Questão e7f1e949-d9
Prova:UFTM 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

O efeito de humor na canção do compositor cearense Falcão decorre do emprego, entre outros recursos, de

Instrução: Leia a letra da canção de Falcão para responder à questão.

Horóscopo

Áries – Não subestime a sua incapacidade
Touro – Fique tranquilo em relação à sua própria infelicidade Gêmeos – Uma semana vem, outra semana vai
Câncer – Alguém telefonará e você atenderá e depois desligará
Leão – A solução dos seus problemas só lhe dará tranquilidade
Virgem – Nem que a tristeza lhe consuma, não morra, não esmoreça, sob hipótese nenhuma

É ganhando que se ganha
É empatando que se empata
É perdendo que se perde
É nascendo que se nasce
É morrendo que se morre
É vivendo que se “veve”

Libra – A lua em Saturno quer dizer alguma coisa
Escorpião – Não seja impertinente, você terá nas mãos os dez dedos de sempre
Sagitário – Uma pessoa idosa não fará nenhuma diferença
Capricórnio – No entanto, aquele alguém, que goza de saúde, poderá pegar uma doença
Aquário – No mais será tudo igual, pois o período propicia
Peixes – E tudo se encaminha para um fim de semana com apenas dois dias.

(www.vagalume.com.br)

A
linguagem redundante.
B
imprecisão semântica.
C
termos ambíguos.
D
expressões antônimas.
E
vocabulário obsceno.

Gabarito comentado

T
Thiago Oliveira Monitor com apoio de IA

Gabarito: A

Fundamento decisivo: A resposta é A porque o humor é produzido sobretudo pela redundância semântico-textual, isto é, por enunciados tautológicos e circulares que repetem o conteúdo já implicado no próprio verbo, como em “É ganhando que se ganha / É empatando que se empata / É perdendo que se perde / É nascendo que se nasce / É morrendo que se morre”. Esse traço, central na paródia do horóscopo, esvazia o conteúdo preditivo e sustenta o gabarito oficial.

Tema central: humor por redundância
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a canção transforma obviedades em supostas previsões astrológicas. O humor nasce do esvaziamento informacional: o texto afirma o que já é evidente ou já está implicado no sentido das palavras, como nos versos tautológicos e em formulações como “Alguém telefonará e você atenderá e depois desligará” e “fim de semana com apenas dois dias”. Esse padrão recorrente caracteriza linguagem redundante, não como falha acidental, mas como recurso proposital de paródia.
B
Errada
Há, de fato, verso vago, como “A lua em Saturno quer dizer alguma coisa”, mas isso não organiza o efeito principal do texto. O conjunto da canção constrói o humor sobretudo por previsões óbvias, tautológicas e banais. Portanto, a imprecisão semântica pode aparecer pontualmente, mas não é o recurso decisivo pedido na questão.
C
Errada
Os enunciados não dependem de dupla interpretação lexical ou sintática. Em geral, o texto é literal, e a comicidade não vem de ambiguidade de termos, mas da trivialidade do conteúdo apresentado como se fosse revelação importante. Nonsense e obviedade não equivalem a ambiguidade.
D
Errada
Mesmo que apareçam palavras de campos opostos, como “ganhando” e “perdendo”, o humor não se estrutura por expressões antônimas. Cada verso funciona como uma tautologia autônoma: “É ganhando que se ganha”, “É perdendo que se perde”. O mecanismo central é a repetição circular do mesmo conteúdo, não a oposição entre contrários.
E
Errada
A letra não apresenta vocabulário obsceno. Há marca coloquial em “veve”, mas coloquialidade não é obscenidade. Assim, essa alternativa é excluída por ausência do traço lexical indicado no texto-base.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre vagueza ocasional e recurso dominante do texto: alguns versos podem parecer imprecisos, mas o padrão que realmente produz o humor é a obviedade redundante travestida de previsão de horóscopo.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o padrão que se repete no texto inteiro, não um verso isolado que possa desviar a leitura.
  • Quando a questão pedir o recurso responsável pelo humor, verifique se o efeito nasce de ambiguidade, vagueza ou repetição do óbvio; aqui, é repetição do óbvio.
  • Em textos que parodiam um gênero, compare o que se espera desse gênero com o que o texto entrega de fato.
  • Se o enunciado apenas reafirma o que já está contido no sentido da expressão, o critério relevante é redundância, tautologia ou obviedade proposital.

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