A quarta espécie de Reconhecimento provém de um silogismo, como n'As Coéforas, pelo seguinte raciocínio: alguém chegou, que me é semelhante, mas ninguém se me assemelha senão Orestes, logo quem veio foi Orestes.
(Aristóteles. Poética, 1992.)
As Coéforas é uma peça trágica grega, escrita por Ésquilo (525-456 a.C.), que representa a vingança dos filhos de Agamenon, Electra e Orestes, ao assassinato de seu pai. Aristóteles refere-se ao instante em que Electra reconhece, depois de longo tempo de separação, seu irmão Orestes. O “reconhecimento” foi possível por meio de um silogismo, que é
(Aristóteles. Poética, 1992.)
As Coéforas é uma peça trágica grega, escrita por Ésquilo (525-456 a.C.), que representa a vingança dos filhos de Agamenon, Electra e Orestes, ao assassinato de seu pai. Aristóteles refere-se ao instante em que Electra reconhece, depois de longo tempo de separação, seu irmão Orestes. O “reconhecimento” foi possível por meio de um silogismo, que é
Gabarito comentado
Resposta correta: B
Tema central: trata-se do conceito de silogismo — forma de raciocínio dedutivo aristotélico em que, a partir de duas premissas, obtém‑se uma conclusão necessária. É fundamental em lógica formal e aparece em Aristóteles tanto na teoria do conhecimento quanto em exemplos literários (como reconhecimento em tragédias).
Resumo teórico: o silogismo, segundo Aristóteles, é um argumento composto de duas premissas e uma conclusão (ex.: "Todos A são B; C é A; logo C é B"). Aqui a conclusão decorre logicamente das premissas: não é opinião nem mera intuição, nem método dialético. Fontes: Aristóteles, Analíticos Posteriores/Prior e Poética (exemplos de reconhecimento).
Por que a alternativa B está correta: a alternativa diz que silogismo é "uma conexão de ideias, em que é possível deduzir uma conclusão". Isso expressa corretamente a natureza dedutiva do silogismo — encadeamento de premissas que conduz a uma conclusão necessária. No exemplo da peça, as premissas são: (1) "chegou alguém que me é semelhante" e (2) "ninguém se me assemelha senão Orestes"; daí deduz‑se necessariamente: "quem veio foi Orestes". É raciocínio dedutivo, isto é, conexão lógica que permite inferência.
Análise das alternativas incorretas:
- A (axioma): incorreta — um axioma é uma proposição tomada como evidente sem demonstração; o silogismo é processo inferencial, não uma proposição autoevidente.
- C (intuição): incorreta — intuição é apreensão imediata; o silogismo envolve inferência articulada entre premissas, não conhecimento espontâneo.
- D (saber apriorístico): incorreta — embora o silogismo produza conclusões necessárias, chamá‑lo de "saber apriorístico" confunde tradições (Kant). O foco do silogismo é a forma lógica da dedução, não a classificação epistêmica apriorística.
- E (método dialético): incorreta — dialética envolve diálogo, contraposição de teses/antíteses e refutação; o silogismo aristotélico é dedução formal entre premissas, não procedimento dialético.
Dica de interpretação: procure conectivos lógicos ("logo", "portanto") e a estrutura premissa → conclusão. Identifique se a alternativa descreve um processo inferencial (dedução) — essa é quase sempre a pista para reconhecer "silogismo". Evite confundir termos filosóficos próximos (axioma, intuição, apriorístico, dialética).
Exemplo prático rápido: "Só Maria conhece o código; alguém com o código entrou; portanto, foi Maria." Esse é o mesmo tipo de encadeamento do reconhecimento trágico.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!






