Questão f3f1f39a-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Preposições, Morfologia, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

No verso Metal de voz que enleva de doçura, a preposição de ocorre duas vezes, formando expressões que indicam, respectivamente, relação de

INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.

Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,

Um garbo senhoril, nevada alvura,

Metal de voz que enleva de doçura,

Dentes de aljôfar, em rubi cravados.

Fios de ouro, que enredam meus cuidados,

Alvo peito, que cega de candura,

Mil prendas; e (o que é mais que formosura)

Uma graça, que rouba mil agrados.

Mil extremos de preço mais subido

Encerra a linda Márcia, a quem of’reço

Um culto, que nem dela inda é sabido.

Tão pouco de mim julgo que a mereço,

Que enojá- la não quero de atrevido

Co’as penas que por ela em vão padeço.

A
posse e de conseqüência.
B
causa e de posse.
C
qualificação e de causa.
D
modo e de qualificação.
E
posse e de modo.

Gabarito comentado

M
Marina OliveiraMonitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: No verso “Metal de voz que enleva de doçura”, a análise decisiva é semântica e contextual: em “metal de voz”, “de voz” qualifica ou especifica metaforicamente o substantivo “metal”; em “enleva de doçura”, “de doçura” indica a causa do enlevo. Por isso, o gabarito é C.

Tema central: valor semântico de de
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada nas duas relações. Em “metal de voz”, “de voz” não indica posse, porque não há proprietário de “metal”, mas especificação metafórica do substantivo. Em “enleva de doçura”, a doçura não é consequência do enlevo; é sua causa.
B
Errada
A alternativa inverte os valores semânticos. Em “metal de voz”, não há relação de causa, mas de qualificação/especificação. Em “enleva de doçura”, também não há posse, porque “doçura” não pertence a algo; ela funciona como motivo do enlevo.
C
Certa
A alternativa C está correta porque distingue adequadamente as duas ocorrências da preposição no verso. Em “metal de voz”, não há ideia de pertencimento; “de voz” caracteriza esse “metal” em construção metafórica, delimitando de que natureza ele é. Já em “enleva de doçura”, “de doçura” não descreve um traço do nome anterior, mas apresenta o motivo do efeito expresso pelo verbo “enleva”: a doçura é o que provoca o enlevo.
D
Errada
Em “metal de voz”, “de voz” não exprime modo, pois não indica a maneira como algo acontece; caracteriza o substantivo “metal”. Em “enleva de doçura”, “de doçura” também não é qualificação, porque seu valor está ligado ao verbo “enleva”, indicando a causa do efeito.
E
Errada
A primeira relação não é de posse, pelo mesmo motivo: “de voz” especifica metaforicamente “metal”, sem valor possessivo. A segunda não é de modo, porque “de doçura” não informa como se enleva, mas por que se enleva.
Pegadinha da questão
A banca explora a polissemia da preposição “de”. A confusão real está em ler “metal de voz” como posse e “de doçura” como mera descrição da voz, quando, no contexto, a primeira expressão é qualificadora e a segunda é causal.
Dica para questões semelhantes
  • Avalie cada ocorrência da preposição dentro do sintagma ou da oração em que aparece; o mesmo “de” pode ter valores diferentes no mesmo verso.
  • Separe valor especificador de valor possessivo: se o termo apenas caracteriza o nome, não há posse.
  • Quando a expressão com “de” estiver ligada ao verbo e indicar o que provoca a ação ou o efeito, o valor tende a ser causal.

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