Questão 51580179-b1
Prova:UEMG 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Intertextualidade, Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética., Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Sobre o fragmento apresentado, considere as seguintes afirmativas:


I. Colocando-se em 1ª pessoa, o narrador revela a intimidade de seus sentimentos, em relação ao amor.

II. A referência ao Cavaleiro e a Dulcineia, no texto, constituem uma paráfrase da obra de Cervantes – Don Quixote de la mancha.

III. O confessionalismo do narrador neste trecho faz sobressair traços do gênero lírico.

IV. Um dos recursos da linguagem, utilizados pelo narrador no seu confessionalismo é a metalinguagem.

V. O texto apresenta fortes traços narrativos, ao focalizar objetivamente ações externas de personagens.

VI. Na comparação do narrador com o Cavaleiro da Triste Figura, observa-se o recurso da intertextualidade.


Está CORRETO o que se afirmou

Leia atentamente o trecho seguinte:


“Esta solidão da Rua Erê, a tristeza de viver de carícias compradas, a distância, sobretudo a distância da moça em flor, é que geraram a lenda. E o Cavaleiro da Triste Figura se põe em marcha, pela sua Dulcinéia. Haverá despeito e mau-humor nestas linhas? Creio que não: investigo, com serenidade, o fenômeno.

(In: O amanuense Belmiro – Cyro dos Anjos)

A
apenas nos itens II, IV, V, VI.
B
apenas nos itens I, III, IV, VI.
C
apenas nos itens I, II, III, VI.
D
apenas nos itens II, III, IV e V.

Gabarito comentado

R
Rebeca LealMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o predomínio da subjetividade autorreflexiva no fragmento, explicitado por marcas de confessionalismo, metalinguagem e intertextualidade no trecho: “Esta solidão da Rua Erê, a tristeza de viver de carícias compradas, a distância, sobretudo a distância da moça em flor, é que geraram a lenda. E o Cavaleiro da Triste Figura se põe em marcha, pela sua Dulcinéia. Haverá despeito e mau-humor nestas linhas? Creio que não: investigo, com serenidade, o fenômeno.” Esse conjunto sustenta I, III, IV e VI e afasta II, porque a referência a Dom Quixote é alusão/intertextualidade, não paráfrase, e afasta V, porque não há focalização objetiva de ações externas.

Tema central: Subjetividade e intertextualidade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui II e V. O item II não se sustenta: a menção a “Cavaleiro da Triste Figura” e “Dulcinéia” é alusão/intertextualidade, não paráfrase da obra de Cervantes, já que o trecho não reformula seu conteúdo. O item V também é incompatível com o excerto, pois não há focalização objetiva de ações externas de personagens; o centro do texto está na solidão, na tristeza, na distância amorosa e na autoanálise do narrador.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente os itens sustentados pelo fragmento. O item I se confirma pela exposição íntima de estados afetivos em “Esta solidão da Rua Erê, a tristeza de viver de carícias compradas, a distância, sobretudo a distância da moça em flor” e pela 1ª pessoa em “Creio” e “investigo”, o que revela intimidade emocional do narrador. O item III se sustenta porque esse confessionalismo faz sobressair traços líricos, já que o trecho privilegia afetividade e estados interiores. O item IV está correto porque “Haverá despeito e mau-humor nestas linhas?” é comentário sobre o próprio texto, caracterizando metalinguagem. O item VI também procede, pois “Cavaleiro da Triste Figura” e “Dulcinéia” funcionam como remissão intertextual a Dom Quixote.
C
Errada
Está errada por incluir II. Embora I, III e VI estejam de acordo com o texto, II altera o critério textual: referência intertextual não equivale a paráfrase. O fragmento evoca Dom Quixote por nomeação e aproximação simbólica, mas não reconta nem reformula a obra cervantina.
D
Errada
Está errada porque inclui II e V, que são incompatíveis com o fragmento, e ainda deixa de fora I e VI, que se sustentam. O texto é claramente subjetivo e confessional, como mostram “solidão”, “tristeza” e “distância”, além de “Creio” e “investigo”; por isso, I é válido. Também há intertextualidade explícita em “Cavaleiro da Triste Figura” e “Dulcinéia”, o que confirma VI. Já II e V falham pelos mesmos motivos: não há paráfrase de Dom Quixote nem predomínio de objetividade narrativa externa.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar a alusão a Dom Quixote como paráfrase da obra e interpretar a frase “investigo, com serenidade, o fenômeno” como sinal de objetividade narrativa, apesar do conjunto do trecho ser fortemente subjetivo e confessional.
Dica para questões semelhantes
  • Diferencie alusão/intertextualidade de paráfrase: citar ou evocar outra obra não significa reformular seu conteúdo.
  • Em prosa, verifique se o foco está em estados interiores; isso pode sustentar traços líricos sem mudar o gênero do texto.
  • Quando o narrador comenta “estas linhas” ou o próprio ato de escrever, há metalinguagem.
  • Não conclua “narratividade objetiva” só porque aparece uma ação verbal; observe se o núcleo do trecho está em fatos externos ou em autoanálise.

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