Questão 504d1fef-b6
Prova:IF-GO 2012
Disciplina:Filosofia
Assunto:Os Contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau), A Política

Leia com atenção o texto a seguir:
“O homem nasce livre, e por toda parte encontra-se a ferros. O que se crer senhor dos demais, não deixa de ser mais escravo do que eles (...). A ordem social é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. Tal direito, no entanto, não se origina da natureza: funda-se, portanto, em convenções.”
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1978. p. 22.

Com base no texto de Rousseau, marque a alternativa correta.

A
Há na afirmação de Rousseau uma forte crítica à justificativa do poder do rei absolutista, próprios da antiguidade clássica greco-romana.
B
A afirmativa de Rousseau aproxima-se ao pensamento absolutista, que atribuía aos reis o direito divino de manter a ordem social.
C
A afirmativa de Rousseau filia-se ao pensamento cristão, por atribuir a todos os homens uma condição de livre-arbítrio e superação da escravatura colonial.
D
A afirmativa de Rousseau é própria do pensamento iluminista, ao conceber a ordem social como um direito que deve garantir a liberdade e a autonomia dos homens.
E
A afirmação de Rousseau filia-se ao pensamento abolicionista, por denunciar a escravidão praticada na América ao longo do século XIX.

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Resposta correta: D

Tema central: a questão trata do Contrato Social de Jean-Jacques Rousseau e da sua posição frente à origem da ordem política — se ela é natural, divina ou fundada em convenções humanas. É fundamental lembrar que a pergunta exige identificar a corrente histórica e conceitual a que a afirmação pertence.

Resumo teórico: Rousseau (Do Contrato Social, 1762) sustenta que os homens nascem livres, mas a sociedade impõe vínculos; a ordem política legítima não decorre de um direito natural divino nem de tradições eternas, mas de um acordo (contrato) que visa garantir liberdade e autonomia coletiva. Esse raciocínio é marca do Iluminismo, que valoriza razão, soberania popular e legitimidade baseada em consenso racional, não em autoridade divina.

Justificativa da alternativa D (correta): A alternativa D afirma que o texto é próprio do pensamento iluminista por conceber a ordem social como direito que deve garantir liberdade e autonomia — exatamente o núcleo do contrato social rousseauniano. Rousseau propõe a soberania do povo e a legitimidade política derivada de um pacto, princípios centrais do Iluminismo.

Análise das alternativas incorretas:

A — Incorreta. Criticar a justificativa do poder absoluto é compatível, mas a alternativa fala de “antiguidade clássica greco-romana”. O absolutismo monárquico é fenômeno moderno (Idade Moderna), não característico da antiguidade clássica; portanto, a referência histórica está equivocada.

B — Incorreta. O texto não aproxima-se do pensamento absolutista ou do direito divino. Ao contrário: Rousseau recusa a origem divina do poder e fundamenta a ordem em convenções humanas — oposto do absolutismo.

C — Incorreta. Embora o cristianismo trate de livre-arbítrio, a passagem rousseauniana não é uma defesa teológica nem um apelo à superação da “escravatura colonial”. É uma teoria política secular sobre legitimidade e liberdade.

E — Incorreta. A alternativa associa o trecho ao abolicionismo do século XIX; Rousseau escreveu no século XVIII e sua preocupação era teórica (contrato/social), não uma denúncia específica da escravidão americana do século XIX.

Dica de prova: foque em termos-chave do enunciado ("convenções", "direito não originado da natureza", "liberdade") e relacione imediatamente com correntes (Iluminismo vs. Absolutismo vs. Religião). Cuidado com anacronismos e com palavras que deslocam a ideia para outra época ou movimento.

Referência: Rousseau, J.-J., Do Contrato Social (1762).

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