Questão f0e532ac-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Pelas informações do poema, é correto afirmar que o poeta
Pelas informações do poema, é correto afirmar que o poeta
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
INSTRUÇÃO: As questões baseiam- se no poema de Filinto Elísio.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
Um garbo senhoril, nevada alvura,
Metal de voz que enleva de doçura,
Dentes de aljôfar, em rubi cravados.
Fios de ouro, que enredam meus cuidados,
Alvo peito, que cega de candura,
Mil prendas; e (o que é mais que formosura)
Uma graça, que rouba mil agrados.
Mil extremos de preço mais subido
Encerra a linda Márcia, a quem of’reço
Um culto, que nem dela inda é sabido.
Tão pouco de mim julgo que a mereço,
Que enojá- la não quero de atrevido
Co’as penas que por ela em vão padeço.
A
sofre calado, porque não quer que a amada padeça como ele.
B
não se julga merecedor do amor da amada, que o vê como um atrevido.
C
pretende revelar seus sentimentos à amada para deixar de padecer
D
acredita que a amada o considerará merecedor de seu amor.
E
não se julga digno de receber o amor da amada e, por isso, sofre.
Gabarito comentado
E
Elaine Souza Monitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura semântica direta dos versos finais do poema, especialmente de "Tão pouco de mim julgo que a mereço, / Que enojá-la não quero de atrevido / Co’as penas que por ela em vão padeço." Neles, o eu lírico afirma não se julgar merecedor da amada e declara sofrer por ela; por isso, a alternativa correta é a que retoma essa autoavaliação de indignidade associada ao sofrimento.
Tema central: indignidade amorosa
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no motivo atribuído ao silêncio. O poema mostra que ele sofre sem se declarar, mas não para evitar que a amada padeça como ele. O próprio texto indica outra razão: "Que enojá-la não quero de atrevido". Logo, a alternativa introduz uma motivação ausente do poema.
B
Errada
A alternativa mistura um dado textual verdadeiro com uma extrapolação indevida. É correto que ele não se julga merecedor da amada, como mostra "Tão pouco de mim julgo que a mereço". Mas o poema não afirma que a amada o vê como atrevido. "De atrevido" expressa o receio do eu lírico de importuná-la, não um julgamento já feito por ela.
C
Errada
A alternativa contradiz o texto. O poema afirma que o sentimento ainda não foi revelado: "Um culto, que nem dela inda é sabido". Além disso, o eu lírico diz que não quer importuná-la: "Que enojá-la não quero de atrevido". Portanto, não há base para dizer que ele pretende revelar seus sentimentos para deixar de padecer.
D
Errada
O sentido da alternativa se opõe diretamente ao verso decisivo. Em vez de acreditar que será considerado merecedor, o eu lírico afirma o contrário: "Tão pouco de mim julgo que a mereço". O texto não expressa expectativa de aceitação futura nem confiança em merecimento.
E
Certa
A alternativa E está correta porque faz uma paráfrase fiel do núcleo semântico dos versos finais. Em "Tão pouco de mim julgo que a mereço", o poeta explicita que não se considera digno da amada. Em "Co’as penas que por ela em vão padeço", explicita o sofrimento amoroso. A formulação da alternativa sintetiza corretamente essa relação: ele não se julga digno e, por isso, sofre.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sofrer em silêncio por se achar indigno e sofrer em silêncio para poupar a amada. O poema liga o silêncio ao receio de "enojá-la" por parecer atrevido, não a um gesto de proteção dela.
Dica para questões semelhantes
- Nos versos finais, identifique primeiro o que é dito explicitamente antes de inferir intenção ou sentimento secundário.
- Não transforme o receio subjetivo do eu lírico em fato sobre o pensamento da outra personagem sem apoio textual.
- Quando a alternativa trouxer uma paráfrase, confira se ela preserva o núcleo do sentido expresso no texto, mesmo sem repetir as mesmas palavras.






