Questão e7ae6492-94
Prova:UNESP 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

O termo marqueteiro, presente nesta frase, foi formado em português por influência do inglês e tem como uma de suas acepções usuais:

                   O fim do marketing
A empresa vende ao consumidor
— com a web não é mais assim


Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
todas essas atividades.
(...)
Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
concepções industriais na definição e marketing de produtos.
(...)

Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
de condições específicas. Compradores e vendedores
trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
e serviços.
(...)
A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
(a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
(o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
(...)
Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
“mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
Os consumidores com frequência têm acesso a informações
sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
pública” online.
   Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

A
consumidor de mercado.
B
construtor de marquises de lojas.
C
investidor do mercado financeiro.
D
profissional de marketing.
E
empresário de supermercado.

Gabarito comentado

B
Bruna FerreiraMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é o sentido contextual da palavra no campo lexical do texto. Em “Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.”, lido à luz de “O fim do marketing” e de “os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e promoção”, “marqueteiros” designa os agentes ligados ao marketing e ao controle da mensagem; por isso, a acepção correta é a de profissional de marketing.

Tema central: sentido contextual de marqueteiro
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto distingue claramente consumidores e marqueteiros. Os consumidores aparecem como aqueles que ganham poder e passam a controlar regras e mensagens; os marqueteiros são os agentes que perdem esse controle. Portanto, “marqueteiro” não significa consumidor.
B
Errada
Está errada por falsa associação sonora entre “marqueteiro” e “marquise”. O texto não trata de construção, arquitetura ou lojas nesse sentido, mas de marketing, publicidade e mercado. Não há base contextual nem lexical para ligar a palavra a construtor de marquises.
C
Errada
Está errada porque a alternativa desloca o sentido de “mercado” para o campo financeiro, que não é o foco semântico do texto. Aqui, o texto trata de marketing, promoção, preços, publicidade e relação entre empresas e consumidores, não de investimento financeiro nem de investidor.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o texto inteiro se organiza em torno de marketing, publicidade, promoção, empresas, consumidores e controle da mensagem. Nesse universo semântico, “marqueteiro” nomeia quem atua nesse campo profissional, isto é, quem trabalha com marketing e com estratégias de mercado e comunicação. A frase final confirma isso ao atribuir a esses agentes a perda do controle antes exercido sobre a mensagem e o mercado.
E
Errada
Está errada porque reduz indevidamente “mercado” a supermercado ou comércio varejista específico. O texto não restringe a discussão a esse setor; trabalha com marketing em sentido amplo. Assim, “marqueteiro” não é empresário de supermercado, mas agente do campo do marketing.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca do sentido contextual por associações indevidas: confundir “marqueteiro” com qualquer participante do mercado, com mercado financeiro, com supermercado ou até com palavra parecida no som. O texto, porém, delimita o sentido pelo campo lexical de marketing e comunicação.
Dica para questões semelhantes
  • Defina o sentido da palavra pelo campo lexical dominante do texto, não por semelhança sonora com outras palavras.
  • Observe os papéis que o próprio texto distribui: aqui, consumidores, empresas e marqueteiros não ocupam a mesma função.
  • Quando a questão pedir acepção usual contextual, o critério principal é semântico-textual, não a forma isolada da palavra.

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