O ‘índio’ é qualquer membro de uma
comunidade indígena, reconhecido por esta como
tal. E ‘comunidade indígena’ é toda comunidade
fundada em relações de parentesco ou vizinhança
entre seus membros, que mantém laços histórico-culturais com as organizações sociais indígenas pré-colombianas”.
CASTRO, Eduardo Viveiros de. “No Brasil, todo mundo é
índio, exceto quem não é”. In: Povos Indígenas no Brasil,
20 de janeiro de 2016.
Seguindo esta definição do antropólogo Eduardo
Viveiros de Castro, é correto concluir que, no Brasil,
Gabarito comentado
Resposta correta: Alternativa B
Tema central: identidade indígena e critérios de reconhecimento. A questão exige compreender que, segundo Viveiros de Castro, ser “índio” é uma categoria social e cultural definida pela própria comunidade (reconhecimento) e por laços histórico‑culturais, não por aparência física ou por posse/ausência de bens.
Resumo teórico: Identidade indígena é relacional e coletiva — envolve reconhecimento interno da comunidade, reprodução de práticas culturais e vínculos com organizações sociais pré‑colombianas. Esse entendimento está em consonância com a Constituição Federal de 1988 (art. 231), que reconhece povos indígenas em função de sua organização social, costumes, línguas e tradições, e com a literatura antropológica (p.ex. Eduardo Viveiros de Castro).
Justificativa da alternativa B: B afirma que as populações indígenas diferem da sociedade não‑índia por identificações culturais próprias e ligações com povos originários. Isso reflete exatamente a definição citada: o critério é cultural e relacional. Portanto, B é a conclusão correta e coerente com os fundamentos legais e antropológicos citados.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta. A afirma que as comunidades foram “praticamente dizimadas”. Embora haja processos históricos de violência e redução populacional, muitas comunidades indígenas sobrevivem e mantêm identidades coletivas; a alternativa exagera e contradiz a definição de reconhecimento comunitário.
C — incorreta. Afirma inevitabilidade da extinção cultural pela “cultura moderna”. Trata-se de uma visão determinista: contatos e aculturação ocorrem, mas não implicam extinção automática. A definição dada enfatiza continuidade de laços culturais, não um destino fatal.
D — incorreta. Diz que quem tem trabalho remunerado ou celular não pode ser indígena. Isso confunde identidade cultural com condições socioeconômicas; comunidades e indivíduos indígenas podem incorporar bens e atividades modernas sem perder sua condição indígena enquanto mantiverem reconhecimento comunitário e laços culturais.
Dica de prova: ao interpretar enunciados, busque palavras-chave (p.ex. “reconhecido por esta”, “laços histórico‑culturais”) e descarte alternativas absolutistas ou que transformam identidade em traço biológico ou apenas econômico.
Referências úteis: Constituição Federal (art. 231); Eduardo Viveiros de Castro (texto citado); Convenção 169 da OIT (reconhecimento de direitos de povos indígenas).
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