Questõesde UNESP 2010 sobre Filosofia

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Foram encontradas 12 questões
057f3b7f-8d
UNESP 2010 - Filosofia

Com base no conceito de sociedade do controle e na notícia reproduzida, assinale a alternativa correta.

                                                                      Texto 1

No ano de 1990, o filósofo francês Gilles Deleuze criou o conceito de “sociedade do controle” para explicar a configuração totalitária das sociedades atuais. Na sociedade de controle as pessoas têm a ilusão de desfrutarem de maior autonomia, pois podem, por exemplo, acessar contas correntes e fazer compras pela Internet. Mas, por outro lado, seus comportamentos e hábitos de consumo podem ser conhecidos pelo governo, pelos bancos e grandes empresas. Sem suspeitarem disso, os indivíduos podem ser controlados à distância, como se cada um fosse dotado de uma “coleira eletrônica”.
                                                                        Texto 2
                           
                                         Um quarto dos alemães aceitam implantar chip no corpo

Pesquisa feita pela Associação Alemã das Empresas de Informação, Telecomunicação e Novas Mídias (Bitkom) revela que 23% dos moradores do país topam ter um microchip inserido no próprio corpo, contanto que isso traga benefícios concretos a eles. O levantamento, realizado com cerca de mil pessoas de várias cidades, foi divulgado na feira de tecnologia Cebit, que vai até o próximo sábado (7), em Hannover.

                                                                                                                                                       (Folha Online, 03.03.2010.)
A
Não há correspondência entre os resultados da pesquisa relatada na notícia e o conceito de sociedade do controle, uma vez que a implantação do chip contaria com a permissão das próprias pessoas.
B
Os resultados da pesquisa atestam a inadequação do conceito proposto pelo filósofo francês para reflexões sobre as sociedades atuais, pois o conceito está defasado vinte anos em relação à notícia sobre a pesquisa.
C
Os resultados da pesquisa atestam o grau em que os parâmetros da sociedade de controle foram internalizados pelos indivíduos.
D
De acordo com o filósofo francês, os acessos informatizados garantem o aumento da autonomia dos indivíduos.
E
O conceito de sociedade de controle tem sua aplicação restrita a sociedades governadas por ditaduras, não podendo ser aplicado a reflexões sobre sociedades democráticas.
057a271a-8d
UNESP 2010 - Filosofia

Assinale a alternativa correta.

A criação de índices de sustentabilidade nas principais bolsas de valores do mundo reflete a valorização das companhias verdes. Quando o mercado de capitais, centro financiador do desenvolvimento econômico, cria um índice, dá um recado explícito às empresas que ele procura. Nesse caso, o mercado deixa claro que a agenda socioambiental não pode ser ignorada pelas empresas que ele procura. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o índice de sustentabilidade (ISE), criado há cinco anos, mostra resultados melhores do que o índice tradicional. No ano passado, as ações medidas pelo índice Ibovespa subiram 18,5%, enquanto as medidas pelo ISE da Bovespa aumentaram 24,7%.

                                                                                                                                                    (Veja, 09.06.2010. Adaptado.)
A
A reportagem citada tem como assunto a recusa, por parte dos investidores do mercado de capitais, da lógica neoliberal que atualmente rege a economia capitalista.
B
A questão ambiental é assunto restrito à esfera política, não podendo ser regida pelos critérios da lei da oferta e da procura.
C
Os dados citados na reportagem reforçam a tese originalmente marxista acerca da lógica autodestrutiva da economia capitalista.
D
A reportagem trata da incompatibilidade entre equilíbrio ambiental e a célebre “mão invisível" do mercado, postulada pelo filósofo Adam Smith.
E
A reportagem divulga a tese de que um problema originalmente ético pode ser resolvido pela lógica do mercado capitalista.
057503f4-8d
UNESP 2010 - Filosofia - Conceitos Filosóficos

Sobre os dois textos, é correto afirmar:

Coisas que este livro fará por você: facilitar-lhe-á fazer amigos rápida e facilmente; aumentará sua popularidade; ajuda-lo-á a conquistar pessoas para seu modo de pensar; aumentará sua influência, seu prestígio, sua habilidade em obter a realização das coisas; facilitar-lhe-á conseguir novos clientes, novos fregueses; aumentará suas rendas; torna-lo-á um melhor vendedor, um melhor diretor; ajudá-lo-á a resolver reclamações, evitar discussões e manter seus contatos humanos agradáveis e suaves; tornalo-á um melhor orador, um conversador mais atraente; tornará os princípios de psicologia fáceis para que você os aplique nos seus contatos diários.
                                                                                     
                                                                                             (Dale Carnegie. Como fazer amigos e influenciar pessoas, 1936.)

Se alguma coisa há que esta vida tem para nós, e, salvo a mesma vida, tenhamos que agradecer aos Deuses, é o dom de nos desconhecermos: de nos desconhecermos a nós mesmos e de nos desconhecermos uns aos outros. A alma humana é um abismo obscuro e viscoso, um poço que não se usa na superfície do mundo. Ninguém se amaria a si mesmo se deveras se conhecesse, e assim, não havendo a vaidade, que é o sangue da vida espiritual, morreríamos na alma de anemia. Ninguém conhece outro, e ainda bem que o não conhece, e, se o conhecesse, conheceria nele, ainda que mãe, mulher ou filho, o íntimo, metafísico inimigo.

                                                                                                                    (Fernando Pessoa. Livro do desassossego, 1931.)
A
A obra de Dale Carnegie transmite nítida visão instrumental acerca das relações humanas.
B
Os dois textos transmitem uma visão cética sobre a importância da psicologia para o desenvolvimento humano.
C
Embora escritos na década de 30 do século passado, ambos os textos podem ser considerados precursores do estilo atualmente conhecido como autoajuda.
D
O texto de Fernando Pessoa transmite uma visão edificante acerca das relações humanas.
E
Os dois textos valorizam a importância da inteligência emocional nas relações humanas.
056f3692-8d
UNESP 2010 - Filosofia - Ética e Liberdade, Conceitos Filosóficos

Acerca dessa notícia, podemos afirmar que:

Renata, 11, combinava com uma amiga viajar em julho para a Disney. Questionada pela mãe, que não sabia de excursão nenhuma, a menina pegou uma pasta com preços do pacote turístico e uma foto com os dizeres: “Se eu não for para a Disney vou ser um pateta”. A agência de turismo e a escola afirmam que não pretendiam constranger ninguém e que a placa do Pateta era apenas uma brincadeira. Para um promotor da área do consumidor, o caso ilustra bem os abusos na publicidade infantil. “Já temos problemas sérios de bullying nas escolas. Essa empresa está criando uma situação propícia para isso”.
 
                                                                                                                                  (Folha de S.Paulo, 20.04.2010. Adaptado.)
A
Em nossa sociedade, os campos da publicidade e da pedagogia são esferas separadas, não suscitando questões de natureza ética.
B
Para o promotor citado na reportagem, o caso em questão provoca problemas de natureza exclusivamente jurídica.
C
Uma das questões éticas envolvidas diz respeito à exposição precoce das crianças à manipulação do desejo, exercida pela publicidade.
D
O público-alvo dessa campanha publicitária constitui-se de indivíduos dotados de consciência autônoma.
E
Para o promotor citado na reportagem, o caso em questão não apresenta repercussões de natureza psicológica.
0569a0b4-8d
UNESP 2010 - Filosofia - Conceitos Filosóficos

Assinale a alternativa correta.

A inclinação para o ocultismo é um sintoma da regressão da consciência. A tendência velada da sociedade para o desastre faz de tolas suas vítimas com falsas revelações e fenômenos alucinatórios. O ocultismo é a metafísica dos parvos. Procurando no além o que perderam, as pessoas dão de encontro apenas com sua própria nulidade.

                                                                                                                (Theodor Adorno, filósofo alemão, 1947. Adaptado.)

Ilumine seus caminhos e encontre a paz espiritual com Dona Márcia, espírita conceituada com fortes poderes. Corta mau-olhado, inveja, demandas, feitiçaria. Desfaz amarrações, faz simpatia para o amor, saúde, negócios, empregos, impotência e filhos problemáticos. Seja qual for o seu problema, em uma consulta, ela lhe dará orientação espiritual para resolver o seu problema.

                                                                                            (Panfleto distribuído nas ruas do centro de uma cidade brasileira.)
A
Os dois textos evidenciam que, em nossa sociedade, prevalece o apelo racional na resolução de problemas pessoais.
B
O texto do filósofo Adorno aborda o ocultismo sob uma perspectiva crítica.
C
De acordo com o filósofo Adorno, a espiritualidade permite a elevação da consciência.
D
Nos dois textos predomina a irracionalidade na abordagem da relação entre mundo material e mundo espiritual.
E
Os dois textos enfatizam a importância da espiritualidade na vida das pessoas.
0563dcfc-8d
UNESP 2010 - Filosofia

Sobre esse texto, é correto afirmar que:

A felicidade, para você, pode ser uma vida casta; para outro, pode ser um casamento monogâmico; para outro ainda, pode ser uma orgia promíscua. Há os que querem simplicidade e os que preferem o luxo. Em matéria de felicidade, os governos
podem oferecer as melhores condições possíveis para que cada indivíduo persiga seu projeto. Mas o melhor governo é o que não prefere nenhuma das diferentes felicidades que seus sujeitos procuram. Não é coisa simples. Nosso governo oferece uma isenção fiscal às igrejas, as quais, certamente, são cruciais na procura da felicidade de muitos. Mas as escolas de dança de salão ou os clubes sadomasoquistas também são significativos na busca da felicidade de vários cidadãos. Será que um governo deve favorecer a ideia de felicidade compartilhada pela maioria? Considere: os governos totalitários (laicos ou religiosos) sempre “sabem” qual é a felicidade “certa” para seus sujeitos. Juram que querem o bem dos cidadãos e garantem a felicidade como um direito social – claro, é a mesma felicidade para todos. É isso que você quer?

(Contardo Calligaris. Folha de S.Paulo, 10.06.2010. Adaptado.)
A
Ao discorrer sobre a felicidade, o autor elege como foco a autonomia do indivíduo.
B
A felicidade é assunto público e por isso pode e deve ser orientada por critérios objetivos definidos pelo Estado.
C
O critério moral e religioso é o mais adequado para reger o comportamento dos indivíduos.
D
O bem-estar e a felicidade pessoal não devem ser assuntos restritos ao livre arbítrio individual.
E
Para o autor, a busca da felicidade não deve se subordinar ao relativismo das escolhas.
10a3d8a0-36
UNESP 2010 - Filosofia - Platão e o Mundo das Ideias, Filosofia e a Grécia Antiga

Após análise dos dois textos, pode-se afirmar que:

                                        Texto 1


      Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. […] Se, ao contrário, a morte é como uma passagem deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram todos os mortos, qual o bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este? Porque, se chegarmos ao Hades, libertando-nos destes que se vangloriam serem juízes, havemos de encontrar os verdadeiros juízes, os quais nos diria que fazem justiça acolá: Monos e Radamante, Éaco e Triptolemo, e tantos outros deuses e semideuses que foram justos na vida; seria então essa viagem uma viagem de se fazer pouco caso? Que preço não seríeis capazes de pagar, para conversar com Orfeu, Museu, Hesíodo e Homero?

                                                                                 (Platão. Apologia de Sócrates, 2000.)


                                         Texto 2


      Ninguém sabe quando será seu último passeio, mas agora é possível se despedir em grande estilo. Uma 300C Touring, a versão perua do sedã de luxo da Chrysler, foi transformada no primeiro carro funerário customizado da América Latina. A mudança levou sete meses, custou R$ 160 mil e deixou o carro com oito metros de comprimento e 2340 kg, três metros e 540 kg além da original. O Funeral Car 300C tem luzes piscantes na já imponente dianteira e enormes rodas, de aro 22, com direito a pequenos caixões estilizados nos raios. Bandeiras nas pontas do capô, como nos carros de diplomatas, dão um toque refinado. Com o chassi mais longo, o banco traseiro foi mantido para familiares acompanharem o cortejo dentro do carro. No encosto dos dianteiros, telas exibem mensagens de conforto. O carro faz parte de um pacote de cerimonial fúnebre que inclui, além do cortejo no Funeral Car 300C, serviços como violinistas e revoada de pombas brancas no enterro.

                                                               (Funeral tunado. Folha de S.Paulo, 28.02.2010.)

A
o texto 1 é de natureza fictícia, e portanto não baseado em fatos históricos.
B
Platão não apela a entidades míticas para justificar sua concepção positiva sobre a morte.
C
Platão faz alusão a um fato histórico fundamental para a filosofia ocidental: as circunstâncias da morte de Sócrates.
D
o texto 2 trata do caráter sagrado e religioso dos funerais em nossa sociedade.
E
o texto 1 evidencia que a morte não é um tema filosófico.
109ea4ab-36
UNESP 2010 - Filosofia - A Metafísica de Aristóteles, Filosofia e a Grécia Antiga

Confrontando o conteúdo dos dois textos, pode-se afirmar que:

                                        Texto 1


      Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. Se, de fato, não há sensação alguma, mas é como um sono, a morte seria um maravilhoso presente. […] Se, ao contrário, a morte é como uma passagem deste para outro lugar, e, se é verdade o que se diz que lá se encontram todos os mortos, qual o bem que poderia existir, ó juízes, maior do que este? Porque, se chegarmos ao Hades, libertando-nos destes que se vangloriam serem juízes, havemos de encontrar os verdadeiros juízes, os quais nos diria que fazem justiça acolá: Monos e Radamante, Éaco e Triptolemo, e tantos outros deuses e semideuses que foram justos na vida; seria então essa viagem uma viagem de se fazer pouco caso? Que preço não seríeis capazes de pagar, para conversar com Orfeu, Museu, Hesíodo e Homero?

                                                                                 (Platão. Apologia de Sócrates, 2000.)


                                         Texto 2


      Ninguém sabe quando será seu último passeio, mas agora é possível se despedir em grande estilo. Uma 300C Touring, a versão perua do sedã de luxo da Chrysler, foi transformada no primeiro carro funerário customizado da América Latina. A mudança levou sete meses, custou R$ 160 mil e deixou o carro com oito metros de comprimento e 2340 kg, três metros e 540 kg além da original. O Funeral Car 300C tem luzes piscantes na já imponente dianteira e enormes rodas, de aro 22, com direito a pequenos caixões estilizados nos raios. Bandeiras nas pontas do capô, como nos carros de diplomatas, dão um toque refinado. Com o chassi mais longo, o banco traseiro foi mantido para familiares acompanharem o cortejo dentro do carro. No encosto dos dianteiros, telas exibem mensagens de conforto. O carro faz parte de um pacote de cerimonial fúnebre que inclui, além do cortejo no Funeral Car 300C, serviços como violinistas e revoada de pombas brancas no enterro.

                                                               (Funeral tunado. Folha de S.Paulo, 28.02.2010.)

A
embora os dois textos transmitam concepções divergentes acerca da morte, eles tratam de visões concernentes à mesma época, a saber, a sociedade atual.
B
sob o ponto de vista filosófico, não há diferenças qualitativas entre uma e outra concepção sobre a morte.
C
os comentários do texto grego sobre a morte são coerentes com uma filosofia de forte valorização do corpo em detrimento da alma, e do mundo sensível sobre o mundo inteligível.
D
o texto de Platão evidencia uma cultura monoteísta, enquanto que o segundo é politeísta.
E
enquanto no primeiro texto transparece a dignidade metafísica da morte, no segundo sugere-se a conversão do funeral em espetáculo da sociedade de consumo.
10994480-36
UNESP 2010 - Filosofia - Conceitos Filosóficos

De acordo com os dois textos, pode-se concluir que:

Instrução: Os textos 1 e 2 referem-se à  questão.


                                               Texto 1


      Agora que as paixões acalmaram, volto à proibição do fumo em ambientes fechados, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Incrível como esse tema ainda gera discussões acaloradas. Como é possível considerar a proibição de fumar nos lugares em que outras pessoas respiram uma afronta à liberdade individual? As evidências científicas de que o fumante passivo também fuma são tantas e tão contundentes que os defensores do direito de encher de fumaça restaurantes e demais espaços públicos só podem fazê-lo por duas razões: ignorância ou interesse financeiro. Sinceramente, não consigo imaginar terceira alternativa.


                (Drauzio Varella. O fumo em lugares fechados. Folha de S.Paulo, 25.04.2009.)


                                                         Texto 2 


Típico do espírito fascista é seu amor puritano pela “humanidade correta” ao mesmo tempo em que detesta a diversidade promíscua dos seres humanos. Por isso sua vocação para ideia de “higiene científica e política da vida”: supressão de hábitos “irracionais”, criação de comportamentos “que agregam valor político, científico e social”. O imperativo “seja saudável” pode adoecer uma pessoa. Na democracia o fascismo pode ser invisível como um vírus. Quer um exemplo da contaminação? Votemos uma lei: mesmo em casa não se pode fumar. Afinal, como ficam os pulmões dos vizinhos? Que tal uma campanha nas escolas para as crianças denunciarem seus pais fumantes?

                               

                                 (Luis Felipe Pondé. O vírus fascista. Folha de S.Paulo, 22.09.2008.)

A
a filosofia é uma área do conhecimento que compartilha dos mesmos critérios que a ciência.
B
no texto 2, o “amor puritano pela humanidade correta” é compatível com a “diversidade promíscua dos seres humanos”.
C
segundo os dois autores, fumar ou não fumar é problema ético, não relacionado com políticas estatais de saúde pública.
D
para o autor do texto 2, inexistem critérios universais e absolutos que possam regular o comportamento ético dos indivíduos.
E
para os dois autores, a vida saudável é um imperativo a ser priorizado sob quaisquer circunstâncias.
1094128b-36
UNESP 2010 - Filosofia - Conceitos Filosóficos

Confrontando o conteúdo dos dois textos, assinale a alternativa correta.

Instrução: Os textos 1 e 2 referem-se à  questão.


                                               Texto 1


      Agora que as paixões acalmaram, volto à proibição do fumo em ambientes fechados, aprovada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Incrível como esse tema ainda gera discussões acaloradas. Como é possível considerar a proibição de fumar nos lugares em que outras pessoas respiram uma afronta à liberdade individual? As evidências científicas de que o fumante passivo também fuma são tantas e tão contundentes que os defensores do direito de encher de fumaça restaurantes e demais espaços públicos só podem fazê-lo por duas razões: ignorância ou interesse financeiro. Sinceramente, não consigo imaginar terceira alternativa.


                (Drauzio Varella. O fumo em lugares fechados. Folha de S.Paulo, 25.04.2009.)


                                                         Texto 2 


Típico do espírito fascista é seu amor puritano pela “humanidade correta” ao mesmo tempo em que detesta a diversidade promíscua dos seres humanos. Por isso sua vocação para ideia de “higiene científica e política da vida”: supressão de hábitos “irracionais”, criação de comportamentos “que agregam valor político, científico e social”. O imperativo “seja saudável” pode adoecer uma pessoa. Na democracia o fascismo pode ser invisível como um vírus. Quer um exemplo da contaminação? Votemos uma lei: mesmo em casa não se pode fumar. Afinal, como ficam os pulmões dos vizinhos? Que tal uma campanha nas escolas para as crianças denunciarem seus pais fumantes?

                               

                                 (Luis Felipe Pondé. O vírus fascista. Folha de S.Paulo, 22.09.2008.)

A
Para os dois autores, é correta a existência de uma lei que proíbe o fumo em lugares fechados, pois ambos baseiam-se em argumentos de natureza política e filosófica.
B
O primeiro texto ampara-se em argumentos científicos, e o segundo, em argumentos de natureza política e filosófica.
C
Para o autor do segundo texto, o fascismo é um fenômeno superado da história, e por isso incompatível com sociedades democráticas.
D
Para o autor do segundo texto, argumentos de base científica prevalecem sobre argumentos de base política e filosófica.
E
Os dois textos apresentam visões contrastantes sobre a proibição do fumo, sendo que ambos baseiam seus argumentos sob um ponto de vista científico.
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UNESP 2010 - Filosofia - O Sujeito Moderno

O cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, afirmou que a tragédia em seu país “está sendo boa” para que os haitianos fiquem mais conhecidos no Brasil. O diplomata não sabia que estava sendo filmado. As imagens apareceram em reportagem do telejornal SBT Brasil, na noite de quinta-feira (14). “A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido”, disse o cônsul. Antoine atribuiu o desastre em seu país a maldições: “Acho que, de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição”. Depois de criticar as religiões africanas, Antoine aparece, durante a entrevista, segurando um terço. “Esse terço nós usamos porque dá energia positiva, acalma as pessoas. Como estou muito tenso, deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar”, afirmou o cônsul. Na mesa, há outro terço além do que ele está segurando.


(Revista Época, 15.01.2010. Adaptado.)


Assinale a alternativa correta.

A
As declarações do cônsul do Haiti transmitem uma visâo positiva sobre valores e práticas culturais de origem africana.
B
A crítica de Antoine às religiões africanas expressa uma visão de mundo marcada pela tolerância religiosa.
C
O ponto de vista do cônsul pode ser caracterizado como uma visão de mundo racionalista.
D
Para o cônsul, a explicação dos motivos que provocaram o terremoto no Haiti relaciona-se exclusivamente com causas físicas, excluindo possíveis intervenções de entidades religiosas.
E
As declarações do cônsul haitiano revelam uma concepção mística sobre a realidade.
1089b73b-36
UNESP 2010 - Filosofia

Em algum remoto rincão do sistema solar cintilante em que se derrama um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da história universal: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades em que ele não estava; quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido. Ao contrário, ele é humano, e somente seu possuidor e genitor o toma tão pateticamente, como se os gonzos do mundo girassem nele. Mas se pudéssemos entender-nos com a mosca, perceberíamos então que também ela boia no ar (...) e sente em si o centro voante desse mundo.

(Nietzsche. O Livro das Citações, 2008.)


Sobre este texto, é correto afirmar que:

A
Seu teor acerca do lugar da humanidade na história do universo é antropocêntrico.
B
O autor revela uma visão de mundo cristã.
C
O autor apresenta uma visão cética acerca da importância da humanidade na história do universo.
D
Ao comparar a vida humana com a vida de uma mosca, Nietzsche corrobora os fundamentos de diversas teologias, não se limitando ao ponto de vista cristão.
E
Para o filósofo, a vida humana é eterna.