Questão eda97011-df
Prova:UFRN 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Leia o fragmento a seguir, extraído da
crônica “Vivendo e...”, de Luis Fernando
Veríssimo.
Na verdade, deve-se revisar aquela
antiga frase. É vivendo e
desaprendendo. Não falo daquelas
coisas que deixamos de fazer porque
não temos mais as condições físicas e
a coragem de antigamente, como subir
em bonde andando – mesmo porque
não há mais bondes andando. Falo da
sabedoria desperdiçada, das artes que
nos abandonaram.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na
escola. Rio de Janeiro: Objetiva. 2001, p. 46.
A alteração que o autor faz no ditado popular
“Vivendo e aprendendo” evidencia certo
sentimento de
Leia o fragmento a seguir, extraído da
crônica “Vivendo e...”, de Luis Fernando
Veríssimo.
Na verdade, deve-se revisar aquela
antiga frase. É vivendo e
desaprendendo. Não falo daquelas
coisas que deixamos de fazer porque
não temos mais as condições físicas e
a coragem de antigamente, como subir
em bonde andando – mesmo porque
não há mais bondes andando. Falo da
sabedoria desperdiçada, das artes que
nos abandonaram.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na
escola. Rio de Janeiro: Objetiva. 2001, p. 46.
A alteração que o autor faz no ditado popular
“Vivendo e aprendendo” evidencia certo
sentimento de
A
nostalgia.
B
revolta.
C
incompreensão.
D
arrependimento.
Gabarito comentado
F
Felipe MendesMonitor com apoio de IA
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é semântico-textual: em “Na verdade, deve-se revisar aquela antiga frase. É vivendo e desaprendendo.”, a substituição de “aprendendo” por “desaprendendo”, articulada a “não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente” e “Falo da sabedoria desperdiçada, das artes que nos abandonaram.”, organiza a ideia de perda ligada ao passado, o que sustenta a resposta em nostalgia.
Tema central: nostalgia
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa correta se sustenta porque o fragmento apresenta uma visão saudosa do que existia antes e foi sendo perdido com o tempo. Isso aparece na oposição entre passado e presente em “não temos mais as condições físicas e a coragem de antigamente” e se reforça em “sabedoria desperdiçada” e “artes que nos abandonaram”, expressões que não indicam explosão emocional nem culpa, mas rememoração melancólica de capacidades e saberes que já se teve.
B
Errada
Está errada porque o texto não traz marcas de indignação, protesto ou agressividade verbal. A formulação é reflexiva e irônica, não combativa. A expressão “deve-se revisar” introduz reconsideração do ditado, não revolta.
C
Errada
Está errada porque o narrador não demonstra falta de entendimento; ao contrário, ele explicita com clareza seu foco ao organizar o trecho em “Não falo...” e “Falo...”. Há interpretação consciente da perda, não incompreensão diante da vida.
D
Errada
Está errada porque arrependimento exigiria culpa pessoal ou remorso por algo praticado, e isso não aparece no fragmento. A perda é apresentada como efeito da passagem do tempo, não como erro do enunciador. Mesmo “sabedoria desperdiçada” não configura confissão individual de culpa no contexto.
Pegadinha da questão
A banca explora a possibilidade de o candidato perceber apenas a ironia da troca de “aprendendo” por “desaprendendo” ou associar “sabedoria desperdiçada” a arrependimento; porém o conjunto do fragmento orienta para saudade do que se perdeu com o tempo.
Dica para questões semelhantes
- Quando um ditado popular é alterado, compare o sentido original com o novo para identificar o efeito de sentido produzido.
- Procure campos semânticos recorrentes no trecho; aqui, “não temos mais”, “de antigamente”, “desperdiçada” e “nos abandonaram” apontam para perda.
- Se a pergunta pedir sentimento, não pare no conteúdo informado: observe o tom com que a perda é enunciada.
- Elimine alternativas emocionais fortes, como revolta ou arrependimento, se o texto não trouxer marcas explícitas de protesto ou culpa.






