Questõesde UNEB 2014 sobre Português
Eis a fábrica. Entrei de novo, sem licença. Eu andava a
esmo, pelo meio do salão de trabalho, tropeçando nos matos
rasteiros. Eu só queria repor as peças em seus lugares,
ligar as máquinas, aquecer o forno e despertar a chaminé. O
menino de novo me observava, talvez curioso ante minha
empreitada. Eu perscrutava-lhe uma pergunta que ele não
alcançou formular. Eu, também funcionário, em certo depois,
minha função era a última de todas. Enfim, eu agora a exercia.
Ouvi que a fábrica apitava e me senti arrepiar inteiro. Estava
findo esse turno de trabalho. Então eu fui saindo.
— Esta fábrica está morta.
O menino disse isso e retomou sua bicicleta. Deu uma
última olhada, foi-se a guiar para longe, fazendo girar o tempo
presente. Era já o cair da tarde; e dentro de mim o apito da
fábrica chorava. Eu via de novo a fumaça formando nuvens e
provava o cheiro morno dos biscoitos. Continuei caminhando,
sem olhar para trás, os matos já não me incomodavam. Era
hora, e eu ia saindo pelo mesmo portão aberto, por onde as
minhas lágrimas passavam.
FONSECA, Aleilton. O sabor das nuvens. O desterro dos mortos:
contos. 3. ed. Itabuna: Via Litterarum, 2012. p. 51.
No conto O sabor das nuvens, que faz parte da obra “O desterro
dos mortos”, metaforiza-se a morte através da perda
Ao aproximar-se, Pedro Archanjo notou que Nilo Argolo
punha os braços atrás das costas para impedir qualquer
tentativa de aperto de mão. Um calor subiu-lhe ao rosto.
Com o desplante de quem examinasse bicho ou coisa,
atentamente o professor estudou a fisionomia e o porte do
funcionário; no rosto infenso refletiu-se indisfarçável surpresa
ao constatar o garbo e a limpeza nos trajes do mulato, o
perfeito decoro. De certos mestiços, o catedrático pensava e,
em determinados casos, até dizia: Este merecia ser branco,
o que o desgraça é o sangue africano.
— Foi você quem escreveu uma brochura intitulada A
vida...
—... popular da Bahia... — Archanjo superara a
humilhação inicial, dispunha-se ao diálogo. — Deixei um
exemplar para o senhor na secretaria.
— Diga senhor professor — corrigiu, áspero, o lente ilustre. — Senhor professor, não senhor apenas, não se esqueça. Conquistei o título em concurso, tenho direito a ele e o exijo.
Compreendeu?
— Sim, senhor professor — a voz distante e álgida, o único desejo de Pedro Archanjo era ir-se embora.
— Diga-me: as diversas anotações sobre costumes, festas tradicionais, cerimônias fetichistas, que você classifica de
obrigações, são realmente exatas?
— Sim, senhor professor.
— Sobre cucumbis, por exemplo. São verídicas?
— Sim, senhor professor.
— Não foram inventadas por você?
— Não, senhor professor.
— Li sua brochura e, tendo em conta quem a escreveu — novamente o examinou com olhos fulvos e hostis —, não lhe
nego certo mérito, limitado a algumas observações, bem entendido. Carece de qualquer seriedade científica e as conclusões
sobre mestiçagem são necessidades delirantes e perigosas. Mas nem por isso deixa de ser repositório de fatos dignos de
atenção. Vale leitura.
AMADO, Jorge. Tenda dos Milagres. 47. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 143-144.
A leitura do fragmento de “Tenda dos Milagres”, devidamente contextualizado na obra, permite afirmar:
Ao aproximar-se, Pedro Archanjo notou que Nilo Argolo punha os braços atrás das costas para impedir qualquer tentativa de aperto de mão. Um calor subiu-lhe ao rosto.
Com o desplante de quem examinasse bicho ou coisa, atentamente o professor estudou a fisionomia e o porte do funcionário; no rosto infenso refletiu-se indisfarçável surpresa ao constatar o garbo e a limpeza nos trajes do mulato, o perfeito decoro. De certos mestiços, o catedrático pensava e, em determinados casos, até dizia: Este merecia ser branco, o que o desgraça é o sangue africano.
— Foi você quem escreveu uma brochura intitulada A vida...
—... popular da Bahia... — Archanjo superara a humilhação inicial, dispunha-se ao diálogo. — Deixei um exemplar para o senhor na secretaria.
— Diga senhor professor — corrigiu, áspero, o lente ilustre. — Senhor professor, não senhor apenas, não se esqueça. Conquistei o título em concurso, tenho direito a ele e o exijo. Compreendeu?
— Sim, senhor professor — a voz distante e álgida, o único desejo de Pedro Archanjo era ir-se embora.
— Diga-me: as diversas anotações sobre costumes, festas tradicionais, cerimônias fetichistas, que você classifica de obrigações, são realmente exatas?
— Sim, senhor professor.
— Sobre cucumbis, por exemplo. São verídicas?
— Sim, senhor professor.
— Não foram inventadas por você?
— Não, senhor professor.
— Li sua brochura e, tendo em conta quem a escreveu — novamente o examinou com olhos fulvos e hostis —, não lhe nego certo mérito, limitado a algumas observações, bem entendido. Carece de qualquer seriedade científica e as conclusões sobre mestiçagem são necessidades delirantes e perigosas. Mas nem por isso deixa de ser repositório de fatos dignos de atenção. Vale leitura.
AMADO, Jorge. Tenda dos Milagres. 47. ed. Rio de Janeiro: Record, 2007. p. 143-144.
A leitura do fragmento de “Tenda dos Milagres”, devidamente contextualizado na obra, permite afirmar:
Voltou-se para os curiosos ainda a fitá-la, era aquela
gentinha do Tabuão, a ralé em cuja companhia Quincas se
comprazia. Que faziam ali? Não compreendiam que Quincas
Berro D’água terminara ao exalar o último suspiro? Que ele
fora apenas uma invenção do diabo? Um sonho mau, um
pesadelo? Novamente Joaquim Soares da Cunha voltaria e estaria um pouco entre os seus, no conforto de uma casa
honesta, reintegrado em sua respeitabilidade. Chegara a
hora do retorno e desta vez Quincas não poderia rir na cara
da filha e do genro, mandá-los plantar batatas, dar-lhes um
adeusinho irônico e sair assoviando. Estava estendido no
catre, sem movimentos. Quincas Berro D’água acabara.
Vanda levantou a cabeça, passeou um olhar vitorioso
pelos presentes, ordenou com aquela voz de Otacília:
— Desejam alguma coisa? Senão, podem ir saindo.
Dirigiu-se depois ao santeiro:
— O senhor podia fazer o favor de chamar um médico?
Para o atestado de óbito.
O santeiro aquiesceu com a cabeça, estava
impressionado. Os outros retiravam-se devagar. Vanda ficou
só com o cadáver. Quincas Berro D’água sorria e o dedo
grande do pé direito parecia crescer no buraco da meia.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro D’água. São
Paulo: Companhia da Letras, 2008. p. 25.
Contextualizado na obra, o fragmento em destaque permite
afirmar que Vanda
Voltou-se para os curiosos ainda a fitá-la, era aquela gentinha do Tabuão, a ralé em cuja companhia Quincas se comprazia. Que faziam ali? Não compreendiam que Quincas Berro D’água terminara ao exalar o último suspiro? Que ele fora apenas uma invenção do diabo? Um sonho mau, um pesadelo? Novamente Joaquim Soares da Cunha voltaria e estaria um pouco entre os seus, no conforto de uma casa honesta, reintegrado em sua respeitabilidade. Chegara a hora do retorno e desta vez Quincas não poderia rir na cara da filha e do genro, mandá-los plantar batatas, dar-lhes um adeusinho irônico e sair assoviando. Estava estendido no catre, sem movimentos. Quincas Berro D’água acabara.
Vanda levantou a cabeça, passeou um olhar vitorioso pelos presentes, ordenou com aquela voz de Otacília:
— Desejam alguma coisa? Senão, podem ir saindo. Dirigiu-se depois ao santeiro:
— O senhor podia fazer o favor de chamar um médico? Para o atestado de óbito.
O santeiro aquiesceu com a cabeça, estava impressionado. Os outros retiravam-se devagar. Vanda ficou só com o cadáver. Quincas Berro D’água sorria e o dedo grande do pé direito parecia crescer no buraco da meia.
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro D’água. São Paulo: Companhia da Letras, 2008. p. 25.
Contextualizado na obra, o fragmento em destaque permite afirmar que Vanda

A comparação entre os versos de Helena Parente e os de Cecília Meireles está sem respaldo textual na alternativa

A comparação entre os versos de Helena Parente e os de Cecília Meireles está sem respaldo textual na alternativa
Mamãe, quando ela disse a seus pais que ia se casar
comigo, eles se revoltaram:
Todo baiano é negro.
Todo baiano é pobre.
Todo baiano é veado.
Todo baiano acaba largando a mulher e os filhos para
voltar para a Bahia.
Mas nós nos casamos mesmo assim. Tivemos dois
filhos (um dia ainda lhe mando um retrato de seus netos).
Depois ela fugiu com Zé do Pistom e levou os meus
filhos.
Zé está me matando. Eles estão me matando. Devem
ser uma dúzia de homens, fardados e armados. Aqui, no
meio da rua. Na grande capital.
Dinheiro, dinheiro, dinheiro.
Cresce logo, menino, para você ir para São Paulo.
Aqui vivi e morri um pouco todos os dias.
No meio da fumaça, no meio do dinheiro.
Não sei se fico ou se volto.
Não sei se estou em São Paulo ou no Junco. — Levanta, corno.
Eles me mandam dançar um xaxado. Não posso, não
aguento, não suporto. Voltaram a me bater.
O homem na janela deve ter saído da janela. Apagou a
luz, desapareceu, foi dormir.
São Paulo é uma cidade deserta.
Outra pancada e esqueci de tudo.
TORRES, Antônio. Essa Terra. 21. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005.
p. 62-63.
Considerando-se a leitura global da obra “Essa Terra”, o
fragmento em destaque evidencia
É exemplo de linguagem conotativa o fragmento apresentado
na alternativa

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade.
Disponível em:
Sobre o texto, é correto afirmar:

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade.
Disponível em:
Entre as ideias desenvolvidas no último parágrafo do texto,
ocorre o que está devidamente identificado em

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade.
Disponível em:
No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, é correto
afirmar:

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade.
Disponível em:
De acordo com as ideias desenvolvidas pela articulista, é
correto afirmar que a cultura de massa


COUTINHO, Laerte. Tira. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014.
A leitura dos quadrinhos permite inferir que

COUTINHO, Laerte. Tira. Disponível em:
Sobre os aspectos linguísticos do texto, é correto afirmar:

A análise dos elementos presentes no fragmento retirado do
texto está correta na alternativa

O fragmento do texto que explicita a contra-argumentação de
um discurso já consolidado sobre as culturas de massa está
presente em
