Questão eba8af47-dc
Prova:FAMEMA 2017
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Segundo os céticos, os ratos

        Em 2010, cientistas realizaram um experimento especialmente tocante com ratos. Eles trancaram um rato numa gaiola minúscula, colocaram-na dentro de um compartimento maior e deixaram que outro rato vagasse livremente por esse compartimento. O rato engaiolado demonstrou sinais de estresse, o que fez com que o rato solto também demonstrasse sinais de ansiedade e estresse. Na maioria dos casos, o rato solto tentava ajudar seu companheiro aprisionado e, depois de várias tentativas, conseguia abrir a gaiola e libertar o prisioneiro. Os pesquisadores repetiram o experimento, dessa vez pondo um chocolate no compartimento. O rato livre tinha de escolher entre libertar o prisioneiro e ficar com o chocolate só para ele. Muitos ratos preferiram primeiro soltar o companheiro e dividir o chocolate (embora uns poucos tenham mostrado mais egoísmo, provando com isso que alguns ratos são mais maldosos que outros).

      Os céticos descartaram essas conclusões, alegando que o rato livre liberta o prisioneiro não por ser movido por empatia, mas simplesmente para parar com os incomodativos sinais de estresse apresentados pelo companheiro. Os ratos seriam motivados pelas sensações desagradáveis que sentem e não buscam nada além de exterminá-las. Pode ser. Mas poderíamos dizer o mesmo sobre nós, humanos. Quando dou dinheiro a um mendigo, estou reagindo às sensações desagradáveis que sua visão provoca em mim? Realmente me importo com ele, ou só quero me sentir melhor?

    Na essência, nós humanos não somos diferentes de ratos, golfinhos ou chimpanzés. Como eles, tampouco temos alma. Como nós, eles também têm consciência e um complexo mundo de sensações e emoções. É claro que todo animal tem traços e talentos exclusivos. Os humanos têm suas aptidões especiais. Não deveríamos humanizar os animais desnecessariamente, imaginando que são apenas uma versão mais peluda de nós mesmos. Isso não só configura uma ciência ruim, como igualmente nos impede de compreender e valorizar outros animais em seus próprios termos. (Homo Deus, 2016.)

A
respondem aleatoriamente aos estímulos externos, não havendo correspondência entre seu comportamento e o comportamento humano nas mesmas situações.
B
optam por um comportamento que evite problemas sociais em eventuais relações futuras com outros indivíduos.
C
fazem suas escolhas motivados pelo interesse coletivo, ainda que escolhas egoístas pudessem beneficiá-los individualmente.
D
agem por motivações egoístas, buscando aumentar as sensações agradáveis e diminuir as desagradáveis.
E
preferem um comportamento que parece solidário, mas que na verdade concretiza uma intenção de agredir outros indivíduos.

Gabarito comentado

J
Jéssica OliveiraMonitor do Qconcursos

Tema central: Interpretação de Texto – análise crítica das motivações dos ratos segundo visão dos céticos. Aplica-se a capacidade de compreender sentidos explícitos e implícitos, conforme o padrão requerido em provas de vestibulares e concursos.

Alternativa correta: D) agem por motivações egoístas, buscando aumentar as sensações agradáveis e diminuir as desagradáveis.

Justificativa: Os próprios céticos citados no excerto sugerem que os ratos libertam o companheiro não por empatia, mas para fazer cessar sensações desagradáveis desencadeadas pelos sinais de estresse do outro rato. Isso indica uma motivação egoísta e imediatista, centrada no próprio alívio, não no bem-estar do outro. Nessa análise, o comportamento visa a diminuição do desconforto individual, conceito-chave do texto. Estrategicamente, a identificação de expressões equivalentes — “motivações egoístas”, “sensações desagradáveis”, “não buscam nada além de exterminá-las” — é fundamental para a resposta segura.

Análise das alternativas incorretas:

A) Fala em respostas aleatórias e ausência de correspondência humana. O texto deixa claro que há intencionalidade, ainda que seja egoísta, logo não são atos sem direção nem desconectados do comportamento humano.

B) Sugere preocupação com relações futuras. Não há qualquer menção no texto a estratégias sociais complexas ou a consequências posteriores; trata-se de resposta imediata ao incômodo presente.

C) Usa “interesse coletivo” como critério, o que é incompatível com a tese dos céticos, já que estes defendem que o rato pensa apenas em si mesmo, e não no grupo.

E) Menciona “intenção de agredir”. O texto em momento algum sugere conduta agressiva; o foco da crítica é no motivador egoísta, não em hostilidade.

Estratégias para provas: Ao interpretar, busque palavras-chave equivalentes entre o enunciado e as alternativas; desconfie de alternativas que ampliam, reduzem ou distorcem intenções. Observe se há correspondência lógica clara com a tese apresentada, conforme orientações de textos normativos e gramáticas (Bechara, Cunha & Cintra).

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