Uma importante maneira de se tratar de
identidade e diferença culturais é uma análise sobre
os dicionários de falares regionais no Brasil.
Contudo, essa tentativa de demonstrar identidade e
diferença através de padrões linguístico-comportamentais coletivos pode silenciar aspectos
socioculturais, históricos e ideológicos relevantes
(LIMA, 2003). Em específico, os dicionários de
“cearês” ou de “cearensês” potencialmente podem
reforçar um “preconceito linguístico em forma de
humor”, por exemplo, mesmo que isso certamente
não seja o objetivo dos dicionaristas. Termos ou
expressões como “vixe”, “macho véi”, “arriégua”,
“baqueado”, “pegar o beco”, “salga”. “se abrir”,
“mago réi”, “sibite”, “quedê”, “dordói”, “estalicido”
podem reforçar preconceitos velados ou mesmo
explícitos com os que assim falam fora do padrão da
norma culta da língua portuguesa. E é de
notoriedade pública que esse “jeito de falar”
demonstrado por tais expressões ou palavras é
bastante usado em filmes, novelas e séries que
retratam os nordestinos e, no caso em pauta, o
Ceará. Assim, se por um lado, tais expressões ou
termos servem para trazer à tona uma “identidade
cearense” diante de outras identidades
socioculturais e locais do Brasil, por outro lado, elas
podem trazer efeitos de sentido inconscientemente
indesejáveis.
LIMA, Nonato. “Os dicionários do Ceará” In: CARVALHO,
Gilmar de. (Org.). Bonito Pra Chover – ensaios sobre a
cultura cearense. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha,
2003.
Acerca do exposto, avalie as seguintes proposições:
I. O problema não é denunciar os
dicionaristas, mas apontar que o ato de fala
também se realiza sob determinações
inconscientes e ideológicas.
II. Os filmes e novelas que retratam o Nordeste
e usam esses “termos nordestinos” estão
esforçados em evitar todos os preconceitos
velados.
III. Existem, subjacentes a esses dicionários de
falares locais, ideias que podem estigmatizar
um “jeito de falar” e, até mesmo, as
identidades regionais.
IV. A “identidade cearense” que emerge dos
dicionários é a do “Ceará moleque”, que, de
modo gaiato, demonstra não haver
preconceitos no estado.
É correto o que se afirma somente em
Uma importante maneira de se tratar de identidade e diferença culturais é uma análise sobre os dicionários de falares regionais no Brasil. Contudo, essa tentativa de demonstrar identidade e diferença através de padrões linguístico-comportamentais coletivos pode silenciar aspectos socioculturais, históricos e ideológicos relevantes (LIMA, 2003). Em específico, os dicionários de “cearês” ou de “cearensês” potencialmente podem reforçar um “preconceito linguístico em forma de humor”, por exemplo, mesmo que isso certamente não seja o objetivo dos dicionaristas. Termos ou expressões como “vixe”, “macho véi”, “arriégua”, “baqueado”, “pegar o beco”, “salga”. “se abrir”, “mago réi”, “sibite”, “quedê”, “dordói”, “estalicido” podem reforçar preconceitos velados ou mesmo explícitos com os que assim falam fora do padrão da norma culta da língua portuguesa. E é de notoriedade pública que esse “jeito de falar” demonstrado por tais expressões ou palavras é bastante usado em filmes, novelas e séries que retratam os nordestinos e, no caso em pauta, o Ceará. Assim, se por um lado, tais expressões ou termos servem para trazer à tona uma “identidade cearense” diante de outras identidades socioculturais e locais do Brasil, por outro lado, elas podem trazer efeitos de sentido inconscientemente indesejáveis.
LIMA, Nonato. “Os dicionários do Ceará” In: CARVALHO, Gilmar de. (Org.). Bonito Pra Chover – ensaios sobre a cultura cearense. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2003.
Acerca do exposto, avalie as seguintes proposições:
I. O problema não é denunciar os dicionaristas, mas apontar que o ato de fala também se realiza sob determinações inconscientes e ideológicas.
II. Os filmes e novelas que retratam o Nordeste e usam esses “termos nordestinos” estão esforçados em evitar todos os preconceitos velados.
III. Existem, subjacentes a esses dicionários de falares locais, ideias que podem estigmatizar um “jeito de falar” e, até mesmo, as identidades regionais.
IV. A “identidade cearense” que emerge dos dicionários é a do “Ceará moleque”, que, de modo gaiato, demonstra não haver preconceitos no estado.
É correto o que se afirma somente em
Gabarito comentado
Gabarito: C
Tema central: A questão aborda o preconceito linguístico, identidade cultural e a maneira como dicionários regionais — como os de falares cearenses — podem tanto valorizar uma cultura local quanto reforçar estigmas e preconceitos sociais.
Conceitos essenciais: O preconceito linguístico, segundo o linguista Marcos Bagno, ocorre quando se marginaliza quem fala uma variedade linguística diferente da norma culta, associando esse falar a falta de inteligência, competência ou cultura. Já a noção de identidade cultural diz respeito ao reconhecimento e à valorização das diferenças, respeitando a pluralidade de saberes, sotaques e expressões regionais.
Justificativa da alternativa correta (C – I e III):
I. Correta. A construção da linguagem ocorre permeada por fatores inconscientes e ideológicos, e a intenção dos dicionaristas pode ser desviada por representações cristalizadas sobre certas formas de falar. É essencial perceber que essas iniciativas linguísticas não são neutras e podem reforçar ideias preconcebidas.
III. Correta. Reconhece que há riscos de estigmatização, já que destacar termos típicos pode reforçar estereótipos e preconceitos, como citado por Bagno (1999). Assim, o que poderia ser valorização pode se tornar fator de marginalização.
Análise das alternativas incorretas:
II. Incorreta. Afirma que mídias “evitam todos os preconceitos”, o que não corresponde à realidade sociológica. Muitas vezes, o uso de termos regionais em novelas e filmes reforça estereótipos, inclusive de forma humorística e inconsciente.
IV. Incorreta. Supõe de maneira simplista que não há preconceito no estado pelo uso de termos descontraídos; essa generalização ignora as condições reais de estigmatização presentes.
Estratégias e dicas: Atenção a termos absolutos (“todos”, “nenhum”), pois excluem nuances presentes nos processos culturais. Interprete comparando ideias do enunciado e filtrando generalizações.
Resumo: As proposições I e III traduzem o debate teórico: há valor cultural, porém também risco de preconceito linguístico. Esteja atento à leitura crítica e ao papel ideológico da linguagem nas provas.
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