Martin Heidegger (1889-1976) afirmou: “ser homem já significa filosofar”. Sua tese é a seguinte: o
homem se caracteriza pela distinção entre o “é” e as características de qualquer coisa, ou seja, de qualquer
ente; com isso, no encontro cotidiano com os entes, antecipadamente (antes de encontrá-los e conhecê-los)
sabemos (a) que eles são e (b) que eles não são o “ser”, que são diferentes de sua “existência”. Eis por que
todos podemos, a qualquer instante, nos lançar às perguntas pelo ser dos entes e pelo sentido do ser em geral,
ou seja, às perguntas filosóficas. Independente de filosofarmos expressamente, as questões e a força para a
investigação, portanto, estariam na raiz mesma de nosso ser, e precedem todo conhecimento e pensamento
aplicado.
De modo análogo, a primeira frase da Metafísica de Aristóteles afirma: “Todos os seres humanos tendem
essencialmente ao Saber”. Essa tendência essencial significa que uma propensão para o Saber está presente,
ainda que inexplorada, em todos os seres humanos. Como Aristóteles escolheu, para o Saber, uma palavra
grega que se assemelha ao “Ver” imediato (eidénai), pode-se compreender que se trata tanto do
conhecimento em geral quanto (e principalmente) do Saber metafísico, sobre o princípio essencial ou
estrutura metafísica da realidade. Em suma, Aristóteles já estaria dizendo que ser homem significa filosofar.
Com base no que foi dito, marque a alternativa CORRETA.
Martin Heidegger (1889-1976) afirmou: “ser homem já significa filosofar”. Sua tese é a seguinte: o homem se caracteriza pela distinção entre o “é” e as características de qualquer coisa, ou seja, de qualquer ente; com isso, no encontro cotidiano com os entes, antecipadamente (antes de encontrá-los e conhecê-los) sabemos (a) que eles são e (b) que eles não são o “ser”, que são diferentes de sua “existência”. Eis por que todos podemos, a qualquer instante, nos lançar às perguntas pelo ser dos entes e pelo sentido do ser em geral, ou seja, às perguntas filosóficas. Independente de filosofarmos expressamente, as questões e a força para a investigação, portanto, estariam na raiz mesma de nosso ser, e precedem todo conhecimento e pensamento aplicado.
De modo análogo, a primeira frase da Metafísica de Aristóteles afirma: “Todos os seres humanos tendem essencialmente ao Saber”. Essa tendência essencial significa que uma propensão para o Saber está presente, ainda que inexplorada, em todos os seres humanos. Como Aristóteles escolheu, para o Saber, uma palavra grega que se assemelha ao “Ver” imediato (eidénai), pode-se compreender que se trata tanto do conhecimento em geral quanto (e principalmente) do Saber metafísico, sobre o princípio essencial ou estrutura metafísica da realidade. Em suma, Aristóteles já estaria dizendo que ser homem significa filosofar.
Com base no que foi dito, marque a alternativa CORRETA.
Gabarito comentado
Alternativa correta: C
Tema central: a questão trata do caráter humano diante do «ser» e dos «entes» — isto é, por que e como o ser humano pode e tende a fazer perguntas filosóficas. Para resolvê‑la é preciso conhecer, basicamente, a leitura aristotélica (tendência natural ao saber) e a heideggeriana (a distinção ente/ser como condição do pensar).
Resumo teórico sucinto: Aristóteles afirma em Metafísica (Livro I) que “todo homem por natureza deseja saber”: há uma propensão ao saber presente em todo ser humano. Heidegger, em obras como Ser e Tempo e em textos sobre metafísica, mostra que perceber a diferença entre o ente (o que existe) e o ser (a condição do existir) abre a possibilidade de questionamento sobre o sentido do ser — logo, a origem da atitude filosófica.
Por que a alternativa C é correta: C diz que, segundo Heidegger, a distinção entre ente e ser torna possível o pensamento. Isso sintetiza corretamente sua tese: reconhecer que os entes não são o próprio ser e que há um problema do ser permite o questionamento metafísico — ou seja, possibilita o pensamento filosófico. (Fontes: Aristóteles, Metafísica; Martin Heidegger, Ser e Tempo / ensaios sobre metafísica.)
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. Não há “contradição total” entre gregos e contemporâneos: ambos podem concordar em aspectos essenciais (p.ex. tendência ao saber/capacidade de questionar). A afirmação exagera e generaliza indevidamente.
B — Incorreta. A atenção à formulação e ao sentido dos termos filosóficos é central: filosofar exige precisão conceitual. Ignorar isso é erro metodológico.
D — Incorreta. A referência a “ficar preso ao sentido da visão, nas sombras” pertence à alegoria platônica da caverna (Platão), não à afirmação aristotélica sobre tendência ao saber.
E — Incorreta. Aristóteles e Heidegger dizem que há uma tendência ou possibilidade humana de filosofar, não que filosofar expressamente seja um destino inevitável e homogeneamente cumprido por todos. A diferença entre “possibilidade/tendência” e “destino/necessidade” é decisiva.
Dica de prova: procure palavras-chave (tendência, possibilidade, distinção ente/ser, inevitabilidade). Elimine alternativas que exagerem (“total”, “destino”) ou confundam autores (Plató vs Aristóteles).
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






