Questão e8d8f12c-94
Prova:UNESP 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Da leitura dos textos, pode-se inferir corretamente que:
Da leitura dos textos, pode-se inferir corretamente que:
Texto 1
A proibição do véu islâmico, que cobre todo o rosto, aprovada pelo Senado francês, é um passo certo. Essa proibição não tem nada a ver com intolerância ou mesmo cerceamento da liberdade de praticar uma religião. O véu integral, seja o niqab ou a burca, é um obstáculo de primeira ordem à integração, que não pode ser tolerado em uma sociedade europeia aberta. O véu integral não é parte da liberdade religiosa, mas apenas instrumento da tradição, usado para privar as mulheres de suas personalidades e autonomia. A separação entre a Igreja e o Estado, na Europa, é uma grande conquista do Iluminismo.
(Bernd Riegert. Deutsche Welle. Adaptado.)
Texto 2
Há algo de profundamente cínico na lei francesa que proíbe mulheres de portar indumentárias como a burca e o niqab. Primeiro, essa lei nada tem a ver com a laicidade do Estado.
Na verdade, o Estado laico é aquele indiferente à religiosidade da sociedade. Tal distância significa duas coisas: as leis não serão influenciadas pela religião e o Estado não legisla sobre práticas e costumes religiosos. No entanto, não cabe ao Estado dizer que uma roupa é signo de opressão. Até porque a opressão é algo que só pode ser enunciado na primeira pessoa do singular (“Eu me sinto oprimido”), e não na terceira pessoa (“Você está oprimido, mesmo que não saiba
ou não tenha coragem de dizer. Vim libertá-lo”).
(Vladimir Safatle. Folha de S.Paulo, 26.04.2011. Adaptado.)
Texto 1
A proibição do véu islâmico, que cobre todo o rosto, aprovada pelo Senado francês, é um passo certo. Essa proibição não tem nada a ver com intolerância ou mesmo cerceamento da liberdade de praticar uma religião. O véu integral, seja o niqab ou a burca, é um obstáculo de primeira ordem à integração, que não pode ser tolerado em uma sociedade europeia aberta. O véu integral não é parte da liberdade religiosa, mas apenas instrumento da tradição, usado para privar as mulheres de suas personalidades e autonomia. A separação entre a Igreja e o Estado, na Europa, é uma grande conquista do Iluminismo.(Bernd Riegert. Deutsche Welle. Adaptado.)
Texto 2
Há algo de profundamente cínico na lei francesa que proíbe mulheres de portar indumentárias como a burca e o niqab. Primeiro, essa lei nada tem a ver com a laicidade do Estado.Na verdade, o Estado laico é aquele indiferente à religiosidade da sociedade. Tal distância significa duas coisas: as leis não serão influenciadas pela religião e o Estado não legisla sobre práticas e costumes religiosos. No entanto, não cabe ao Estado dizer que uma roupa é signo de opressão. Até porque a opressão é algo que só pode ser enunciado na primeira pessoa do singular (“Eu me sinto oprimido”), e não na terceira pessoa (“Você está oprimido, mesmo que não saiba
ou não tenha coragem de dizer. Vim libertá-lo”).
(Vladimir Safatle. Folha de S.Paulo, 26.04.2011. Adaptado.)
A
Os dois autores recorrem a argumentos de natureza religiosa para abordar o tema da proibição da burca na França.
B
Os dois textos condenam a separação entre Estado e religião na sociedade burguesa.
C
Embora expressem pontos de vista opostos, os dois textos apoiam-se em argumentos de natureza liberal.
D
Para os dois autores, o tema da proibição da burca é exclusivamente jurídico.
E
Os dois autores consideram a proibição da burca um ato autoritário por parte do Estado.
Gabarito comentado
R
Rodrigo GarciaMonitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: A inferência correta depende da comparação entre os dois textos e do comando "pode-se inferir corretamente": o Texto 1 recusa a leitura religiosa da questão e fundamenta a defesa da proibição em "autonomia" e na "separação entre a Igreja e o Estado" como "grande conquista do Iluminismo"; o Texto 2 invoca a laicidade, a indiferença do Estado à religiosidade da sociedade e a ideia de que "o Estado não legisla sobre práticas e costumes religiosos". Assim, a alternativa C se sustenta porque, embora defendam posições opostas sobre a proibição, ambos mobilizam valores compatíveis com uma matriz liberal, e não religiosa ou exclusivamente jurídica.
Tema central: inferência comparativa
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra ao confundir tema religioso com argumento religioso. Os textos tratam de religião e de símbolos religiosos, mas não recorrem a fundamento confessional ou doutrinário. No Texto 1, a defesa da proibição aparece ligada a "liberdade de praticar uma religião", "autonomia" e "separação entre a Igreja e o Estado". No Texto 2, a crítica à lei se apoia em "Estado laico", indiferença estatal à religiosidade e não intervenção em "práticas e costumes religiosos".
B
Errada
A alternativa é incompatível com o que os textos afirmam expressamente. O Texto 1 diz que "A separação entre a Igreja e o Estado, na Europa, é uma grande conquista do Iluminismo.", ou seja, valoriza essa separação, não a condena. O Texto 2 também a sustenta ao afirmar que o Estado laico é indiferente à religiosidade da sociedade e que "o Estado não legisla sobre práticas e costumes religiosos." Além disso, "sociedade burguesa" é acréscimo sem base textual.
C
Certa
A alternativa C está correta porque identifica a convergência de base argumentativa entre textos que chegam a conclusões opostas. O Texto 1 apoia a proibição em valores como integração, autonomia feminina, sociedade aberta e separação entre Igreja e Estado. O Texto 2 rejeita a proibição com base na laicidade, na neutralidade estatal, na não intervenção sobre costumes religiosos e na autonomia do sujeito para enunciar a própria opressão. Portanto, os textos divergem na conclusão, mas convergem no uso de valores ligados à liberdade, à autonomia e à limitação da ingerência estatal.
D
Errada
A palavra decisiva aqui é "exclusivamente", e ela torna a alternativa falsa. Embora a lei seja o objeto imediato da discussão, os textos não se limitam ao plano jurídico. Eles avançam para valores ético-políticos e filosóficos, como liberdade religiosa, autonomia, integração, opressão, laicidade e Iluminismo.
E
Errada
A generalização "os dois autores" é desmentida pelo confronto direto entre os textos. O Texto 2 efetivamente critica a intervenção estatal ao dizer que "não cabe ao Estado dizer que uma roupa é signo de opressão." Já o Texto 1 afirma que a proibição "é um passo certo". Assim, não se pode atribuir aos dois a ideia de que a proibição seja ato autoritário do Estado.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre conclusão oposta e fundamento oposto: como um texto defende a proibição e o outro a rejeita, muitos descartam que ambos possam se apoiar em valores semelhantes de liberdade, autonomia e laicidade.
Dica para questões semelhantes
- Em comparação de textos argumentativos, separe a conclusão defendida do fundamento usado para defendê-la.
- Não confunda assunto religioso com argumentação religiosa; observe se o texto fala em doutrina ou em laicidade, liberdade e Estado.
- Desconfie de alternativas com termos restritivos como "os dois" e "exclusivamente"; eles exigem confirmação integral no texto.






