Questão ea68006d-b5
Prova:UESPI 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Coesão e coerência, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Observe ainda outro trecho do Texto 1: “Essas
questões linguísticas não são, claro, de pequena
monta. Há toda uma história a ser revista, há todo um
imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio
de construir uma cultura linguística positiva que faça
frente à danosa cultura do erro, que ainda embaraça
nossos caminhos.” Analise os segmentos sublinhados
e identifique o comentário correto que se faz em torno
deles.
Observe ainda outro trecho do Texto 1: “Essas
questões linguísticas não são, claro, de pequena
monta. Há toda uma história a ser revista, há todo um
imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio
de construir uma cultura linguística positiva que faça
frente à danosa cultura do erro, que ainda embaraça
nossos caminhos.” Analise os segmentos sublinhados
e identifique o comentário correto que se faz em torno
deles.
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
A
A coerência de um texto formal coíbe a
ocorrência de repetições como essas.
B
A repetição de palavras em um texto é sempre
um recurso ao qual se deve fugir.
C
Poderia ter sido evitada a repetição do verbo
haver, nesse caso, pouco expressiva.
D
Trata-se de uma repetição notadamente coesiva
e enfática.
E
A repetição do verbo haver foi exigida pelo
conteúdo do tema principal do texto.
Gabarito comentado
J
João Costa Monitor com apoio de IA
Gabarito: D
Fundamento decisivo: A repetição de "há" no trecho destacado cumpre função de coesão sequencial e de paralelismo sintático, organizando a enumeração e sustentando a correção da alternativa D.
Tema central: coesão por repetição
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma que a coerência de um texto formal coíbe repetições como essas. No trecho, ocorre o contrário: a repetição ajuda a organizar o raciocínio e a reforçar o sentido. Portanto, ela não compromete a coerência do texto formal.
B
Errada
Está errada pelo caráter absoluto de "sempre". A questão mostra justamente que a repetição pode ser um recurso expressivo, coesivo e argumentativo. Logo, não se pode dizer que seja sempre algo de que se deva fugir.
C
Errada
Está errada porque trata a repetição do verbo "haver" como pouco expressiva. No trecho, essa repetição é precisamente o que estrutura a enumeração, cria paralelismo sintático e amplia a força argumentativa do período. A possibilidade de reescrever de outro modo não elimina a função expressiva da forma escolhida.
D
Certa
A alternativa D está correta porque identifica a função textual real da repetição no trecho. O autor retoma a estrutura com “há” para encadear os elementos da enumeração dentro de um mesmo padrão sintático, o que dá unidade ao período e reforça a ideia de multiplicidade e relevância dos problemas mencionados. A repetição, nesse contexto, não é falha: é recurso expressivo que organiza e enfatiza.
E
Errada
Está errada porque atribui necessidade ao que é escolha discursiva. O conteúdo do tema não exigia obrigatoriamente a repetição de “haver”; essa repetição foi usada pelo autor para organizar a sequência e enfatizar a amplitude das questões linguísticas. Portanto, não é imposição temática, mas recurso textual.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre repetição expressiva e vício de linguagem, levando o candidato a tratar qualquer repetição em texto formal como defeito automático.
Dica para questões semelhantes
- Não elimine uma repetição só por ela existir; verifique se ela organiza a sequência e produz paralelismo.
- Desconfie de alternativas com termos absolutos como “sempre” quando o trecho mostra uso funcional da linguagem.
- Em enumerações, observe se a mesma estrutura reaparece para dar coesão e reforço argumentativo.






