Considerado do ponto de vista de sua relação com o contexto histórico
em que foi produzido, o texto exprime, sobretudo,
Triste Bahia
Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote*.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Gregório de Matos.
*provável referência aos ingleses (British)
Triste Bahia
Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote*.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
Gregório de Matos.
*provável referência aos ingleses (British)
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de texto — análise do conteúdo temático do poema "Triste Bahia", de Gregório de Matos, relacionando crítica social, contexto histórico e economia colonial. O candidato precisa perceber a intenção do autor e o sentido global do texto.
Alternativa correta: C — As perplexidades e os desencantos experimentados pelos sujeitos submetidos aos percalços e oscilações da economia colonial.
O raciocínio linguístico necessário está centrado na leitura contextualizada. O poema lamenta as mudanças sofridas pela Bahia: “Triste Bahia! ó quão dessemelhante / Estás e estou do nosso antigo estado!” — aqui, o eu lírico compara o passado próspero ao presente empobrecido, evidenciando descanto e insegurança diante das mudanças econômicas e sociais.
A interpretação correta exige examinar a semântica das expressões, como ao citar os “negociantes” e a “máquina mercante”, indicando transformação pela ação do comércio estrangeiro e a decadência das riquezas locais. Este tipo de análise está em acordo com as orientações das gramáticas de Bechara (2009) e Cunha & Cintra (2013) sobre construção de sentido, contexto e coesão textual.
Análise das alternativas incorretas:
A) Destaca o “nacionalismo do poeta”, mas o texto enfatiza a situação social e econômica, e não o orgulho nacional ou patriotismo, que sequer era conceito consolidado no século XVII.
B) Trata do “espírito crítico contra a metrópole portuguesa”, mas o alvo do poema são as mudanças econômicas locais e a relação com estrangeiros, e não especificamente a metrópole.
D) A menção à transferência da capital para o Rio de Janeiro é anacrônica: isso ocorreu depois da morte de Gregório de Matos, logo, não corresponde ao contexto do poema.
E) Faz referência ao tropicalismo, movimento artístico do século XX, totalmente desvinculado do texto barroco de Gregório de Matos.
Estratégia de resolução: Leia com atenção o texto, localizando elementos temáticos centrais. Identifique palavras-chave que revelam tempo histórico, intenções do eu lírico e relações sociais/econômicas.
DICA: Evite se prender apenas à superfície do texto ou a frases isoladas. Analise sempre o contexto e as relações entre as ideias!
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