múltiplos aspectos a ele relacionados, julgue o item.
No primeiro parágrafo do texto, a flexão da forma verbal
“sabia” na terceira pessoa do singular justifica-se por sua
concordância com o termo “empresa”, que é o núcleo do
sujeito da oração, e a correção do texto estaria mantida caso
essa forma verbal fosse empregada no plural, dada a
possibilidade de concordância do verbo com o termo mais
próximo — “produtoras”.
Um artigo publicado recentemente pela revista Science revelou que a empresa estadunidense ExxonMobil, uma das maiores produtoras de petróleo dos Estados Unidos, sabia, desde 1977, do aquecimento global de origem antrópica, mas seu posicionamento sempre foi considerá-lo uma especulação, assim como as mudanças climáticas.
Conforme o artigo, os estudos realizados pela ExxonMobil eram tão bons quanto os de origem acadêmica e eles utilizavam até modelos computacionais para prever as consequências de tais problemas.
“Eles foram precisos ao indicar quando o aquecimento global causado pelo homem seria detectado e quando se tornaria mais evidente a ponto de suscitar preocupações na sociedade. Enquanto cientistas e acadêmicos comunicavam o que sabiam ao público, a empresa trabalhava para negar, em suas atividades de relações públicas, o aquecimento, ou seja, ela sabia de tudo e passou décadas negando”, diz o professor Pedro Luiz Côrtes, titular da Escola de Comunicações e Artes e também do Instituto de Energia e Ambiente da USP.
Internet: <jornal.usp.br> (com adaptações).