Questão e79fb738-94
Prova:UNESP 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Homonímia, Paronímia, Sinonímia e Antonímia, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens" unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.

Nesta passagem do quinto parágrafo, ao empregar a expressão consumidores sem rosto e sem poder, o autor sugere que:

                   O fim do marketing
A empresa vende ao consumidor
— com a web não é mais assim


Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
todas essas atividades.
(...)
Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
concepções industriais na definição e marketing de produtos.
(...)

Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
de condições específicas. Compradores e vendedores
trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
e serviços.
(...)
A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
(a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
(o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
(...)
Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
“mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
Os consumidores com frequência têm acesso a informações
sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
pública” online.
   Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

A
nas compras via internet, o consumidor é sempre anônimo.
B
no sistema de marketing tradicional, pensa-se nos consumidores como massa, e não como indivíduos personalizados.
C
a identidade e a opinião do consumidor não interessam a nenhum comerciante, mas apenas as vendas.
D
o anonimato é o princípio fundamental de todo tipo de comércio.
E
o poder do consumidor é proporcional ao dinheiro que possui.

Gabarito comentado

M
Mariana AlmeidaMonitor com apoio de IA

Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.”, a expressão é metafórica: “sem rosto” indica desindividualização e “sem poder” indica ausência de influência sobre a mensagem e o mercado no modelo tradicional. Esse critério textual leva à alternativa B, que entende o consumidor como massa, e não como indivíduo personalizado.

Tema central: sentido contextual metafórico
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por fazer leitura literal de “sem rosto” e ainda deslocar a passagem para “compras via internet”. O trecho citado caracteriza o marketing tradicional, não o comércio online, e “sem rosto” não significa anonimato literal, mas desindividualização do consumidor.
B
Certa
A alternativa B traduz exatamente o sentido construído pelo texto para a expressão. O trecho associa o marketing tradicional a mensagens “unidirecionais”, “de um-para-muitos” e “de tamanho único”, o que mostra comunicação padronizada e impessoal. Além disso, o texto opõe esse modelo à nova realidade em que “São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem.” Logo, antes disso, o consumidor aparecia como público massificado, sem individualização e sem participação efetiva.
C
Errada
A alternativa extrapola o texto ao afirmar que a identidade e a opinião do consumidor não interessam a “nenhum comerciante”. O autor critica um modelo de comunicação impessoal e vertical, mas não formula esse juízo universal sobre todos os comerciantes.
D
Errada
A alternativa universaliza indevidamente a ideia de “sem rosto”, transformando-a em princípio de “todo tipo de comércio”. O texto faz o contrário: delimita um modelo específico, o marketing tradicional, e o contrapõe ao ambiente digital participativo.
E
Errada
A alternativa atribui a “poder” um sentido de poder aquisitivo que não aparece no texto. O poder mencionado é influência sobre preços, produtos, mensagem e opinião pública, como se vê na afirmação de que os consumidores “escolhem o meio e a mensagem”.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre sentido metafórico e sentido literal: “sem rosto” não é anonimato, e “sem poder” não é falta de dinheiro; a expressão descreve impessoalização e ausência de influência no modelo tradicional.
Dica para questões semelhantes
  • Interprete expressões metafóricas pelo contexto imediato, não pelo sentido literal isolado das palavras.
  • Observe marcas como “de um-para-muitos” e “de tamanho único”: elas revelam massificação e ajudam a definir o sentido da expressão.
  • Confira sempre a oposição estrutural do texto; aqui, o contraste entre marketing tradicional e internet esclarece o significado da passagem.
  • Desconfie de alternativas com termos absolutos como “sempre”, “todo” e “nenhum” quando o texto descreve apenas um modelo específico.

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