Questão 7b6e606b-ab
Prova:UEA 2014
Disciplina:Filosofia
Assunto:Filosofia e a Grécia Antiga

A quarta espécie de Reconhecimento provém de um silogismo, como n'As Coéforas, pelo seguinte raciocínio: alguém chegou, que me é semelhante, mas ninguém se me assemelha senão Orestes, logo quem veio foi Orestes.

                                                                                                                (Aristóteles. Poética, 1992.)

As Coéforas é uma peça trágica grega, escrita por Ésquilo (525-456 a.C.), que representa a vingança dos filhos de Agamenon, Electra e Orestes, ao assassinato de seu pai. Aristóteles refere-se ao instante em que Electra reconhece, depois de longo tempo de separação, seu irmão Orestes. O “reconhecimento” foi possível por meio de um silogismo, que é

A
um axioma, proposição que dispensa a comprovação.
B
uma conexão de ideias, em que é possível deduzir uma conclusão.
C
uma intuição, cujo conhecimento aflora espontaneamente à mente.
D
um saber apriorístico, pois desvinculado do conhecimento experimental.
E
um método dialético, porque opera com a contraposição de teses e antíteses.

Gabarito comentado

M
Manuela Cardoso Monitor do Qconcursos

Resposta correta: B

Tema central: trata-se do conceito de silogismo — forma de raciocínio dedutivo aristotélico em que, a partir de duas premissas, obtém‑se uma conclusão necessária. É fundamental em lógica formal e aparece em Aristóteles tanto na teoria do conhecimento quanto em exemplos literários (como reconhecimento em tragédias).

Resumo teórico: o silogismo, segundo Aristóteles, é um argumento composto de duas premissas e uma conclusão (ex.: "Todos A são B; C é A; logo C é B"). Aqui a conclusão decorre logicamente das premissas: não é opinião nem mera intuição, nem método dialético. Fontes: Aristóteles, Analíticos Posteriores/Prior e Poética (exemplos de reconhecimento).

Por que a alternativa B está correta: a alternativa diz que silogismo é "uma conexão de ideias, em que é possível deduzir uma conclusão". Isso expressa corretamente a natureza dedutiva do silogismo — encadeamento de premissas que conduz a uma conclusão necessária. No exemplo da peça, as premissas são: (1) "chegou alguém que me é semelhante" e (2) "ninguém se me assemelha senão Orestes"; daí deduz‑se necessariamente: "quem veio foi Orestes". É raciocínio dedutivo, isto é, conexão lógica que permite inferência.

Análise das alternativas incorretas:

  • A (axioma): incorreta — um axioma é uma proposição tomada como evidente sem demonstração; o silogismo é processo inferencial, não uma proposição autoevidente.
  • C (intuição): incorreta — intuição é apreensão imediata; o silogismo envolve inferência articulada entre premissas, não conhecimento espontâneo.
  • D (saber apriorístico): incorreta — embora o silogismo produza conclusões necessárias, chamá‑lo de "saber apriorístico" confunde tradições (Kant). O foco do silogismo é a forma lógica da dedução, não a classificação epistêmica apriorística.
  • E (método dialético): incorreta — dialética envolve diálogo, contraposição de teses/antíteses e refutação; o silogismo aristotélico é dedução formal entre premissas, não procedimento dialético.

Dica de interpretação: procure conectivos lógicos ("logo", "portanto") e a estrutura premissa → conclusão. Identifique se a alternativa descreve um processo inferencial (dedução) — essa é quase sempre a pista para reconhecer "silogismo". Evite confundir termos filosóficos próximos (axioma, intuição, apriorístico, dialética).

Exemplo prático rápido: "Só Maria conhece o código; alguém com o código entrou; portanto, foi Maria." Esse é o mesmo tipo de encadeamento do reconhecimento trágico.

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