Questão e672d732-29
Prova:UNIFESP 2005
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Os versos denunciam

INSTRUÇÃO: Leia os versos de Olavo Bilac e responda às questões

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E, natural, o efeito agrade,
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.

A
vocabulário simples e pouca preocupação com as qualidades técnicas do poema, já que as sugestões sonoras não estão neles presentes.
B
emoção expressa racionalmente, embora seja bastante evidente o caráter subjetivo na construção das imagens.
C
a busca da perfeição na expressão, visando ao universalismo, como exemplificam os termos Beleza e Verdade, grafados com maiúsculas.
D
o afastamento da realidade social, decorrente de uma visão idealizada do mundo, descrito por metáforas pouco objetivas
E
a forma de expressão pouco idealizada, resultante de uma concepção de mundo marcada pela complexidade que, nos versos, se manifesta em vocabulário seleto.

Gabarito comentado

T
Thiago Oliveira Monitor com apoio de IA

Gabarito: C

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a leitura dos versos como formulação de uma poética parnasiana explícita: "Não se mostre na fábrica o suplício / Do mestre. E, natural, o efeito agrade, / Sem lembrar os andaimes do edifício: // Porque a Beleza, gêmea da Verdade, / Arte pura, inimiga do artifício, / É a força e a graça na simplicidade." O trecho mostra que a arte deve ocultar o esforço de composição e produzir efeito natural, o que sustenta a alternativa que associa o texto à busca da perfeição expressiva e ao universalismo.

Tema central: poética parnasiana
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma pouca preocupação técnica, mas o texto faz justamente o contrário: tematiza o trabalho formal do artista por meio de "fábrica", "suplício", "andaimes" e "edifício". A simplicidade defendida é efeito de elaboração rigorosa, não ausência de técnica.
B
Errada
Está errada porque desloca o foco para emoção subjetiva, quando o poema funciona principalmente como enunciação de uma poética. Os versos definem o que deve ser a arte em termos gerais e conceituais; não há centralidade de confissão íntima nem de imagética subjetiva.
C
Certa
A alternativa C está correta porque os versos formulam um ideal de arte baseado em elaboração rigorosa e acabamento perfeito: o trabalho existe, mas não deve aparecer no resultado final, como mostram "Não se mostre na fábrica o suplício / Do mestre" e "Sem lembrar os andaimes do edifício". Além disso, "a Beleza, gêmea da Verdade" apresenta esses termos como valores abstratos e universalizados, o que sustenta exatamente a ideia de perfeição expressiva voltada ao universalismo.
D
Errada
Está errada porque introduz realidade social, tema inexistente no texto. Além disso, as metáforas empregadas não são pouco objetivas: "fábrica", "andaimes" e "edifício" são imagens concretas que organizam racionalmente a ideia de composição artística.
E
Errada
Está errada porque fala em expressão pouco idealizada e concepção marcada pela complexidade, mas o poema idealiza explicitamente a arte ao vinculá-la a "Beleza" e "Verdade" e afirma como valor estético "a força e a graça na simplicidade". O vocabulário elevado não autoriza concluir complexidade como núcleo da concepção apresentada.
Pegadinha da questão
A confusão explorada pela banca é tomar a simplicidade do efeito final como sinal de falta de técnica ou de espontaneísmo, quando o texto afirma exatamente o oposto: a simplicidade deve resultar de construção rigorosa e invisível.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o poema fala da própria arte, identifique primeiro qual programa estético ele enuncia antes de buscar emoção ou tema social.
  • Se aparecerem imagens de construção, trabalho ou arquitetura, verifique se elas estão marcando elaboração formal, e não improviso.
  • Termos abstratos em destaque, como "Beleza" e "Verdade", costumam sinalizar universalização de valores, não referência particular.

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