Para as “boas” escolas vão sempre os professores mais competentes e experientes. Nelas, as condições de
trabalho são melhores. Há um número menor de alunos por turma e o tempo de aula é maior. O material didático
é abundante e de boa qualidade.
Nas escolas “carentes” dá-se o contrário. Os professores estão sobrecarregados e insatisfeitos. Por causa disso,
ficam pouco tempo na escola. O material didático (cartilhas, livros, etc.) é inadequado e insuficiente. As turmas
estão superlotadas e as crianças têm menos tempo de aula. Nessas escolas, os professores faltam com mais
frequência às aulas, os alunos são rebeldes ou desinteressados e há mais problemas de disciplina.
CECCON, C.; OLIVEIRA, M. D ; OLIVEIRA, R. D. A Vida na escola e a escola da vida. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 1983. p. 52-53.
As afirmações acima, em nível geral, apresentam uma descrição do sistema escolar brasileiro em seu nível
fundamental.
Essa situação do sistema escolar pode ser melhor explicada a partir de qual teoria sociológica?
Gabarito comentado
Alternativa correta: A
Tema central: trata-se da explicação sociológica das desigualdades escolares — por que “boas” escolas concentram melhores professores e recursos, enquanto escolas carentes reproduzem condições piores. É preciso conhecer teorias da reprodução social e da sociologia da educação.
Resumo teórico: a teoria das classes sociais (na sociologia da educação) enfatiza que a escola tende a reproduzir desigualdades estruturais. Conceitos-chave: capital cultural, habitus e mecanismos institucionais que favorecem alunos de classes mais altas (Bourdieu & Passeron; Bowles & Gintis). Essas abordagens mostram que diferenças de recursos, condições de trabalho e expectativas explicam a reprodução de classe social nas escolas (ver: Bourdieu, 1970; Bowles & Gintis, 1976; pesquisas em sociologia da educação).
Por que A é correta: a descrição do enunciado aponta para um padrão estrutural — distribuição desigual de professores, materiais e tempo de aula — que reproduz posições sociais. Isso é explicado por teorias das classes sociais que analisam como instituições educacionais reproduzem hierarquias sociais, não por ações isoladas de indivíduos.
Análise das demais alternativas:
B (teoria da ação social) — incorreta: a teoria weberiana foca intencionalidade e sentido das ações individuais. Embora explique interações professor-aluno, não captura a lógica estrutural de reprodução de desigualdades apresentada no texto.
C (teoria da modernização) — incorreta: a modernização prevê progressiva integração dos pobres na modernidade e melhoria gradual. O enunciado descreve desigualdade persistente e reprodução de condições desfavoráveis, não uma convergência progressiva; logo essa teoria não explica adequadamente o quadro.
D (teoria da urbanização) — incorreta: diferenças espaciais existem, mas a urbanização trata da transformação e concentração urbana. O problema descrito é de reprodução social dentro do sistema escolar, transcende mera localização espacial e envolve relações de classe e recursos.
Dica de prova: procure se o enunciado exige explicação estrutural (relações de classe, reprodução) ou ação individual. Palavras como “reprodução”, “diferenças sistemáticas”, “condições” sinalizam abordagem estrutural — escolha teorias de classes.
Principais referências: Bourdieu & Passeron (1970), Bowles & Gintis (1976); relatórios UNESCO/OECD sobre desigualdade educacional são leituras complementares.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Estatísticas
Aulas sobre o assunto
- •






