Questão f569b25e-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Considere as afirmaões:
I. No poema de Garrett, o amor é apresentado como um sentimento que acontece na vida de alguém independentemente de sua vontade.
II. No poema de Filinto, vê- se que o amor não se realiza fisicamente; no de Garrett, explora- se o amor pelo seu aspecto físico e sensual.
III. Tanto no poema de Filinto quanto no de Garrett, há uma linha tênue entre o utópico e o real, resultando numa visão de amor sôfrega e intensa, prestes a tomar formas plenas na realidade vivida pelos amantes.
Está correto somente o que se afirma em
Considere as afirmaões:
I. No poema de Garrett, o amor é apresentado como um sentimento que acontece na vida de alguém independentemente de sua vontade.
II. No poema de Filinto, vê- se que o amor não se realiza fisicamente; no de Garrett, explora- se o amor pelo seu aspecto físico e sensual.
III. Tanto no poema de Filinto quanto no de Garrett, há uma linha tênue entre o utópico e o real, resultando numa visão de amor sôfrega e intensa, prestes a tomar formas plenas na realidade vivida pelos amantes.
Está correto somente o que se afirma em
I. No poema de Garrett, o amor é apresentado como um sentimento que acontece na vida de alguém independentemente de sua vontade.
II. No poema de Filinto, vê- se que o amor não se realiza fisicamente; no de Garrett, explora- se o amor pelo seu aspecto físico e sensual.
III. Tanto no poema de Filinto quanto no de Garrett, há uma linha tênue entre o utópico e o real, resultando numa visão de amor sôfrega e intensa, prestes a tomar formas plenas na realidade vivida pelos amantes.
Está correto somente o que se afirma em
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
A
I.
B
II..
C
III.
D
I e II.
E
I e III..
Gabarito comentado
E
Elias OliveiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a inferência autorizada pelo poema de Filinto: “Um culto, que nem dela inda é sabido. / Tão pouco de mim julgo que a mereço, / Que enojá-la não quero de atrevido / Co’as penas que por ela em vão padeço.” O trecho mostra amor secreto, idealizado, contido e sem realização concreta; por isso, sustenta a ideia de sentimento que se impõe ao eu lírico e invalida leituras de sensualidade amorosa realizada ou de amor prestes a consumar-se.
Tema central: representação do amor
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque apenas a afirmação I é compatível com a leitura comparativa admitida pela base. No poema de Filinto, o eu lírico presta “culto” à amada sem que ela saiba, julga não merecê-la, evita aproximar-se para não a desagradar e afirma padecer “em vão”. Esse conjunto sustenta a leitura de amor vivido como força que domina o sujeito independentemente de sua vontade, e não como relação efetivamente realizada.
B
Errada
A alternativa erra porque depende da validade integral da afirmação II, e essa afirmação não se sustenta por completo. No poema de Filinto, de fato não há realização física do amor; porém a segunda parte de II, ao dizer que no poema de Garrett se explora o amor por seu aspecto “físico e sensual”, é caracterização excessiva e sem respaldo suficiente na base comparativa fornecida. A base ainda alerta que não se pode reduzir o contraste a sensualidade erótica.
C
Errada
A alternativa erra porque a afirmação III contradiz diretamente o poema de Filinto. O texto não apresenta amor “prestes a tomar formas plenas na realidade vivida pelos amantes”; ao contrário, apresenta amor secreto e frustrado: “Um culto, que nem dela inda é sabido” e “Co’as penas que por ela em vão padeço.” A intensidade do sentimento não autoriza inferir concretização iminente.
D
Errada
A alternativa erra porque exige que I e II sejam corretas. I se sustenta, mas II não, já que sua segunda parte faz generalização inadequada sobre o poema de Garrett. Em alternativa composta, basta uma das assertivas ser inválida para derrubar a opção.
E
Errada
A alternativa erra porque exige que I e III sejam corretas. Embora I seja compatível com o texto, III é incompatível com o núcleo decisivo do poema de Filinto: o amor não caminha para plenitude real; ele permanece secreto, contido e inútil, como mostra a expressão “em vão padeço”.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar a descrição física idealizada da amada como prova de sensualidade e tomar a intensidade do sofrimento amoroso como sinal de realização iminente. No poema, há louvor idealizante e padecimento sem efetivação.
Dica para questões semelhantes
- Em afirmações comparativas, valide cada parte da frase: uma metade pode estar correta e a outra, não.
- Descrição de traços físicos não basta, por si só, para provar sensualidade; verifique se o texto mostra idealização ou realização amorosa concreta.
- Quando o poema traz marcas como segredo, contenção e sofrimento “em vão”, isso bloqueia inferências de reciprocidade ou consumação iminente.






