O sociólogo francês Serge Paugam, no fim do
século XX, desenvolveu um modelo sociológico de
análise sobre o que ele chamou de processo de
desqualificação social dos “novos pobres” que
surgiram na França com a crise do Estado de Bem-Estar Social. Para Paugam, a desqualificação social
passa por um processo de três fases: a fragilidade,
a dependência e a ruptura. Na fragilidade, os
indivíduos desempregados sobrevivem com uma
renda irregular ou com a insegurança financeira.
Com a continuidade dessa fragilização, entra-se na
dependência, que se caracteriza, no caso do Estado
francês, da entrada do indivíduo em programas de
proteção social. Na ruptura, os indivíduos acumulam
uma série de problemas como a falta de qualquer
tipo de auxílio, de trabalho, e enfrentam a ausência
de moradia e de saúde e, assim, ingressam na
marginalidade.
Tomando como referência esse modelo sociológico
sobre a desqualificação social, é correto dizer que
Gabarito comentado
Resposta correta: D
Tema central e relevância: A questão testa o conhecimento do modelo de desqualificação social de Serge Paugam — instrumento útil para compreender trajetórias de pobreza, riscos de exclusão e os efeitos das políticas públicas sobre diferentes grupos sociais.
Resumo teórico (claro e progressivo): Paugam distingue três fases da desqualificação social: fragilidade — perda de estabilidade econômica (emprego instável, renda irregular); dependência — inserção em programas de proteção social e relação institucional com o Estado; ruptura — acúmulo de carências (sem trabalho, sem auxílio, sem moradia), conduzindo à marginalidade. (Fonte: Serge Paugam, La disqualification sociale.)
Justificativa da alternativa D: A alternativa D afirma que desempregados podem ficar fragilizados e aumentar o número de trabalhadores informais/eventuais. Isto está alinhado ao conceito de fragilidade de Paugam: perda de vínculos laborais estáveis gera insegurança econômica, levando muitos a aceitar atividades informais e precárias — estágio inicial da desqualificação social. Por isso, D é adequada.
Análise das alternativas incorretas:
A — Incorreta. Identificar automaticamente beneficiários de programas como Bolsa Família como marginalizados confunde fases: o acesso a programas caracteriza dependência (relação com proteção social), não imediatamente ruptura/marginalidade. Programas de transferência tendem a preservar inclusão mínima.
B — Incorreta. Trabalhadores de aplicativos enfrentam precariedade e instabilidade (aproximam-se da fragilidade), mas não correspondem necessariamente à dependência no sentido paugamiano, que remete à entrada em programas de proteção social.
C — Incorreta. Indivíduos em situação de rua, pedintes e usuários de drogas representam estágio avançado de exclusão — ruptura/marginalidade — não a fragilidade inicial.
Estratégia para provas: associe palavras-chave do enunciado às definições teóricas (ex.: "entrada em programas" → dependência; "perda de trabalho e moradia" → ruptura). Desconfie de generalizações absolutas (por exemplo, assumir que todo beneficiário é marginalizado).
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