A crise de abastecimento de água em São Paulo se agravou
significativamente a partir de 2002, quando a empresa
pública Sabesp passou a priorizar a obtenção de lucro. Com
essa alteração, a água deixou de ser considerada bem público
e recurso essencial para a sociedade, abandonando-se o
foco na universalização dos serviços de saneamento básico.
Nesse mesmo caminho, seguiu uma diretriz estratégica de
atender à expansão econômica, beneficiando-se com a lucratividade
do aumento do consumo, ignorando a suficiência
de água para atender a essa crescente demanda. Do ponto
de vista neoliberal, a crise hídrica oferece “grandes e novas
oportunidades” de negócios, tanto para obras como para serviços,
especialmente no setor de gestão das águas, uma vez
que se trata de um bem essencial de que todos são obrigados
a dispor a qualquer preço e custo.
(Delmar Matter et al. “As obras e a crise de abastecimento”.
www.diplomatique.org.br, 06.02.2015. Adaptado.)
No texto, o problema do abastecimento de água em São Paulo
é abordado sob o ponto de vista
Gabarito comentado
Resposta correta: D
Tema central: a questão trata da commodificação da água no contexto do capitalismo neoliberal — isto é, a tendência de transformar recursos essenciais e bens públicos em mercadorias sujeitas à lógica do lucro.
Resumo teórico: a mercantilização de bens comuns é discutida por autores como Karl Polanyi ("The Great Transformation") e Elinor Ostrom (Governing the Commons). No Brasil, a água é tutelada pelo Direito Ambiental (CF/1988, art. 225) e pela Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433/1997). A crítica neoliberal aponta que privatização e priorização do lucro podem afastar a universalização e o caráter de bem público.
Por que a alternativa D é a correta? O texto afirma que a Sabesp passou a priorizar lucro, que a água deixou de ser tratada como bem público e que a crise é vista como "oportunidade" de negócios. Esses elementos caracterizam a transformação da água em mercadoria — exatamente o enunciado da alternativa D: tendências do sistema capitalista de transformar toda a realidade em mercadoria disponível no mercado.
Análise das alternativas incorretas:
A — fala de crise ética e valores morais/espirituais; o texto enfatiza razões econômicas e políticas, não questões morais abstratas.
B — sugere defesa de investimentos públicos em reservatórios; o texto critica a priorização do lucro e o mercado, sem propor essa solução como foco.
C — refere‑se à "racionalidade instrumental" como positiva; o texto critica a lógica de dominação/mercado e não elogia esse processo nem enfatiza a dimensão tecnocrática weberiana.
E — fala de democratização do consumo aumentando demanda; o texto menciona expansão econômica e demanda, mas o foco é a mercantilização e lucro, não um processo democratizante.
Sugestão de estratégia: ao ler o enunciado, destaque palavras‑chave (lucro, bem público, oportunidade de negócios, neoliberal). Relacione essas pistas ao conceito sociológico/econômico mais próximo (commodificação/mercantilização) para eliminar alternativas afastadas do foco.
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