Desde seu início, a Sociologia tem tratado o
tema da Educação e joga luz sobre uma clássica e
importante discussão própria desta ciência: a
relação entre mudança social e os sistemas
educacionais nas sociedades modernas. Dentre os
questionamentos ligados a este debate, encontram-se os seguintes: 1. Até que ponto a Educação formal
ou Escolar contribui para mudanças na sociedade?;
e 2. A Educação, por outro lado, pode ser um
mecanismo de permanência e imobilismo da
estrutura social? Esses questionamentos foram, de
certa forma, respondidos por alguns sociólogos, mas
ainda demandam atenção, pesquisa e estudo ao
redor do mundo moderno. É importante destacar
que cada um dos estudiosos e pensadores da
Sociologia que se debruçaram sobre esse tema
elaborou sua própria explicação e compreensão a
respeito. Considerando esse aspecto, assinale a
opção que apresenta a correta relação entre
pensamento e autor.
Gabarito comentado
Resposta: C — Émile Durkheim
Tema central: trata-se do processo de socialização pela educação formal — como a escola transmite normas, valores e prepara os indivíduos para a vida coletiva. Esse é um tema clássico da sociologia da educação: entender se a escola promove mudança social ou reproduz a ordem existente.
Resumo teórico (essencial): Durkheim definiu a educação como a ação que as gerações adultas exercem sobre as mais novas para que estas adquiram as exigências físicas, intelectuais e morais necessárias à manutenção da sociedade. A escola é vista como espaço de transmissão da consciência coletiva e de formação de solidariedade social (ver: É. Durkheim, Education et Sociologie, 1922).
Por que a alternativa C está correta? Porque reproduz literalmente a definição durkheimiana: educação como ação socializadora intencional das gerações adultas para garantir a continuidade das normas e valores necessários à coesão social. A expressão “demandas físicas, intelectuais e morais” remete diretamente à abordagem funcionalista de Durkheim.
Análise das alternativas incorretas:
A: Atribui a Marx a ideia de que “sistemas educacionais desenvolvidos por partidos, organizações e corpos profissionais reproduzem racionalmente todas as esferas da sociedade”. Marx tratou de reprodução material e ideológica das relações de classe (base e superestrutura), mas não nesse sentido técnico — e a formulação apresentada é imprecisa e mais próxima de análises sobre burocracia/ racionalização (Weber) ou de teorias contemporâneas.
B: Cita Marcel Mauss, mas o enunciado refere-se à reprodução por desigual distribuição de capital econômico e cultural — conceito típico de Pierre Bourdieu (capital cultural) e de teorias de reprodução escolar, não de Mauss (conhecido por “Ensaio sobre o Dom” e fatos sociais totais).
D: Afirma que Gabriel Tarde tratou a escola como instrumento de hegemonia cultural das classes dominantes. Essa ideia de hegemonia é de Gramsci; Tarde enfatizava processos de imitação e inovação em nível micro, não a defesa direta da noção gramsciana de cultura hegemônica.
Estratégias para resolver questões assim:
- Busque palavras-chave do enunciado (ex.: “ação das gerações adultas” → Durkheim; “capital cultural” → Bourdieu).
- Relacione autores às suas teorias centrais, não a enunciados vagos.
- Cuidado com troca de nomes: muitos itens usam conceitos corretos, mas atribuídos ao autor errado — essa é pegadinha comum.
Fontes sugeridas: Émile Durkheim, Education et Sociologie (1922); Pierre Bourdieu, Les Héritiers / La Reproduction (para compreender capital cultural); Antonio Gramsci, Cadernos do Cárcere (sobre hegemonia).
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