No poema, o eu lírico defende um amor
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
(Melhores poemas, 2000.)
Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.
Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;
E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
(Melhores poemas, 2000.)
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de texto poético, com foco em identificar a natureza do amor defendido pelo eu lírico.
Para acertar esse tipo de questão, é fundamental reconhecer, além do sentimento expresso, como o eu lírico se posiciona frente ao objeto do seu afeto: se valoriza o lado espiritual, físico ou idealizado do amor. Conforme Celso Cunha e Lindley Cintra orientam, “a interpretação de poemas requer atenção ao tema central e aos elementos formais que evidenciam a intenção do autor”.
Análise do Poema:
Perceba trechos-chave: “Não me basta saber que sou amado, / Nem só desejo o teu amor: desejo / Ter nos braços teu corpo delicado, / Ter na boca a doçura de teu beijo.” Aqui, o eu lírico deixa claro que não se satisfaz apenas com o sentimento ou ideal; ele deseja proximidade e realização física do amor. O desejo é por algo concreto, carnal, “ter nos braços teu corpo delicado”.
Alternativa correta:
D) terreno, que se realize não só em sentimento, mas também fisicamente.
Justificativa: Conforme a norma-padrão e orientações de Bechara, a compreensão correta depende da coerência entre o sentido global do texto e os elementos destacados: o desejo declarado pelo corpo e pelo beijo mostra um amor terreno, concreto, que extrapola o ideal e o espiritual.
Análise das alternativas incorretas:
A) Fala-se em “recatado”, mas o eu lírico é explícito ao declarar seu desejo, tornando essa alternativa incoerente com o texto.
B) “Idealizado, que valorize sua pureza...” — Falsa, porque o eu lírico rejeita o amor puramente ideal ou platônico: ele quer o contato físico.
C) “Sagrado, em que as aspirações espirituais superem as corpóreas.” — Incorreta porque o texto busca equilibrar, ou até priorizar, o desejo físico.
E) “Contemplativo, que se alimente da imaginação e da distância...” — O eu lírico rejeita a distância e sonha com o abraço e o beijo, invalidando essa opção.
Dica estratégica: Atenção a palavras e expressões que apontam para o desejo concreto ou para o elogio da realização física. Elas sempre rebatem opções que sugerem amor platônico, abstrato ou espiritualizado.
Referências: BECHARA, Moderna Gramática Portuguesa; CUNHA & CINTRA, Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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