De acordo com o excerto, a gênese do povo brasileiro está
associada
Surgimos da confluência, do entrechoque e do caldeamento
do invasor português com índios silvícolas e campineiros
e com negros africanos, uns e outros aliciados como
escravos. Nessa confluência, que se dá sob a regência dos
portugueses, matrizes raciais díspares, tradições culturais
distintas, formações sociais defasadas se enfrentam e se
fundem para dar lugar a um povo novo. Novo porque surge
como uma etnia nacional, que se vê a si mesma e é
vista como uma gente nova, diferenciada culturalmente de
suas matrizes formadoras. Velho, porém, porque se viabiliza
como um proletariado externo, como um implante
ultramarino da expansão europeia que não existe para si
mesmo, mas para gerar lucros exportáveis pelo exercício
da função de provedor colonial de bens para o mercado
mundial, através do desgaste da população. Sua unidade
étnica básica não significa, porém, nenhuma uniformidade,
mesmo porque atuaram sobre ela forças diversificadoras:
a ecológica, a econômica e a migração. Por essas vias se
plasmaram historicamente diversos modos rústicos de ser
dos brasileiros: os sertanejos, os caboclos, os crioulos, os
caipiras e os gaúchos. Todos eles muito mais marcados
pelo que têm de comum como brasileiros, do que pelas diferenças
devidas a adaptações regionais ou funcionais, ou
de miscigenação e aculturação que emprestam fisionomia
própria a uma ou outra parcela da população.
(Darcy Ribeiro. O povo brasileiro, 1995. Adaptado.)
Gabarito comentado
Alternativa correta: D
Tema central: A questão trata da gênese do povo brasileiro segundo o texto de Darcy Ribeiro — ou seja, como a formação étnica e social do Brasil se deu no contexto colonial. É preciso reconhecer termos-chave do enunciado: projeto de colonização, implantação mercantil e mercado externo.
Resumo teórico — Em síntese: a formação do Brasil colonial resultou da confluência entre portugueses, indígenas e africanos, sob um projeto colonial europeu orientado para a produção de bens para exportação (modelo de plantation/mercantilismo). O território não foi pensado prioritariamente para povoamento autônomo ou mercado interno, mas como fonte de riqueza para a metrópole. (Cf. Darcy Ribeiro, O povo brasileiro, 1995; panorama da historiografia sobre economia colonial e mercantilismo).
Por que a alternativa D está correta: o excerto descreve explicitamente um “implante ultramarino da expansão europeia” que existe para gerar “lucros exportáveis” como “provedor colonial de bens para o mercado mundial”. Isso corresponde exatamente à ideia de projeto de colonização pelos portugueses e à implantação de empreendimento mercantil voltado ao mercado externo — ou seja, alternativa D.
Análise das alternativas incorretas:
A — fala em povoamento e mercado interno amplo: contradiz o texto, que enfatiza função exportadora e servidão colonial, não a prioridade de um mercado interno.
B — atribui a conquista também a africanos e indígenas e fala em modelo econômico autônomo para mercado externo: incorreto porque africanos e indígenas não foram agentes colonizadores e o modelo não é autônomo, é subordinado à metrópole.
C — afirma que ameríndios e africanos impulsionaram a “descoberta” e que o modelo visava progresso técnico nacional: erro sobre os agentes do processo (foram os europeus) e sobre o fim (não era progresso nacional, mas exploração/ exportação).
E — diz que europeus visavam um modelo autônomo para mercado local: erro porque o objetivo era o mercado externo e a economia colonial era dependente, não autônoma.
Dica de prova: procure no texto termos como mercado mundial/exportação, implantação ultramarina ou projeto de colonização. Eles praticamente apontam para a alternativa correta e permitem eliminar opções que mencionam mercado interno, autonomia ou agentes equivocadamente.
Fonte principal citada no enunciado: Darcy Ribeiro, O povo brasileiro (1995). Para contexto histórico-econômico, ver também obras introdutórias sobre economia colonial e mercantilismo (p. ex. Boris Fausto, História do Brasil).
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