Questão 410b46b0-b2
Prova:UFU-MG 2016
Disciplina:Filosofia
Assunto:Platão e o Mundo das Ideias, Filosofia e a Grécia Antiga

Sobre a compatibilidade ou incompatibilidade entre fé cristã e filosofia grega, assinale a alternativa INCORRETA.

A
A filosofia grega conhece o princípio de unidade do divino, mas numa esfera que acolhia grande multiplicidade de entes, forças e níveis hierárquicos. Portanto, permaneceu sempre aquém de uma concepção propriamente monoteísta.
B
A propósito do problema da "origem dos seres", a mensagem cristã rompe com a filosofia grega na medida em que fala de "criação". Deus, segundo tal mensagem, não usou nada preexistente, como o Demiurgo de Platão, nem se valeu de "sub-motores", como a divindade aristotélica.
C
Na filosofia grega, o homem está sempre inscrito em um horizonte cosmocêntrico. Ali, o homem não é a realidade mais elevada, mas tão-somente parte de algo que lhe é superior. No âmbito da fé cristã, o homem é visto como criatura privilegiada no processo de criação divina.
D
Platão fala de unicidade do Demiurgo (divino ordenador do cosmos) e Aristóteles trata de um primeiro motor imóvel único, pensamento de si mesmo: com a Bíblia, tem-se apenas a ratificação de um monoteísmo já defendido pela Filosofia Antiga.

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Alternativa correta (INCORRETA no enunciado): D

Tema central: trata-se da relação entre a fé cristã e a filosofia grega — se são compatíveis ou não —, sobretudo nos pontos sobre a natureza de Deus, a origem do mundo e a posição do homem. Para responder, é preciso distinguir similaridades formais (unicidade, ordem) de diferenças substanciais (criação ex nihilo, personalidade divina, finalidade moral).

Por que a alternativa D é INCORRETA: ela afirma que a Bíblia apenas ratifica um monoteísmo já defendido pela Filosofia Antiga, citando Platão (Demiurgo) e Aristóteles (primeiro motor). Isso simplifica e confunde posições distintas. Platão, em Timaeus, descreve um Demiurgo que ordena uma matéria pré-existente — não cria ex nihilo. Aristóteles apresenta um Motor Imóvel impessoal, causa final e objeto de amor intelectual, não um Deus-pai pessoal que cria e se relaciona com as criaturas (Metafísica, Livro XII). A concepção cristã de Deus é pessoal e criador do nada (Gênesis; teologia cristã clássica: criação ex nihilo), diferença decisiva que impede dizer que a Bíblia só "ratificou" o monoteísmo filosófico.

Análise das demais alternativas (por que estão corretas):

A — Correta: a tradição grega (mitos e filosofias) admite princípios de unidade, mas também pluralidade de entes, forças e hierarquias; por isso faltava um monoteísmo estrito e pessoal como no judaísmo/cristianismo.

B — Correta: o cristianismo introduz a ideia de criação a partir do nada; isso rompe com o Demiurgo platônico (ordena matéria já existente) e com a ideia aristotélica de causas intermediárias.

C — Correta (com nuance): a filosofia grega é cosmocêntrica — o cosmos é referência última —; na fé cristã o homem é criatura privilegiada na ordem da criação e destinatário da revelação e da salvação (embora também caído e dependente da graça).

Dica de prova: ao ver termos como “apenas”, “somente” ou “apenas ratificação”, suspeite de simplificações. Procure diferenças ontológicas (criação ex nihilo vs ordenação de matéria), teleológicas e antropológicas. Palavras-chave aqui: Demiurgo, Motor Imóvel, criação, pessoalidade de Deus.

Fontes recomendadas: Platão, Timaeus; Aristóteles, Metafísica; Bíblia (Gênesis 1); Tomás de Aquino, Summa Theologica (sobre criação e relação com filosofia).

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