Quando da unificação da Itália em 1861, um
político de nome Massimo d’Azeglio afirmou: “Fizemos
a Itália. Agora é preciso fazer os italianos”. Este
curioso fato aponta para questões que parte dos
sociólogos e cientistas sociais, de modo geral,
estudam e investigam: a formação sociocultural da
Nação e do Nacionalismo. Muitas das nações hoje
existentes se formaram há mais de duzentos anos,
contudo, existem movimentos nacionalistas pelo
mundo que ainda lutam por formar novos Estados-Nação independentes como os bascos, na Espanha.
No Brasil, nos últimos anos, muitas pessoas
reacenderam um sentimento nacionalista motivadas
por posicionamentos e desavenças político-ideológicas
e proclamam um “orgulho renovado de ser brasileiro”.
Partindo de uma perspectiva sociológica sobre as ideias
de nação e/ou nacionalismo na atualidade, é correto
afirmar que
Gabarito comentado
Alternativa correta: B
Tema central: A questão trata de nação e nacionalismo sob perspectiva sociológica — como se constroem sentimentos de pertencimento coletivo e por que falamos em “comunidades imaginadas”. Compreender essa ideia é essencial em provas de sociologia e em análise de políticas culturais e identitárias.
Resumo teórico progressivo:
“Nação” não é apenas um dado natural; é um processo histórico e cultural. Benedict Anderson definiu a nação como uma comunidade imaginada: membros que nunca se encontrarão compartilham uma imagem de comunhão (Anderson, 1983). Outros autores importantes: Ernest Gellner (1983) relaciona nação à modernização e industrialização; Eric Hobsbawm (1990) destaca a invenção de tradições e a construção política das identidades nacionais.
Justificativa da alternativa B (correta): A frase resume precisamente a ideia de Anderson: a maioria dos concidadãos não se conhece pessoalmente, mas partilha símbolos, memória histórica, língua e instituições que tornam possível a sensação de pertencimento. Portanto, afirmar que a nação é uma “comunidade política imaginada” está alinhado com a teoria sociológica dominante.
Análise das alternativas incorretas:
A — incorreta: confunde nacionalismo com defesa da hegemonia norte‑americana. Nacionalismo é sentimento/ideologia de valorização da própria nação; sua direção (anti ou pró EUA) varia conforme contexto político. Não há relação necessária entre ser nacionalista no Brasil e apoiar hegemonia dos EUA.
C — incorreta: generaliza e afirma que nacionalistas europeus estão ligados a empresários e sindicalistas para dominar — explicação reducionista e imprecisa. Movimentos nacionalistas têm variadas bases sociais (conservadores, populistas, marginalizados) e nem sempre se alinham com sindicatos ou capitalistas de forma uniforme.
D — incorreta: vincula sentimentos nacionais a um “Estado planificado na economia” e órgãos hegemônicos. Embora Estados possam promover identidade nacional, o nacionalismo não exige economia planificada; existe em democracias liberais, regimes autoritários e economias mistas.
Dica de prova: Foque em definições consagradas na teoria (Anderson, Gellner, Hobsbawm). Quando uma alternativa contiver generalizações absolutas (“significa”, “estão ligados”) desconfiar: procure conceitos centrais antes de aceitar extrapolações.
Fontes sugeridas: Benedict Anderson, Imagined Communities (1983); Ernest Gellner, Nations and Nationalism (1983); Eric Hobsbawm, Nations and Nationalism since 1780 (1990).
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