Questão e8c02e16-94
Prova:UNESP 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Variação Linguística, Problemas da língua culta
Assinale a alternativa correta acerca da relação entre linguagem popular e norma culta.
Assinale a alternativa correta acerca da relação entre linguagem popular e norma culta.
Leia os dois textos.Texto 1
O livro de língua portuguesa ‘Por uma Vida Melhor’, adotado pelo Ministério da Educação (MEC), contém alguns erros gramaticais. “Nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe” são dois exemplos de erros. Na avaliação dos autores
do livro, o uso da língua popular, ainda que contendo erros, é válido. Os escritores também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. A autora Heloisa Ramos justifica o conteúdo da obra. “O importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa.”
(www.opiniaoenoticia.com.br. Adaptado.)
Texto 2
Ninguém de bom-senso discorda de que a expressão popular tem validade como forma de comunicação. Só que é preciso que se reconheça que a língua culta reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A linguagem popular a que alguns colegas meus se referem, por sua vez, não apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam desenvolver ideias de maior complexidade – tão caras a uma sociedade que almeja evoluir. Por isso, é óbvio que não cabe às escolas ensiná-la.
(Evanildo Bechara. Veja, 01.06.2011. Adaptado.)
Leia os dois textos.
Texto 1
O livro de língua portuguesa ‘Por uma Vida Melhor’, adotado pelo Ministério da Educação (MEC), contém alguns erros gramaticais. “Nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe” são dois exemplos de erros. Na avaliação dos autores
do livro, o uso da língua popular, ainda que contendo erros, é válido. Os escritores também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. A autora Heloisa Ramos justifica o conteúdo da obra. “O importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa.”
do livro, o uso da língua popular, ainda que contendo erros, é válido. Os escritores também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”. A autora Heloisa Ramos justifica o conteúdo da obra. “O importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa.”
(www.opiniaoenoticia.com.br. Adaptado.)
Texto 2
Ninguém de bom-senso discorda de que a expressão popular tem validade como forma de comunicação. Só que é preciso que se reconheça que a língua culta reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A linguagem popular a que alguns colegas meus se referem, por sua vez, não apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam desenvolver ideias de maior complexidade – tão caras a uma sociedade que almeja evoluir. Por isso, é óbvio que não cabe às escolas ensiná-la.
(Evanildo Bechara. Veja, 01.06.2011. Adaptado.)
A
Os dois textos apresentam preocupação com a prática do preconceito linguístico sobre pessoas que se expressam fora dos padrões cultos da língua portuguesa.
B
Os dois textos defendem ser possível expressar ideias filosóficas tanto em linguagem popular quanto seguindo os padrões da norma culta.
C
Para Evanildo Bechara, não existem critérios que possam definir graus de superioridade ou inferioridade entre linguagem popular e norma culta.
D
O texto 2 sugere que a norma culta é instrumento de dominação das elites burguesas sobre as classes populares.
E
Para Evanildo Bechara, a norma culta é superior no que se refere à capacidade de expressão de ideias complexas no campo cultural.
Gabarito comentado
L
Lucas OliveiraMonitor com apoio de IA
Gabarito: E
Fundamento decisivo: O texto 2 afirma que a língua culta reúne “infinitamente mais qualidades e valores” e que a linguagem popular não permite desenvolver ideias de maior complexidade. Esse trecho é o núcleo textual que sustenta a alternativa correta.
Tema central: norma culta e linguagem popular
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque a referência a “preconceito linguístico” aparece no texto 1: “Os escritores também ressaltam que, caso deixem a norma culta, os alunos podem sofrer “preconceito linguístico”.” O texto 2 não manifesta essa preocupação; ao contrário, hierarquiza as variedades e desqualifica a linguagem popular para a expressão de ideias complexas.
B
Errada
Incorreta porque o texto 2 nega explicitamente a equivalência expressiva entre linguagem popular e norma culta. Ao dizer que a língua culta “é a única” capaz de produzir e traduzir pensamentos da filosofia, literatura, artes e ciências, e que a linguagem popular não permite desenvolver ideias de maior complexidade, o autor exclui a possibilidade afirmada na alternativa.
C
Errada
Incorreta porque Bechara apresenta, sim, critérios de superioridade. O texto 2 afirma que a língua culta reúne “infinitamente mais qualidades e valores” e a coloca como única apta a exprimir certos pensamentos complexos. Isso é exatamente o oposto da ausência de critérios proposta pela alternativa.
D
Errada
Incorreta por extrapolação indevida. O texto 2 não fala em elites burguesas, dominação social nem instrumentalização da norma culta para controle de classes. Essa leitura sociológica não está formulada no texto e não pode ser inferida legitimamente a partir do trecho dado.
E
Certa
A alternativa E traduz com fidelidade a tese explícita do texto 2. Nele, Bechara afirma superioridade valorativa da língua culta (“infinitamente mais qualidades e valores”), atribui a ela exclusividade na formulação de pensamentos ligados à filosofia, literatura, artes e ciências e nega à linguagem popular recursos para desenvolver ideias mais complexas. Portanto, a conclusão correta não é uma opinião externa ao texto, mas uma inferência direta autorizada por afirmações expressas no próprio trecho.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: a concessão inicial do texto 2, que reconhece validade comunicativa da expressão popular, pode levar o candidato a supor igualdade entre as variedades; além disso, o tema “preconceito linguístico”, presente só no texto 1, pode ser indevidamente projetado sobre o texto 2.
Dica para questões semelhantes
- Em comparação de textos, separe o que cada autor afirma explicitamente antes de procurar pontos em comum.
- Quando uma alternativa disser “os dois textos”, confirme se a ideia aparece nos dois, e não apenas em um deles.
- Dê peso decisivo a expressões categóricas do texto, como “é a única” e “infinitamente mais qualidades e valores”, porque elas delimitam a tese do autor.
- Elimine alternativas que introduzem debate ideológico ou sociológico ausente do texto-base.






