A decisão de uma prefeitura nos arredores de Paris de
distribuir mochilas escolares azuis para os meninos e rosa
para meninas provocou polêmica na França. Nas bolsas distribuídas
pela prefeitura de Puteaux, há também um kit para
construir robôs, para os meninos, e miçangas para fazer bijuterias,
para as meninas. A distinção causou polêmica no
momento em que o governo implementa na rede educacional
um programa para promover a igualdade entre homens e mulheres
e lutar contra os estereótipos.
(“Distribuição de mochilas escolares azuis e rosas causa
polêmica na França”. www.bbc.co.uk. Adaptado.)
A polêmica citada pela reportagem envolve pressupostos
sobre a sexualidade que podem ser definidos pela oposição
entre fatores
Gabarito comentado
Resposta: E — biológicos e sociais
Tema central: a questão trata da oposição entre fatores que explicam diferenças entre homens e mulheres: se decorrem de características naturais (biológicas) ou de construções culturais/ sociais (estereótipos, papéis de gênero).
Resumo teórico — Distinção fundamental em estudos sobre sexualidade e gênero: sexo refere-se a características biológicas (cromossomos, órgãos reprodutivos); gênero refere-se a papéis, normas e expectativas socialmente atribuídas a homens e mulheres. A literatura contemporânea (ex.: WHO sobre sexo e gênero; estudos de sociologia e estudos de gênero como Judith Butler) enfatiza que muitos comportamentos e preferências são socialmente construídos e reforçados por estereótipos.
Por que a alternativa E é correta: A polêmica das mochilas azuis/rosas e dos kits (robótica vs miçangas) remete diretamente à imposição de papéis e preferências atribuídas socialmente — isto é, à tensão entre explicações biológicas (atributos naturais) e sociais (construções culturais/estereótipos). Logo, a oposição adequada é biológicos x sociais.
Análise das alternativas incorretas:
A — comunitários e individuais: termos vagos e fora do foco “sexualidade/estereótipos”; não correspondem à oposição teórica pertinente.
B — metafísicos e empiristas: categorias epistemológicas da filosofia da ciência, não descrevem a disputa entre natureza biológica e construção social do gênero.
C — teológicos e materiais: mistura irrelevante: “teológico” refere-se a explicações religiosas; “material” é ambíguo (poderia referir-se a marxismo), mas não captura a oposição sexo/gênero.
D — antropocêntricos e teocêntricos: dizem respeito a posições sobre valor/centralidade do humano ou de Deus no mundo, não à explicação de diferenças entre sexos.
Dica de prova: ao ler enunciados sobre “estereótipos”, “papéis” ou “igualdade de gênero”, busque termos que indiquem construção social. Desconfie de alternativas com jargão filosófico ou religioso que desviem do tema central.
Fontes úteis: World Health Organization — definições de sexo e gênero; manuais introdutórios de Estudos de Gênero (Butler, Fausto-Sterling) para aprofundamento.
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