Questão ea64e555-b5
Prova:UESPI 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Releia o trecho: “Não há dúvida de que, se queremos
alcançar níveis avançados de desenvolvimento, temos
de romper essa limitação decorrente de nossa história
econômica, social e cultural – que, por séculos,
mantém concentrados a riqueza material e o acesso
aos bens da cultura escrita nas mãos de poucos.” No
segmento em destaque, o autor:
Releia o trecho: “Não há dúvida de que, se queremos
alcançar níveis avançados de desenvolvimento, temos
de romper essa limitação decorrente de nossa história
econômica, social e cultural – que, por séculos,
mantém concentrados a riqueza material e o acesso
aos bens da cultura escrita nas mãos de poucos.” No
segmento em destaque, o autor:
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
Alfabetização, língua escrita e norma culta
(1) Vivemos numa sociedade tradicionalmente
pouco letrada. Nesse sentido, bastaria lembrar que temos
ainda por volta de 15% de analfabetos na população adulta
e que, entre os alfabetizados, calcula-se que apenas 25%
podem ser considerados alfabetizados funcionais, isto é, só
esta pequena parcela é capaz de ler e compreender textos
medianamente complexos. Como consequência e apesar
da expansão da alfabetização no último século, é ainda
apenas uma minoria que efetivamente domina a expressão
escrita.
(2) Não há dúvida de que, se queremos alcançar
níveis avançados de desenvolvimento, temos de romper
essa limitação decorrente de nossa história econômica,
social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a
riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas
mãos de poucos.
(3) Para isso, é indispensável diagnosticar as
muitas causas dessa situação e, em consequência,
encontrar formas de enfrentá-la adequada e eficazmente.
Andaremos, porém, mal se nem sequer conseguirmos
distinguir, com um mínimo de precisão, norma culta de
expressão escrita.
(4) O uso inflacionado da expressão norma culta
pode ter facilitado a vida e o discurso de algumas pessoas,
mas pouco ou nada tem contribuído para fazermos avançar
nossa cultura linguística. Continuamos uma sociedade
perdida em confusão em matéria de língua: temos
dificuldades para reconhecer nossa cara linguística, para
delimitar nossa(s) norma(s) culta(s) efetiva(s) e, por
consequência, para dar referências consistentes e seguras
aos falantes em geral e ao ensino de português em
particular.
(5) Parece, então, evidente que é preciso começar
a desatar estes nós, buscando desenvolver uma gestão
mais adequada das nossas questões linguísticas por meio,
inclusive, de um debate público franco e desapaixonado.
(6) Essas questões linguísticas não são, claro, de
pequena monta. Há toda uma história a ser revista, há todo
um imaginário a ser questionado, há toda uma gama de
valores e discursos a ser criticada, há todo o desafio de
construir uma cultura linguística positiva que faça frente à
danosa cultura do erro, que ainda embaraça nossos
caminhos. (...)
(7) Entendemos que o debate ganhará substância
se começarmos por dar precisão à expressão norma culta.
Continuar a confundi-la com gramática em qualquer um de
seus dois sentidos (conceitos ou preceitos), com norma-padrão ou com expressão escrita apenas continuará
escamoteando os problemas que estão aí a nos desafiar,
quer na compreensão da nossa realidade linguística, quer
na proposição de caminhos para o ensino do português.
(Carlos Alberto Faraco. Norma culta brasileira: desatando alguns
nós. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 29-31. Adaptado).
A
procura mostrar os valores da riqueza material e
dos bens da cultura.
B
faz uma crítica ao sistema injusto que tem
marcado nossa história.
C
exalta a importância de se ter acesso aos bens
da cultura escrita.
D
restringe a poucos a expansão da cultura escrita.
E
defende a centralização do patrimônio material e
cultural da sociedade.
Gabarito comentado
B
Bruno LimaMonitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O trecho “temos de romper essa limitação decorrente de nossa história econômica, social e cultural – que, por séculos, mantém concentrados a riqueza material e o acesso aos bens da cultura escrita nas mãos de poucos” combina avaliação negativa e denúncia de uma concentração histórica excludente. A construção “romper essa limitação” e a ideia de que a história “mantém concentrados” esses bens mostram crítica a um sistema injusto, o que sustenta a alternativa B.
Tema central: crítica à desigualdade histórica
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta. O trecho não destaca os valores da riqueza material e dos bens da cultura escrita em si. O foco recai sobre sua concentração “nas mãos de poucos”, isto é, sobre a distribuição desigual desses bens. A alternativa desloca o sentido do segmento da crítica à desigualdade para uma suposta valorização temática que o texto não faz.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o trecho atribui à história econômica, social e cultural do país a manutenção secular da concentração de riqueza material e de acesso à cultura escrita em um grupo restrito. Esse quadro é apresentado como “limitação” que precisa ser “rompida”, o que caracteriza denúncia de injustiça histórica, e não descrição neutra, elogio ou defesa da concentração.
C
Errada
Incorreta. No texto como um todo, o acesso à cultura escrita aparece como relevante, mas o segmento destacado não exalta essa importância; sua função específica é denunciar que esse acesso foi historicamente concentrado em poucos. A alternativa confunde o tema geral do texto com o efeito de sentido preciso do recorte pedido.
D
Errada
Incorreta. Quem restringe historicamente o acesso, segundo o trecho, é a “história econômica, social e cultural”, não o autor. A alternativa atribui ao enunciador a ação que ele critica. O segmento não prescreve nem pratica restrição; ele denuncia criticamente uma concentração já existente.
E
Errada
Incorreta. O texto não defende a centralização do patrimônio material e cultural; ao contrário, afirma que “temos de romper essa limitação”. Isso exclui qualquer leitura de adesão à centralização. A alternativa inverte o valor do trecho: transforma crítica explícita em defesa.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre descrever criticamente uma concentração histórica e defendê-la, além de induzir o leitor a trocar o foco do trecho recortado pelo tema amplo da cultura escrita.
Dica para questões semelhantes
- Identifique primeiro se o trecho é neutro ou avaliativo; expressões como “romper essa limitação” marcam julgamento negativo.
- Observe sobre o que recai o núcleo do sentido: aqui não é “bens da cultura escrita”, mas “mantém concentrados ... nas mãos de poucos”.
- Não atribua ao autor a ação que ele denuncia no texto; diferencie enunciador e objeto da crítica.
- Quando a questão recorta um segmento, responda pela função específica desse trecho, não por uma ideia geral do texto inteiro.






