Questõessobre Gêneros Textuais

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ENEM 2022 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

E.C.T.


            Tava com um cara que carimba postais

            E por descuido abriu uma carta que voltou

            Tomou um susto que lhe abriu a boca

            Esse recado veio pra mim, não pro senhor


            Recebo craque colante, dinheiro parco embrulhado

            Em papel carbono e barbante e até cabelo cortado

            Retrato de 3X4

            Pra batizado distante

            Mas, isso aqui, meu senhor, é uma carta de amor


            [...]

            Mas esse cara tem a língua solta

            A minha carta ele musicou

            [...]

            Ouvi no rádio a minha carta de amor


CARLINHOS BROWN; MARISA MONTE; NANDO REIS. Cássia Eller.

Rio de Janeiro: Polygram, 1994 (fragmento).



Considerando-se as características do gênero carta de amor, o conflito gerador do fato relatado na letra da canção deve-se à

A
adequação dos interlocutores à situação de comunicação na carta e na letra da canção.
B
apropriação das formas de expressão da carta pela letra da canção.
C
manutenção do propósito comunicativo da carta na letra da canção.
D
alteração da esfera de circulação específica do gênero carta.
E
transposição da temática do amor para a linguagem musical.
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ENEM 2022 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A invenção de Hugo Cabret


        O livro conta a jornada de Hugo Cabret, um menino órfão que mora em uma estação de trem parisiense, nos anos 1930. Seu trabalho é a manutenção do relógio da estação, porém a tarefa que lhe tem uma importância maior é completar a construção de um autômato — espécie de robô — deixado a ele pelo pai. Junto de sua mais nova amiga, Isabelle, sobrinha do amargo mercador de brinquedos, Hugo embarca em uma enorme aventura em busca de respostas para suas inúmeras perguntas.


        O que chama atenção antes mesmo do início da leitura é o visual do livro. Muito bonito, colorido e simbólico. Brian, além de escrever, ilustrou toda a sua obra. E são essas mesmas ilustrações que constroem o grande clímax ao redor da leitura. O autor simula a experiência do cinema em suas páginas, colocando, por exemplo, páginas pretas no início, representando a escuridão das salas de cinema. Os desenhos, que estão presentes na maioria das páginas, não são apenas ilustrações. São parte complementar da história, pois substituem as palavras em vários trechos.


        Leitura rápida, experimental e muito interessante — ainda mais se você é amante da história do cinema.


Disponível em: www.cantodosclassicos.com. Acesso em: 1 dez. 2017 (adaptado).



Nesse texto, os elementos constitutivos do gênero são utilizados para atender à função social de

A
explicar para o leitor os acontecimentos da narrativa.
B
informar o leitor sobre o conteúdo do livro de modo impessoal.
C
convencer o leitor sobre a tese defendida ao longo da descrição da obra.
D
oferecer ao leitor uma avaliação do livro por meio de uma síntese crítica.
E
divulgar para o leitor a obra cuja temática interessa a um grande público.
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ENEM 2022 - Português - Interpretação de Textos, Intertextualidade, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Espaço e memória


            O termo “Na minha casa...” é uma metáfora que guarda múltiplas acepções para o conjunto de pessoas, de adeptos, dos que creem nos orixás. Múltiplos deuses que a diáspora negra trouxe para o Brasil. Refere-se ao espaço onde as comunidades edificaram seus templos, referência de orgulho, aludindo ao patrimônio cultural de matriz africana, reelaborado em novo território.


            O espaço é fundamental na constituição da história de um povo. Halbwachs (1941, p. 85), ao afirmar que “não há memória coletiva que não se desenvolva em um quadro espacial”, aponta para a importância de aspecto tão significativo no desenvolvimento da vida social.


            Lugar para onde está voltada a memória, onde aqueles que viveram a condição-limite de escravo podiam pensar-se como seres humanos, exercer essa humanidade e encontrar os elementos que lhes conferiam e garantiam uma identidade religiosa diferenciada, com características próprias, que constituiu um “patrimônio simbólico do negro brasileiro (a memória cultural da África), afirmou-se aqui como território político-mítico-religioso para sua transmissão e preservação” (SODRÉ, 1988, p. 50).


BARROS, J. F. P. Na minha casa. Rio de Janeiro: Pallas, 2003.



Na construção desse texto acadêmico, o autor se vale de estratégia argumentativa bastante comum a esse gênero textual, a intertextualidade, cujas marcas são 

A
aspas, que representam o questionamento parcial de um ponto de vista.
B
citações de autores consagrados, que garantem a autoridade do argumento.
C
construções sintáticas, que privilegiam a coordenação temporal de argumentos.
D
comparações entre dois pontos de vista, que são antagônicos.
E
parênteses, que representam uma digressão para as considerações do autor.
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ENEM 2022 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Amor na escola


        Duas da madrugada. O casal que discute no andar de baixo está tentando aprender. Eles pensavam que era só vestir branco, caprichar na decoração e fazer os convites chegarem a tempo. Mas não. Na escola, até logaritmo nos foi ensinado. Decoramos a tabela periódica. Nos empurraram química orgânica. Mas nada nos foi dito sobre o amor.


GUERRA, C. Disponível em: http://vejabh.abril.com.br. Acesso em: 19 nov. 2014.



Qual é o recurso que identifica esse texto como uma crônica? 

A
A referência a um fato do cotidiano na vida de um casal.
B
A marcação do tempo em “Duas da madrugada”.
C
A descrição do espaço em “andar de baixo”.
D
A enumeração de conteúdos escolares.
E
A utilização dupla da conjunção “mas”.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Tipologia Textual, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A resenha é, normalmente, um texto de base argumentativa. Na resenha do filme Son of Saul, o trecho da sequência argumentativa que se constitui como opinião implícita é

Intenso e original, Son of Saul retrata horror do holocausto


        Centenas de filmes sobre o holocausto já foram produzidos em diversos países do mundo, mas nenhum é tão intenso como o húngaro Son of Saul, do estreante em longa-metragens László Nemes, vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes.

      Ao contrário da grande maioria das produções do gênero, que costuma oferecer uma variedade de informações didáticas e não raro cruza diferentes pontos de vista sobre o horror do campo de concentração, o filme acompanha apenas um personagem.

        Ele é Saul (Géza Röhrig), um dos encarregados de conduzir as execuções de judeus como ele que, por um dia e meio, luta obsessivamente para que um menino já morto — que pode ou não ser seu filho — tenha um enterro digno e não seja simplesmente incinerado.

      O acompanhamento da jornada desse prisioneiro é no sentido mais literal que o cinema pode proporcionar: a câmera está o tempo todo com o personagem, seja por sobre seus ombros, seja com um close em primeiro plano ou em sua visão subjetiva. O que se passa ao seu redor é secundário, muitas vezes desfocado.

       Saul percorre diferentes divisões de Auschwitz à procura de um rabino que possa conduzir o enterro da  criança, e por isso pouco se envolve nos planos de fuga que os companheiros tramam e, quando o faz, geralmente atrapalha. “Você abandonou os vivos para cuidar de um morto”, acusa um deles.

    Ver toda essa via crucis é por vezes duro e exige certa entrega do espectador, mas certamente é daquelas experiências cinematográficas que permanecem na cabeça por muito tempo.

        O longa já está sendo apontado como o grande favorito ao Oscar de filme estrangeiro. Se levar a estatueta, certamente não faltará quem diga que a Academia tem uma preferência por quem aborda a 2ª Guerra. Por mais que exista uma dose de verdade na afirmação, premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes.


Carta Capital, n. 873, 22 out. 2015.
A
“[…] do estreante em longa-metragens László Nemes, vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes”. 
B
“Ele é Saul (Géza Röhrig), um dos encarregados de conduzir as execuções de judeus […]”.
C
“[…] a câmera está o tempo todo com o personagem, seja por sobre seus ombros, seja com um close […]”.
D
“Saul percorre diferentes divisões de Auschwitz à procura de um rabino que possa conduzir o enterro da criança […]”.
E
“[…] premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes”.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Qual estratégia caracteriza o texto como uma notícia alarmante?

    Um asteroide de cerca de um mil metros de diâmetro, viajando a 288 mil quilômetros por hora, passou a uma distância insignificante — em termos cósmicos — da Terra, pouco mais do dobro da distância que nos separa da Lua. Segundo os cálculos matemáticos, o asteroide cruzou a órbita da Terra e somente não colidiu porque ela não estava naquele ponto de interseção. Se ele tivesse sido capturado pelo campo gravitacional do nosso planeta e colidido, o impacto equivaleria a 40 bilhões de toneladas de TNT, ou o equivalente à explosão de 40 mil bombas de hidrogênio, conforme calcularam os computadores operados pelos astrônomos do programa de Exploração do Sistema Solar da Nasa; se caísse no continente, abriria uma cratera de cinco quilômetros, no mínimo, e destruiria tudo o que houvesse num raio de milhares de outros; se desabasse no oceano, provocaria maremotos que devastariam imensas regiões costeiras. Enfim, uma visão do Apocalipse.


Disponível em: http://bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr. 2010.
A
A descrição da velocidade do asteroide.
B
A recorrência de formulações hipotéticas.
C
A referência à opinião dos astrônomos.
D
A utilização da locução adverbial “no mínimo”.
E
A comparação com a distância da Lua à Terra.
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UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais

O texto 1 é classificado como 

Texto 1

Disponível em https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2021/08/21/

o-medo-do-silencio-e-o-vicio-da-informacao-desenfreada.htm.

Acesso em 01 de setembro de 2021. 

A
relato de diário, porque documenta memórias ou vivências de um indivíduo ou até de um grupo.
B
artigo de opinião, porque o autor apresenta seu ponto de vista sobre determinado tema.
C
poema, porque a linguagem é explorada em suas mais variadas dimensões, dos seus aspectos sonoros aos visuais. 
D
conto, porque se configura em uma narrativa que apresenta um universo de seres, de fantasia ou acontecimentos. 
c706988c-74
CEDERJ 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Eliane Brum, jornalista e escritora, fez uma série de crônicas-reportagens sobre personagens das ruas de Porto Alegre. Mais tarde, os textos foram publicados em livro que recebeu o prêmio Jabuti de 2007: A vida que ninguém vê.

O texto 1 é fragmento de uma dessas crônicas-reportagens e pode ser considerado literário porque

A
está escrito em prosa: “O mundo é salvo todos os dias por pequenos gestos. Diminutos, invisíveis.” (linhas 1-2) 
B
apresenta recursos poéticos, como metáforas inovadoras: “...uns olhos de vira-lata pidão...” (linhas 28-29) e “um escombro”. (linha 37)
C
revela-se totalmente ficcional: “Esta é a história do olhar de uma professora chamada Eliane Vanti e de um andarilho chamado Israel Pires.” (linhas 11-13)
D
predomina nele a função conativa da linguagem: “Eliane viu Israel. E Israel se viu refletido no olhar de Eliane.” (linhas 31-32)
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

    No ano em que o maior clarinetista que o Brasil conheceu, Abel Ferreira, faria 100 anos, o choro dá mostras de vivacidade. É quase um paradoxo que essa riquíssima manifestação da genuína alma brasileira seja forte o suficiente para driblar a falta de incentivos oficiais, a insensibilidade dos meios de comunicação e a amnésia generalizada. “Ele trazia a alma brasileira derramada em sua sonoridade ímpar. Artur da Távola, seguramente seu maior admirador, foi quem melhor o definiu, ‘alma sertaneja, toque mozarteano’”. O acervo do músico autodidata nascido na mineira Coromandel, autor de 50 músicas, entre as quais Chorando baixinho (1942), que o consagrou, amigo e parceiro de Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo (1958), permanece com os herdeiros à espera de compilação adequada. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro tem a guarda do sax e do clarinete, doados em 1995.

    Na avaliação de Leonor Bianchi, editora da Revista do Choro, “a música instrumental fica apartada do que é popular porque não vai à sala de concerto. O público em geral tem interesse em samba, pagode e axé”. Ela atribui essa situação à falta de conhecimento e à pouca divulgação do gênero nas escolas.

FERRAZ, A. Disponível em: www.cartacapital.com.br.
Acesso em: 22 abr. 2015 (adaptado).

Considerando-se o contexto, o gênero e o público-alvo, os argumentos trazidos pela autora do texto buscam

A
atribuir o desconhecimento da obra de Abel Ferreira ao ensino de música nas escolas.
B
reivindicar mais investimentos estatais para a preservação do acervo musical nacional.
C
destacar a relevância histórica e a riqueza estética do choro no cenário musical brasileiro.
D
apresentar ao leitor dados biográficos pouco conhecidos sobre a trajetória de Abel Ferreira.
E
constatar a impopularidade do choro diante da preferência do público por músicas populares.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Devagar, devagarinho


    Desacelerar é preciso. Acelerar não é preciso. Afobados e voltados para o próprio umbigo, operamos, automatizados, falas robóticas e silêncios glaciais. Ilustra bem esse estado de espírito a música Sinal fechado (1969), de Paulinho da Viola. Trata-se da história de dois sujeitos que se encontram inesperadamente em um sinal de trânsito. A conversa entre ambos, porém, se deu rápida e rasteira. Logo, os personagens se despedem, com a promessa de se verem em outra oportunidade. Percebe-se um registro de comunicação vazia e superficial, cuja tônica foi o contato ligeiro e superficial construído pelos interlocutores: “Olá, como  vai? / Eu vou indo, e você, tudo bem? / Tudo bem, eu vou indo correndo, / pegar meu lugar no futuro. E você? / Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono / tranquilo, quem sabe? / Quanto tempo... / Pois é, quanto tempo... / Me perdoe a pressa / é a alma dos nossos negócios... / Oh! Não tem de quê. / Eu também só ando a cem”.


    O culto à velocidade, no contexto apresentado, se coloca como fruto de um imediatismo processual que celebra o alcance dos fins sem dimensionar a qualidade dos meios necessários para atingir determinado propósito. Tal conjuntura favorece a lei do menor esforço — a comodidade — e prejudica a lei do maior esforço — a dignidade.


    Como modelo alternativo à cultura fast, temos o movimento slow life, cujo propósito, resumidamente, é conscientizar as pessoas de que a pressa é inimiga da perfeição e do prazer, buscando assim reeducar seus sentidos para desfrutar melhor os sabores da vida.


SILVA, M. F. L. Boletim UFMG, n. 1 749, set. 2011 (adaptado).


Nesse artigo de opinião, a apresentação da letra da canção Sinal fechado é uma estratégia argumentativa que visa sensibilizar o leitor porque

A
adverte sobre os riscos que o ritmo acelerado da vida oferece.
B
exemplifica o fato criticado no texto com uma situação concreta.
C
contrapõe situações de aceleração e de serenidade na vida das pessoas.
D
questiona o clichê sobre a rapidez e a aceleração da vida moderna.
E
apresenta soluções para a cultura da correria que as pessoas vivenciam hoje.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

    Um asteroide de cerca de um mil metros de diâmetro, viajando a 288 mil quilômetros por hora, passou a uma distância insignificante — em termos cósmicos — da Terra, pouco mais do dobro da distância que nos separa da Lua. Segundo os cálculos matemáticos, o asteroide cruzou a órbita da Terra e somente não colidiu porque ela não estava naquele ponto de interseção. Se ele tivesse sido capturado pelo campo gravitacional do nosso planeta e colidido, o impacto equivaleria a 40 bilhões de toneladas de TNT, ou o equivalente à explosão de 40 mil bombas de hidrogênio, conforme calcularam os computadores operados pelos astrônomos do programa de Exploração do Sistema Solar da Nasa; se caísse no continente, abriria uma cratera de cinco quilômetros, no mínimo, e destruiria tudo o que houvesse num raio de milhares de outros; se desabasse no oceano, provocaria maremotos que devastariam imensas regiões costeiras. Enfim, uma visão do Apocalipse.

Disponível em: http://bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr. 2010.

Qual estratégia caracteriza o texto como uma notícia alarmante?

A
A descrição da velocidade do asteroide.
B
A recorrência de formulações hipotéticas.
C
A referência à opinião dos astrônomos.
D
A utilização da locução adverbial “no mínimo”.
E
A comparação com a distância da Lua à Terra.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Intenso e original, Son ofSaul retrata horror
do holocausto

    Centenas de filmes sobre o holocausto já foram produzidos em diversos países do mundo, mas nenhum é tão intenso como o húngaro Son of Saul, do estreante em longa-metragens László Nemes, vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes.

    Ao contrário da grande maioria das produções do gênero, que costuma oferecer uma variedade de informações didáticas e não raro cruza diferentes pontos de vista sobre o horror do campo de concentração, o filme acompanha apenas um personagem.

    Ele é Saul (Géza Rõhrig), um dos encarregados de conduzir as execuções de judeus como ele que, por um dia e meio, luta obsessivamente para que um menino já morto — que pode ou não ser seu filho — tenha um enterro digno e não seja simplesmente incinerado.

    O acompanhamento da jornada desse prisioneiro é no sentido mais literal que o cinema pode proporcionar: a câmera está o tempo todo com o personagem, seja por sobre seus ombros, seja com um close em primeiro plano ou em sua visão subjetiva. O que se passa ao seu redor é secundário, muitas vezes desfocado.

    Saul percorre diferentes divisões de Auschwitz à procura de um rabino que possa conduzir o enterro da criança, e por isso pouco se envolve nos planos de fuga que os companheiros tramam e, quando o faz, geralmente atrapalha. “Você abandonou os vivos para cuidar de um morto”, acusa um deles.

    Ver toda essa via crucis é por vezes duro e exige certa entrega do espectador, mas certamente é daquelas experiências cinematográficas que permanecem na cabeça por muito tempo.

    O longa já está sendo apontado como o grande favorito ao Oscar de filme estrangeiro. 8e levar a estatueta, certamente não faltará quem diga que a Academia tem uma preferência por quem aborda a 2ª Guerra. Por mais que exista uma dose de verdade na afirmação, premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes.

Carta Capital, n. 873, 22 out. 2015.

A resenha é, normalmente, um texto de base argumentativa. Na resenha do filme Son ofSaul, o trecho da sequência argumentativa que se constitui como opinião implícita é

A
“[...] do estreante em longa-metragens László Nemes, vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes”.
B
“Ele é Saul (Géza Röhrig), um dos encarregados de conduzir as execuções de judeus [...]”.
C
“[...] a câmera está o tempo todo com o personagem, seja por sobre seus ombros, seja com um close [...]".

D
“Saul percorre diferentes divisões de Auschwitz à procura de um rabino que possa conduzir o enterro da criança [...]".

E
“[...] premiar uma abordagem tão ousada e radical como Son of Saul não deixaria de ser um passo à frente dos votantes”.
ff891c48-58
UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais

O texto caracteriza-se como gênero textual

A
crônica, porque narra a história de mulheres nas Olimpíadas de Tóquio.
B
artigo de opinião, porque apresenta dados e argumentos para convencer o leitor.
C
editorial, porque expressa a opinião em nome de um coletivo.
D
resenha, porque apresenta comentário a partir de uma obra.
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UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais

O gênero textual “notícia”, pertencente à esfera jornalística, tem como objetivo divulgar temas da atualidade. Na notícia acima, retirada de uma revista de cunho científico, a linguagem utilizada

A
promove a comunicação do conhecimento para o maior número de leitores a partir de fontes comprovadas.
B
emprega termos avaliativos para ampliar a dimensão informativa do gênero notícia buscando a adesão do leitor.
C
utiliza verbos dicendi para isentar o enunciador de revelar o seu ponto de vista, embora apresente parcialidade. 
D
apresenta um relato em terceira pessoa para sustentar a credibilidade da informação.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Considerando-se o contexto, o gênero e o público-alvo, os argumentos trazidos pela autora do texto buscam

    No ano em que o maior clarinetista que o Brasil conheceu, Abel Ferreira, faria 100 anos, o choro dá mostras de vivacidade. É quase um paradoxo que essa riquíssima manifestação da genuína alma brasileira seja forte o suficiente para driblar a falta de incentivos oficiais, a insensibilidade dos meios de comunicação e a amnésia generalizada. “Ele trazia a alma brasileira derramada em sua sonoridade ímpar. Artur da Távola, seguramente seu maior admirador, foi quem melhor o definiu, ‘alma sertaneja, toque mozarteano’”. O acervo do músico autodidata nascido na mineira Coromandel, autor de 50 músicas, entre as quais Chorando baixinho (1942), que o consagrou, amigo e parceiro de Pixinguinha, com quem gravou Ingênuo (1958), permanece com os herdeiros à espera de compilação adequada. O Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro tem a guarda do sax e do clarinete, doados em 1995. Na avaliação de Leonor Bianchi, editora da Revista do Choro, “a música instrumental fica apartada do que é popular porque não vai à sala de concerto. O público em geral tem interesse em samba, pagode e axé”. Ela atribui essa situação à falta de conhecimento e à pouca divulgação do gênero nas escolas.

FERRAZ, A. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 22 abr. 2015 (adaptado).
A
atribuir o desconhecimento da obra de Abel Ferreira ao ensino de música nas escolas.
B
reivindicar mais investimentos estatais para a preservação do acervo musical nacional.
C
destacar a relevância histórica e a riqueza estética do choro no cenário musical brasileiro.
D
apresentar ao leitor dados biográficos pouco conhecidos sobre a trajetória de Abel Ferreira.
E
constatar a impopularidade do choro diante da preferência do público por músicas populares.
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ENEM 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

O conto de Machado de Assis faz uma referência velada ao maxixe, gênero musical inicialmente associado à escravidão e à mestiçagem. No Texto II, o conflito do personagem em compor obras do gênero é representativo da 

TEXTO I

    Correu à sala dos retratos, abriu o piano, sentou-se e espalmou as mãos no teclado. Começou a tocar alguma coisa própria, uma inspiração real e pronta, uma polca, uma polca buliçosa, como dizem os anúncios. Nenhuma repulsa da parte do compositor; os dedos iam arrancando as notas, ligando-as, meneando-as; dir-se-ia que a musa compunha e bailava a um tempo. […] Compunha só, teclando ou escrevendo, sem os vãos esforços da véspera, sem exasperação, sem nada pedir ao céu, sem interrogar os olhos de Mozart. Nenhum tédio. Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte perene.

ASSIS, M. Um homem célebre. Disponível em: www.biblio.com.br. Acesso em: 2 jun. 2019.


TEXTO II

    Um homem célebre expõe o suplício do músico popular que busca atingir a sublimidade da obra-prima clássica, e com ela a galeria dos imortais, mas que é traído por uma disposição interior incontrolável que o empurra implacavelmente na direção oposta. Pestana, célebre nos saraus, salões, bailes e ruas do Rio de Janeiro por suas composições irresistivelmente dançantes, esconde-se dos rumores à sua volta num quarto povoado de ícones da grande música europeia, mergulha nas sonatas do classicismo vienense, prepara-se para o supremo salto criativo e, quando dá por si, é o autor de mais uma inelutável e saltitante polca.

WISNIK, J. M. Machado maxixe: o caso Pestana. Teresa: revista de literatura brasileira, 2004 (adaptado).
A
pouca complexidade musical das composições ajustadas ao gosto do grande público.
B
prevalência de referências musicais africanas no imaginário da população brasileira.
C
incipiente atribuição de prestígio social a músicas instrumentais feitas para a dança.
D
tensa relação entre o erudito e o popular na constituição da música brasileira.
E
importância atribuída à música clássica na sociedade brasileira do século XIX.
af9856d3-0a
UECE 2021 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais

Quanto ao gênero textual, o texto 1 é classificado como

 

A
artigo de opinião, porque nele há a defesa de um ponto de vista, de alguém ou de um grupo, por meio de argumentos.
B
crônica, porque nele há a narrativa de um acontecimento corriqueiro do cotidiano com personagens e um enredo.
C
notícia, porque nele há informações sobre acontecimentos e demonstra imparcialidade dos fatos.
D
relato, porque nele há uma narrativa de alguém discorrendo sobre a discriminação racial.
662accf6-05
FGV 2020 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

A função do texto, considerado o gênero a que pertence, é sobretudo

Leia a fábula "O gato e a barata", de Millôr Fernandes, para responder à questão.

     A baratinha velha subiu pelo pé do copo que, ainda com um pouco de vinho, tinha sido largado a um canto da cozinha, desceu pela parte de dentro e começou a lambiscar o vinho. Dada a pequena distância que nas baratas vai da boca ao cérebro, o álcool lhe subiu logo a este. Bêbada, a baratinha caiu dentro do copo. Debateu-se, bebeu mais vinho, ficou mais tonta, debateu-se mais, bebeu mais, tonteou mais e já quase morria quando deparou com o carão do gato doméstico que sorria de sua aflição, do alto do copo.
     – Gatinho, meu gatinho –, pediu ela – me salva, me salva. Me salva que assim que eu sair daqui eu deixo você me engolir inteirinha, como você gosta. Me salva.
     – Você deixa mesmo eu engolir você? – disse o gato.
     – Me saaaalva! – implorou a baratinha. – Eu prometo. 
    O gato então virou o copo com uma pata, o líquido escorreu e com ele a baratinha que, assim que se viu no chão, saiu correndo para o buraco mais perto, onde caiu na gargalhada. 
     – Que é isso? – perguntou o gato. – Você não vai sair daí e cumprir sua promessa? Você disse que deixaria eu comer você inteira.
     – Ah, ah, ah – riu então a barata, sem poder se conter. – E você é tão imbecil a ponto de acreditar na promessa de uma barata velha e bêbada?
    Moral: Às vezes a autodepreciação nos livra do pelotão.

(Diana Luz Pessoa de Barros. Teoria semiótica do texto, 2005.)
A
fazer uma crítica política.
B
transmitir um ensinamento.
C
satirizar comportamentos humanos.
D
humanizar os animais.
E
divertir o leitor.
b1cb0eda-05
CESMAC 2018 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Tipologia Textual

A compreensão consistente do Texto exige que o identifiquemos, em suas particularidades de composição, como sendo do tipo:

A geografia linguística no Brasil


       É por meio da língua que o homem expressa suas ideias, as ideias de sua geração, as ideias da comunidade a que pertence, as ideias de seu tempo. A todo instante, utiliza-a de acordo com uma tradição que lhe foi transmitida, e contribui para sua renovação e constante transformação. Cada falante é, a um tempo, usuário e agente modificador de sua língua, nela imprimindo marcas geradas pelas novas situações com que se depara.

      Nesse sentido, pode-se afirmar que, na língua, se projeta a cultura de um povo, compreendendo-se cultura no seu sentido mais amplo, aquele que abarca “o conjunto dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade”, segundo o novo Aurélio. (...)

     Ao falar, um indivíduo transmite, além da mensagem contida em seu discurso, uma série de dados que permite a um interlocutor atento não só depreender seu estilo pessoal, mas também filiá-lo a um determinado grupo.

    A entonação, a pronúncia, a escolha vocabular, a preferência por determinadas construções frasais, os mecanismos morfológicos que são peculiares a determinado usuário podem servir de índices que identifiquem: a) o país ou a região de que se origina; b) o grupo social de que faz parte (seu grau de instrução, sua faixa etária, seu nível socioeconômico, sua atividade profissional); c) a situação (formal) ou (informal) em que se encontra. (...)

      O Brasil, em decorrência do processo de povoamento e colonização a que foi submetido bem como das condições em que se deu sua independência política e seu posterior desenvolvimento, apresenta grandes contrastes regionais e sociais, estes últimos perceptíveis mesmo em grandes centros urbanos, em cuja periferia se concentram comunidades mantidas à margem do progresso.

    Um retrato fiel, atual, de nosso país teria de colocar lado a lado: executivos de grandes empresas; técnicos que manipulam, com desenvoltura, o computador; operários de pequenas, médias e grandes indústrias; vaqueiros isolados em latifúndios; cortadores de cana; pescadores artesanais; plantadores de mandioca em humildes roças; viajantes que comerciam pelo sertão; indígenas aculturados. (...)

     Detentores de antigos costumes portugueses aqui reelaborados pelo contato com outra terra e outras gentes ou, já em acelerado processo de mestiçagem étnica e linguística, esquecidos das origens, esses homens e mulheres guardam, na sua forma de expressão oral, as marcas de nossa identidade linguístico-cultural e a resposta a muitas indagações e a diversas hipóteses sobre a história e o estado atual do português do Brasil.


(Sílvia F. Brandão. A geografia linguística no Brasil. São Paulo: Ática, 1991. p.5-17. Adaptado)

A
descritivo subjetivo e do gênero advertência.
B
narrativo e do gênero declaração pessoal.
C
expositivo e do gênero explanação acadêmica.
D
dissertativo e do gênero asseveração política.
E
injuntivo e do gênero aviso de esclarecimento.
d548a79a-05
UFRGS 2016 - Português - Interpretação de Textos, Gêneros Textuais, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Leia a crônica O apagar da velha chama, de Luis Fernando Verissimo.


Eu, você, nós dois, um cantinho, um violão... Da janela, mesmo em Porto Alegre, via-se o Corcovado, o Redentor (que lindo!) e um barquinho a deslizar no macio azul do mar. Tinha-se, geralmente, de vinte anos para menos quando, em 1958, chegou a Elizete com abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim e João Gilberto com o amor, o sorriso, a flor e aquela batida diferente, mas que era bossa-nova e era muito natural, mesmo que você não pudesse acompanhar e ficasse numa nota só, porque no peito dos desafinados também batia um coração, lembra? Na vida, uma nova canção, um doce balanço. Era carioca, era carioca, certo, mas a juventude que aquela brisa trazia também trazia pra cá e daqui se via a mesma luz, o mesmo céu, o mesmo mar, milhões de festas ao luar, e sempre se podia pegar um Electra e mandar descer no Beco das Garrafas, olha que coisa mais linda. Queríamos a vida sempre assim, si, dó, ré, mi, fá, sol, muito sol, e lá. Mas era preciso ficar e trabalhar, envelhecer, acabar com esse negócio de Rio, céu tão azul, ilhas do sul, muita calma pra pensar e ter tempo pra sonhar, onde já se viu? Até um dia, até talvez, até quem sabe. O amor, o sorriso e a flor se transformavam depressa demais. Quem no coração abrigou a tristeza de ver tudo isso se perder, para não falar nos seus vinte anos, nos seus desenganos e no seu violão, nem pode dizer ó brisa fica, porque nem mais se entende, nem mais pretende seguir fingindo e seguir seguindo. A realidade é que sem ela não há paz, não há beleza, é só a melancolia que não sai de mim, não sai de mim, não sai. E dê-lhe rock.


Sobre a crônica, considere as seguintes afirmações.


I - O autor, partindo de sua experiência pessoal, como é próprio da crônica, recupera o momento histórico de uma geração, através da música brasileira.

II - O autor constrói a crônica a partir de diversas letras de músicas, mostrando como elas fazem parte de sua vivência de juventude.

III- A melancolia, ao final da crônica, está ligada ao envelhecimento e à percepção de que aquele momento não volta mais.


Quais estão corretas?

A
Apenas I.
B
Apenas III.
C
Apenas I e II.
D
Apenas II e III.
E
I, II e III.