Questõesde FGV 2017 sobre Português

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Foram encontradas 15 questões
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FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Coesão e coerência

Considere as seguintes afirmações referentes ao texto:


I A caracterização do narrador e das personagens, assim como a do espaço e a da própria recepção do texto, é regida, predominantemente, por marcadores de caráter socioeconômico.

II Ao tematizar o seu outro de classe (no caso, os mais pobres), o narrador desenvolve também um questionamento da situação e da função social da literatura.

III As declarações do narrador a respeito da Rua do Acre revelam, nele, o pendor populista e demagógico.


Está correto o que se afirma em

      Depois – ignora-se por quê – tinham vindo para o Rio, o inacreditável Rio de Janeiro, a tia lhe arranjara emprego, finalmente morrera e ela*, agora sozinha, morava numa vaga de quarto compartilhado com mais quatro moças balconistas das Lojas Americanas.

      O quarto ficava num velho sobrado colonial da áspera rua do Acre entre as prostitutas que serviam a marinheiros, depósitos de carvão e de cimento em pó, não longe do cais do porto. O cais imundo dava-lhe saudade do futuro. (O que é que há? Pois estou como que ouvindo acordes de piano alegre – será isto o símbolo de que a vida da moça iria ter um futuro esplendoroso? Estou contente com essa possibilidade e farei tudo para que esta se torne real.)

      Rua do Acre. Mas que lugar. Os gordos ratos da rua do Acre. Lá é que não piso pois tenho terror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço de vida imunda.

      Uma vez por outra tinha a sorte de ouvir de madrugada um galo cantar a vida e ela se lembrava nostálgica do sertão. Onde caberia um galo a cocoricar naquelas paragens ressequidas de artigos por atacado de exportação e importação? (Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta. Embora a moça anônima da história seja tão antiga que podia ser uma figura bíblica. Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim.)

                                                              Clarice Lispector, A hora da estrela.


*Macabéa. 

A
I, II e III.
B
I, apenas.
C
I e II, apenas.
D
I e III, apenas.
E
II e III, apenas.
3b5d62b2-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Nesse texto de Clarice Lispector, o comportamento do narrador opõe-se, sobretudo, ao do narrador-padrão, de caráter

      Depois – ignora-se por quê – tinham vindo para o Rio, o inacreditável Rio de Janeiro, a tia lhe arranjara emprego, finalmente morrera e ela*, agora sozinha, morava numa vaga de quarto compartilhado com mais quatro moças balconistas das Lojas Americanas.

      O quarto ficava num velho sobrado colonial da áspera rua do Acre entre as prostitutas que serviam a marinheiros, depósitos de carvão e de cimento em pó, não longe do cais do porto. O cais imundo dava-lhe saudade do futuro. (O que é que há? Pois estou como que ouvindo acordes de piano alegre – será isto o símbolo de que a vida da moça iria ter um futuro esplendoroso? Estou contente com essa possibilidade e farei tudo para que esta se torne real.)

      Rua do Acre. Mas que lugar. Os gordos ratos da rua do Acre. Lá é que não piso pois tenho terror sem nenhuma vergonha do pardo pedaço de vida imunda.

      Uma vez por outra tinha a sorte de ouvir de madrugada um galo cantar a vida e ela se lembrava nostálgica do sertão. Onde caberia um galo a cocoricar naquelas paragens ressequidas de artigos por atacado de exportação e importação? (Se o leitor possui alguma riqueza e vida bem acomodada, sairá de si para ver como é às vezes o outro. Se é pobre, não estará me lendo porque ler-me é supérfluo para quem tem uma leve fome permanente. Faço aqui o papel de vossa válvula de escape e da vida massacrante da média burguesia. Bem sei que é assustador sair de si mesmo, mas tudo o que é novo assusta. Embora a moça anônima da história seja tão antiga que podia ser uma figura bíblica. Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim.)

                                                              Clarice Lispector, A hora da estrela.


*Macabéa. 

A
impessoal, de corte objetivo e pretensões científicas, característico do Realismo-Naturalismo.
B
reflexivo, que expõe sua interioridade, próprio do romance do Romantismo.
C
exibicionista, às vezes importuno, que distingue o romance machadiano da maturidade.
D
crítico, presente no romance social dos anos de 1930.
E
experimental, cambiante e, às vezes, opinioso, próprio do Pós-Modernismo.
3b59c6d3-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos

Ao descrever a subida da ladeira pelas duas mulheres e o movimento das pessoas que “subiam e desciam”, o narrador opõe tanto as ideias de “lentidão” e “rapidez” quanto as de

      Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.

      Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o Morro do Castelo, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla* que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire** que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão do andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. Uma crioula perguntou a um sargento: "Você quer ver que elas vão à cabocla?" E ambos pararam a distância, tomados daquele invencível desejo de conhecer a vida alheia, que é muita vez toda a necessidade humana.

      Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura.

                                                                    Machado de Assis, Esaú e Jacó.

* cabocla: vidente, adivinha.

** donaire: elegância. 

A
desprezo e apreço.
B
constrangimento e familiaridade.
C
sacrifício e prazer.
D
propósito e descomprometimento.
E
desinteresse e curiosidade.
3b5660d2-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Considere o texto abaixo e as complementações (I, II e III) que o seguem:


Mesmo à distância de mais de um século (Esaú e Jacó é de 1907), um aspecto que se encontra presente no texto de Machado de Assis e que ainda interessa à atualidade é


I a configuração urbana, topográfica e social, do Rio de Janeiro, entre morro e cidade, com as interações problemáticas entre ambos.

II a combinação de práticas religiosas, às vezes incompatíveis, com as contradições que lhe são inerentes.

III o terror pânico, decorrente da violência urbana, provocado pela aguda desigualdade social.


O referido texto forma uma afirmação correta quando é complementado pelo que está em

      Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.

      Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o Morro do Castelo, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla* que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire** que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão do andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. Uma crioula perguntou a um sargento: "Você quer ver que elas vão à cabocla?" E ambos pararam a distância, tomados daquele invencível desejo de conhecer a vida alheia, que é muita vez toda a necessidade humana.

      Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura.

                                                                    Machado de Assis, Esaú e Jacó.

* cabocla: vidente, adivinha.

** donaire: elegância. 

A
I, somente.
B
II, somente.
C
II e III, somente.
D
I, II e III.
E
I e II, somente.
3b52f5dd-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

No texto, o conjunto formado pelas atitudes do narrador e das personagens, e pela ambientação, indica que a finalidade principal da composição é a de

      Era a primeira vez que as duas iam ao Morro do Castelo. Começaram de subir pelo lado da Rua do Carmo. Muita gente há no Rio de Janeiro que nunca lá foi, muita haverá morrido, muita mais nascerá e morrerá sem lá pôr os pés. Nem todos podem dizer que conhecem uma cidade inteira. Um velho inglês, que aliás andara terras e terras, confiava-me há muitos anos em Londres que de Londres só conhecia bem o seu clube, e era o que lhe bastava da metrópole e do mundo.

      Natividade e Perpétua conheciam outras partes, além de Botafogo, mas o Morro do Castelo, por mais que ouvissem falar dele e da cabocla* que lá reinava em 1871, era-lhes tão estranho e remoto como o clube. O íngreme, o desigual, o mal calçado da ladeira mortificavam os pés às duas pobres donas. Não obstante, continuavam a subir, como se fosse penitência, devagarinho, cara no chão, véu para baixo. A manhã trazia certo movimento; mulheres, homens, crianças que desciam ou subiam, lavadeiras e soldados, algum empregado, algum lojista, algum padre, todos olhavam espantados para elas, que aliás vestiam com grande simplicidade; mas há um donaire** que se não perde, e não era vulgar naquelas alturas. A mesma lentidão do andar, comparada à rapidez das outras pessoas, fazia desconfiar que era a primeira vez que ali iam. Uma crioula perguntou a um sargento: "Você quer ver que elas vão à cabocla?" E ambos pararam a distância, tomados daquele invencível desejo de conhecer a vida alheia, que é muita vez toda a necessidade humana.

      Com efeito, as duas senhoras buscavam disfarçadamente o número da casa da cabocla, até que deram com ele. A casa era como as outras, trepada no morro. Subia-se por uma escadinha, estreita, sombria, adequada à aventura.

                                                                    Machado de Assis, Esaú e Jacó.

* cabocla: vidente, adivinha.

** donaire: elegância. 

A
encenar ironicamente as contradições de uma elite que se queria elegante e cosmopolita, ao mesmo tempo em que compartilhava o atraso da sociedade local.
B
propiciar ao leitor culto uma cena pitoresca, tendo em vista a fruição da cor local do Rio de Janeiro da colônia.
C
revelar que, independentemente da classe social ou da cultura a que perteçam, os indivíduos são, em toda parte, portadores dos mesmos desejos, medos e comportamentos, universalmente reconhecidos.
D
mostrar o Rio de Janeiro pela ótica do imperialismo inglês, o que permitiria evidenciar sua inferioridade cultural, em relação às sociedades europeias.
E
construir humoristicamente uma cena de costumes, na qual se criticassem os prejuízos trazidos à cultura nacional pela miscigenação racial oriunda do nosso passado colonial.
3b4fbd01-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos

No contexto do poema, o último verso tem como pressuposto a ideia de que, naquele período, a Bahia

                                    Triste Bahia


Triste Bahia! ó quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado!

Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mi abundante.


A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando, e tem trocado,

Tanto negócio e tanto negociante.


Deste em dar tanto açúcar excelente

Pelas drogas inúteis, que abelhuda

Simples aceitas do sagaz Brichote*.


Oh se quisera Deus que de repente

Um dia amanheceras tão sisuda

Que fora de algodão o teu capote!

                                                     Gregório de Matos.


*provável referência aos ingleses (British) 

A
precisaria sofrer uma conversão religiosa, passando a vestir-se como as monjas enclausuradas.
B
merecia a punição de ser coberta de andrajos e, publicamente, ridicularizada, em castigo de sua vaidade.
C
fazia jus à complacência de seus poetas e intelectuais, pois não tinha culpa de ser tão infantilmente irresponsável.
D
deperdiçara seus bens e haveres em despesas suntuárias, desajuizadas e dispensáveis.
E
era vítima do tráfico de substâncias entorpecentes proibidas, patrocinado pelas potências colonialistas estrangeiras.
3b4c6369-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos

Considerado do ponto de vista de sua relação com o contexto histórico em que foi produzido, o texto exprime, sobretudo,

                                    Triste Bahia


Triste Bahia! ó quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado!

Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mi abundante.


A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando, e tem trocado,

Tanto negócio e tanto negociante.


Deste em dar tanto açúcar excelente

Pelas drogas inúteis, que abelhuda

Simples aceitas do sagaz Brichote*.


Oh se quisera Deus que de repente

Um dia amanheceras tão sisuda

Que fora de algodão o teu capote!

                                                     Gregório de Matos.


*provável referência aos ingleses (British) 

A
o nacionalismo do poeta, que o leva a abominar a intrusão estrangeira no País.
B
o acirramento do espírito crítico dos naturais do Brasil em relação à metrópole portuguesa, tendo em vista a crescente espoliação da colônia.
C
as perplexidades e os desencantos experimentados pelos sujeitos submetidos aos percalços e oscilações da economia colonial.
D
a revolta e o ressentimento dos baianos frente à decadência causada pela transferência da capital da colônia para o Rio de Janeiro.
E
o programa original do movimento tropicalista, que se desdobrará, desde então, até meados do século XX, período em que, finalmente, triunfará.
3b493081-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

No texto, entre outras marcas do estilo de época que se convencionou chamar de Barroco, encontra-se o

                                    Triste Bahia


Triste Bahia! ó quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado!

Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,

Rica te vi eu já, tu a mi abundante.


A ti trocou-te a máquina mercante,

Que em tua larga barra tem entrado,

A mim foi-me trocando, e tem trocado,

Tanto negócio e tanto negociante.


Deste em dar tanto açúcar excelente

Pelas drogas inúteis, que abelhuda

Simples aceitas do sagaz Brichote*.


Oh se quisera Deus que de repente

Um dia amanheceras tão sisuda

Que fora de algodão o teu capote!

                                                     Gregório de Matos.


*provável referência aos ingleses (British) 

A
emprego predominante de vocabulário elevado, de extração erudita, majoritariamente composto de palavras raras e preciosas.
B
estabelecimento de um jogo de oposições semânticas produzidas, no caso, pelo espelhamento mútuo do poeta e da Bahia.
C
uso intensivo da obscuridade semântica, conferindo ao texto caráter hermético e misterioso.
D
eu lírico dilacerado, tensionado por sua divisão entre a veneração dos bens terrenos e a religiosidade exaltada, de caráter místico.
E
recurso ao tema do “fugere urbem” (fuga à cidade), como modo de criticar a sociedade decadente da Bahia.
3b4576e7-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia

Considerado o contexto em que ocorre, o adjetivo “inelutável” qualifica algo contra o que é ________________ lutar.


A lacuna dessa frase pode ser corretamente preenchida por

      Na inelutável necessidade do amor (era quase primavera) pombo e pomba marcaram um encontro galante quando voavam e revoavam no azul do Rio de Janeiro. Era bem de manhãzinha.

      – Às quatro em ponto me casarei contigo no mais alto beiral – disse o pombo.

      – Candelária? – perguntou a noiva.

      – Do lado norte – respondeu ele.

      – Tá – assentiu com alegria e pudor a pomba.

      Pois, às quatro azul em ponto, a pomba pontualíssima pousava pensativamente no beiral. O pombo? O pombo não.

      (...)

                                                                               Paulo Mendes Campos.  

A
imperioso.
B
deplorável.
C
instável.
D
inútil.
E
prazeroso.
3b40d1a0-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos

Sobre os parênteses empregados na frase “(era quase primavera)”, é correto afirmar que destacam

      Na inelutável necessidade do amor (era quase primavera) pombo e pomba marcaram um encontro galante quando voavam e revoavam no azul do Rio de Janeiro. Era bem de manhãzinha.

      – Às quatro em ponto me casarei contigo no mais alto beiral – disse o pombo.

      – Candelária? – perguntou a noiva.

      – Do lado norte – respondeu ele.

      – Tá – assentiu com alegria e pudor a pomba.

      Pois, às quatro azul em ponto, a pomba pontualíssima pousava pensativamente no beiral. O pombo? O pombo não.

      (...)

                                                                               Paulo Mendes Campos.  

A
uma ressalva em relação ao que antes se afirmou.
B
uma reflexão que contrasta com o tom narrativo do texto.
C
uma afirmação que deve ser atribuída aos personagens.
D
um dito espirituoso sem conexão com o assunto do texto.
E
um comentário que pode ser entendido como justificativa.
3b3d7279-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Ortografia, Regência, Coesão e coerência, Sintaxe

Considere a correção proposta para o sublinhado nos seguintes trechos do texto:


I “em uma seção de análise”: em uma sessão de análise.

II “eu e toda a humanidade”: eu e toda humanidade.

III “para expressar minha esperança que você também tenha esse prazer”: para expressar minha esperança de que você também tenha esse prazer.


Está de acordo com a norma culta o que se propõe em

                              Quando você significa eu


      Outro dia, deitado no divã em uma seção de análise, descrevi meus sentimentos. “Quando sobe a raiva, você perde a capacidade de ser generoso.” Antes de terminar a frase, eu me dei conta de que tinha usado “você”, apesar de estar descrevendo um comportamento meu. Instintivamente repeti a frase. “Quando sobe a raiva, eu perco a capacidade de ser generoso.”

      Não me senti bem. Não era o que eu queria expressar. O que seria esse estranho “você” que havia usado falando de mim, e seguramente não me referindo a ele, meu analista, que era o único na sala? Como você sabe, o “você” normal é usado como nessa frase, para se referir ao interlocutor. Descobri que esse estranho “você” é o chamado “você” genérico e pode significar muitas coisas, entre elas “eu e toda a humanidade”. O que eu queria dizer era o seguinte: “Quando sobe a raiva, eu e toda a humanidade perdemos a capacidade de sermos generosos.” Ao usar o “você” genérico estava tentando me eximir um pouco da culpa.

      Imagine qual não foi minha surpresa ao me deparar com um estudo que investiga exatamente em que condições as pessoas usam esse “você” genérico. O prazer é grande quando você (o prazer é meu, mas estou usando o “você “genérico para expressar minha esperança que você também tenha esse prazer) lê sobre algo que já observou.

                              Fernando Reinach, O Estado de S. Paulo, 08/04/2017.  

A
I e em III, apenas.
B
I, apenas.
C
III, apenas.
D
I, em II e em III.
E
II, apenas.
3b39e62c-9b
FGV 2017 - Português - Análise sintática, Sintaxe

A oração “Ao usar o ´você´ genérico” (final do segundo parágrafo) expressa ideia de

                              Quando você significa eu


      Outro dia, deitado no divã em uma seção de análise, descrevi meus sentimentos. “Quando sobe a raiva, você perde a capacidade de ser generoso.” Antes de terminar a frase, eu me dei conta de que tinha usado “você”, apesar de estar descrevendo um comportamento meu. Instintivamente repeti a frase. “Quando sobe a raiva, eu perco a capacidade de ser generoso.”

      Não me senti bem. Não era o que eu queria expressar. O que seria esse estranho “você” que havia usado falando de mim, e seguramente não me referindo a ele, meu analista, que era o único na sala? Como você sabe, o “você” normal é usado como nessa frase, para se referir ao interlocutor. Descobri que esse estranho “você” é o chamado “você” genérico e pode significar muitas coisas, entre elas “eu e toda a humanidade”. O que eu queria dizer era o seguinte: “Quando sobe a raiva, eu e toda a humanidade perdemos a capacidade de sermos generosos.” Ao usar o “você” genérico estava tentando me eximir um pouco da culpa.

      Imagine qual não foi minha surpresa ao me deparar com um estudo que investiga exatamente em que condições as pessoas usam esse “você” genérico. O prazer é grande quando você (o prazer é meu, mas estou usando o “você “genérico para expressar minha esperança que você também tenha esse prazer) lê sobre algo que já observou.

                              Fernando Reinach, O Estado de S. Paulo, 08/04/2017.  

A
causa.
B
consequência.
C
tempo.
D
condição.
E
finalidade.
3b36ccd8-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos

De acordo com o texto, NÃO é correto afirmar sobre o “você genérico”:

                              Quando você significa eu


      Outro dia, deitado no divã em uma seção de análise, descrevi meus sentimentos. “Quando sobe a raiva, você perde a capacidade de ser generoso.” Antes de terminar a frase, eu me dei conta de que tinha usado “você”, apesar de estar descrevendo um comportamento meu. Instintivamente repeti a frase. “Quando sobe a raiva, eu perco a capacidade de ser generoso.”

      Não me senti bem. Não era o que eu queria expressar. O que seria esse estranho “você” que havia usado falando de mim, e seguramente não me referindo a ele, meu analista, que era o único na sala? Como você sabe, o “você” normal é usado como nessa frase, para se referir ao interlocutor. Descobri que esse estranho “você” é o chamado “você” genérico e pode significar muitas coisas, entre elas “eu e toda a humanidade”. O que eu queria dizer era o seguinte: “Quando sobe a raiva, eu e toda a humanidade perdemos a capacidade de sermos generosos.” Ao usar o “você” genérico estava tentando me eximir um pouco da culpa.

      Imagine qual não foi minha surpresa ao me deparar com um estudo que investiga exatamente em que condições as pessoas usam esse “você” genérico. O prazer é grande quando você (o prazer é meu, mas estou usando o “você “genérico para expressar minha esperança que você também tenha esse prazer) lê sobre algo que já observou.

                              Fernando Reinach, O Estado de S. Paulo, 08/04/2017.  

A
Serve para o emissor falar de si próprio de maneira disfarçada.
B
Poderia ser substituído pelo pronome “nós”.
C
Contém, por parte de quem o emprega, uma pressuposição em relação a seu interlocutor.
D
Substitui o “você normal” em contextos negativos, ao contrário do que ocorre em contextos positivos.
E
Pode ser uma maneira de o emissor relativizar sua culpa ou de partilhar sua satisfação.
3b334fd6-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Coesão e coerência

Considerando-se o contexto sugerido pela data comemorativa a que se refere a propaganda, é correto afirmar que o verbo “falar”, em suas duas ocorrências no texto, foi empregado com a mesma acepção que se verifica na seguinte frase:

         

A
Nos últimos anos de sua vida, não podia falar, nem ouvir e nem sequer ver.
B
Ia deixando-se subornar, mas a dignidade falou mais alto.
C
Poucas pessoas têm a capacidade de falar vários idiomas.
D
Por causa de uma coisa tola, deixaram de se falar.
E
Ele não gosta de falar de sua vida particular.
3b2fe103-9b
FGV 2017 - Português - Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A expressividade que se obtém no texto resulta da combinação dos seguintes procedimentos linguísticos:

         

A
subordinação e subentendido.
B
repetição e inversão.
C
redundância e conotação.
D
oposição e comparação.
E
coordenação e ênfase.