A discussão pública sobre “multiculturalismo” e
“sociodiversidade”, iniciada nos EUA e Europa, e
difundida, em seguida, em outras sociedades
democráticas, tem ocorrido desde as últimas décadas
do século XX até o momento (2021). Esses dois
temas dizem respeito às questões das identidades
culturais e das diferenças ou, mais precisamente, ao
direito de a pessoa ser diferente em um mundo
contemporâneo e global, com grande diversidade e
muitos contatos interculturais e socioculturais. Na
sociedade brasileira, especificamente, ainda nos dias
atuais, debater sobre identidade cultural e diferenças
é questionar e combater as razões que levam
algumas pessoas, por exemplo, a enxergarem
nordestinos como analfabetos e ignorantes; negros
como marginais; povos indígenas como indolentes e
selvagens; mulheres inferiores a homens e
homossexuais como anormais.
Considerando o combate aos preconceitos contra as
diferenças e identidades diversas, atente para as
seguintes proposições a respeito dos debates sobre
esse tema:
I. É importante debater sobre as diferenças,
uma vez que é necessário e válido fazer
frente a todos os anormais, bárbaros e
selvagens para que sejamos iguais.
II. Discutir sobre as diversas identidades
culturais demonstra que não existem culturas
“certas” ou “erradas” ou uma “superior” a
outra: elas são apenas diferentes.
III. O debate multicultural aponta que precisamos
exercer a tolerância a favor do convívio
democrático e não julgar diferenças culturais
de modo excludente.
IV. A discussão sobre a sociodiversidade hoje
enfrenta os males do racismo contra pessoas
brancas e transforma em anormais as
relações heterossexuais.
Está correto o que se afirma somente em
Gabarito comentado
Alternativa correta: B — II e III
Tema central: trata-se de multiculturalismo e sociodiversidade, que discutem reconhecimento, respeito e igualdade entre identidades culturais e sociais diversas. É tema recorrente em sociologia dos direitos, políticas públicas e em materiais de concursos por sua relação com cidadania, igualdade e combate ao preconceito.
Resumo teórico: o multiculturalismo defende que sociedades pluralistas devem reconhecer diferenças culturais, garantindo direitos e participação sem hierarquizar culturas. Conceitos-chave: relativismo cultural (evitar julgar culturas apenas por critérios externos), igualdade de reconhecimento (políticas que valorizem identidades) e tolerância como princípio de convívio democrático. Obras e documentos úteis: Will Kymlicka, Multicultural Citizenship (1995); Declaração da UNESCO sobre a Diversidade Cultural (2001); Constituição Federal do Brasil (arts. 5º, 215–216) sobre igualdade e proteção cultural.
Por que II e III estão corretas:
- II: afirma que não há culturas “superiores”, alinhando-se ao princípio de que culturas são diferentes e merecem respeito, sem hierarquização simplista — ideia central do multiculturalismo e da ética do reconhecimento.
- III: aponta a necessidade da tolerância para o convívio democrático e contra julgamentos excludentes — também elemento fundamental das práticas multiculturais e das políticas de sociodiversidade.
Análise das proposições incorretas:
- I — Falsa: usa termos pejorativos (“anormais, bárbaros e selvagens”) e propõe “fazer frente” para sermos iguais, o que sugere assimilação e imposição normativa, contrária ao reconhecimento da diversidade. Debates contemporâneos rejeitam essa lógica etnocêntrica.
- IV — Falsa: distorce o objetivo da sociodiversidade: não trata de “racismo contra pessoas brancas” como problema central nem “transforma em anormais as relações heterossexuais”. Pelo contrário, busca combater racismo e discriminação contra grupos historicamente marginalizados e promover inclusão.
Dica de prova: procure palavras absolutas, termos emocionalmente carregados ou frases que invertam o sentido do conceito (por exemplo, transformar defesa da diversidade em ataque a maiorias). Em questões sobre multiculturalismo, prefira alternativas que defendam reconhecimento, tolerância e igualdade.
Fontes rápidas: Constituição Federal (arts. 5º, 215–216); Declaração da UNESCO sobre a Diversidade Cultural (2001); Will Kymlicka, Multicultural Citizenship (1995).
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