Questão e917249d-0a
Prova:UECE 2021
Disciplina:Sociologia
Assunto:

O sociólogo francês Serge Paugam, no fim do século XX, desenvolveu um modelo sociológico de análise sobre o que ele chamou de processo de desqualificação social dos “novos pobres” que surgiram na França com a crise do Estado de Bem-Estar Social. Para Paugam, a desqualificação social passa por um processo de três fases: a fragilidade, a dependência e a ruptura. Na fragilidade, os indivíduos desempregados sobrevivem com uma renda irregular ou com a insegurança financeira. Com a continuidade dessa fragilização, entra-se na dependência, que se caracteriza, no caso do Estado francês, da entrada do indivíduo em programas de proteção social. Na ruptura, os indivíduos acumulam uma série de problemas como a falta de qualquer tipo de auxílio, de trabalho, e enfrentam a ausência de moradia e de saúde e, assim, ingressam na marginalidade.

Tomando como referência esse modelo sociológico sobre a desqualificação social, é correto dizer que

A
os beneficiários de programas brasileiros como o Bolsa Família e o de assistência previdenciária são marginalizados.
B
os trabalhadores ligados a aplicativos como Uber e Ifood devem ser caracterizados como dependentes.
C
os indivíduos em situação de rua, os pedintes e usuários de droga são considerados pessoas frágeis.
D
os desempregados podem ficar fragilizados e aumentar a quantidade de trabalhadores informais e/ou eventuais.

Gabarito comentado

V
Vitor CarvalhoMonitor do Qconcursos

Resposta correta: D

Tema central e relevância: A questão testa o conhecimento do modelo de desqualificação social de Serge Paugam — instrumento útil para compreender trajetórias de pobreza, riscos de exclusão e os efeitos das políticas públicas sobre diferentes grupos sociais.

Resumo teórico (claro e progressivo): Paugam distingue três fases da desqualificação social: fragilidade — perda de estabilidade econômica (emprego instável, renda irregular); dependência — inserção em programas de proteção social e relação institucional com o Estado; ruptura — acúmulo de carências (sem trabalho, sem auxílio, sem moradia), conduzindo à marginalidade. (Fonte: Serge Paugam, La disqualification sociale.)

Justificativa da alternativa D: A alternativa D afirma que desempregados podem ficar fragilizados e aumentar o número de trabalhadores informais/eventuais. Isto está alinhado ao conceito de fragilidade de Paugam: perda de vínculos laborais estáveis gera insegurança econômica, levando muitos a aceitar atividades informais e precárias — estágio inicial da desqualificação social. Por isso, D é adequada.

Análise das alternativas incorretas:

A — Incorreta. Identificar automaticamente beneficiários de programas como Bolsa Família como marginalizados confunde fases: o acesso a programas caracteriza dependência (relação com proteção social), não imediatamente ruptura/marginalidade. Programas de transferência tendem a preservar inclusão mínima.

B — Incorreta. Trabalhadores de aplicativos enfrentam precariedade e instabilidade (aproximam-se da fragilidade), mas não correspondem necessariamente à dependência no sentido paugamiano, que remete à entrada em programas de proteção social.

C — Incorreta. Indivíduos em situação de rua, pedintes e usuários de drogas representam estágio avançado de exclusão — ruptura/marginalidade — não a fragilidade inicial.

Estratégia para provas: associe palavras-chave do enunciado às definições teóricas (ex.: "entrada em programas" → dependência; "perda de trabalho e moradia" → ruptura). Desconfie de generalizações absolutas (por exemplo, assumir que todo beneficiário é marginalizado).

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