Questão e29bcfd7-d9
Prova:UEPA 2009
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

Com base no texto a seguir, responda à questão.


A instabilidade das cousas do mundo

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

(Gregório de Matos) 


Considere as afirmações sobre o poema:


I. O autor utiliza o Sol, a beleza e a alegria para ilustrar a efemeridade da vida;

II. O poeta afirma que a única coisa firme é o fato de nada ser constante;

III. O autor utiliza um paradoxo na última estrofe, o que não é próprio da estética Barroca;

IV. O acúmulo de antíteses e a estrutura interrogativa são recursos estilísticos utilizados pelo autor para sustentar sua argumentação.


Assinale a alternativa correta. 

A
Apenas as afirmativas I e II estão corretas.
B
Apenas as afirmativas II, III, IV estão corretas.
C
Apenas as afirmativas III e IV estão corretas.
D
Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
E
Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.

Gabarito comentado

D
Domingos CamposMonitor com apoio de IA

Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a tese explícita do soneto, formulada no fecho: "E tem qualquer dos bens por natureza / A firmeza somente na inconstância." Esse trecho explicita, em construção paradoxal, que a única permanência dos bens do mundo é a inconstância; por isso, as afirmativas II e IV se confirmam, a I se mantém como exemplificação da transitoriedade e a III se invalida, conduzindo ao gabarito E.

Tema central: inconstância do mundo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque elimina a IV, mas o texto efetivamente usa recursos formais para sustentar a ideia central: há antíteses em "Luz" e "noite escura", "formosura" e "tristes sombras", "alegria" e "tristezas", e há sequência interrogativa em "Porém se acaba o Sol, por que nascia? / Se é tão formosa a Luz, por que não dura?". Esses elementos não são ornamento solto; estruturam a argumentação do poema.
B
Errada
Está errada por dois motivos textuais objetivos. Primeiro, inclui a III, mas a formulação final "A firmeza somente na inconstância" é paradoxal e compatível com a estética barroca, não contrária a ela. Segundo, exclui a I, embora o primeiro quarteto apresente justamente Sol, formosura e alegria como realidades transitórias.
C
Errada
Está errada porque toma a III como correta, quando sua segunda parte é falsa: o paradoxo final é traço compatível com o Barroco. Além disso, ignora a I e a II, ambas sustentadas pelo texto: a I pelo conjunto de imagens de transitoriedade no início do soneto; a II pelo fecho explícito sobre a "firmeza" estar apenas na "inconstância".
D
Certa
A alternativa E está correta porque reúne exatamente as afirmativas compatíveis com o poema. A I se sustenta em "Nasce o Sol, e não dura mais que um dia" e na sequência "Em tristes sombras morre a formosura, / Em contínuas tristezas a alegria", em que Sol, formosura e alegria aparecem como exemplos do que se desfaz. A II é confirmada de modo direto pelo fecho: "A firmeza somente na inconstância." A IV também procede, porque o poema organiza sua reflexão por oposições como luz/noite escura, formosura/sombras, alegria/tristezas e por perguntas como "por que não dura?", que funcionam como questionamento retórico para enfatizar a instabilidade. A III fica excluída porque reconhece corretamente o paradoxo final, mas erra ao dizer que isso não é próprio da estética barroca.
E
Errada
Está errada porque inclui a III, que contraria o valor barroco do paradoxo presente na última estrofe, e exclui a IV, apesar de a estrutura interrogativa e o acúmulo de oposições semânticas serem evidentes no desenvolvimento do poema. O erro da alternativa é desarticular forma e sentido, quando o texto os integra.
Pegadinha da questão
A banca explora a afirmativa III, que mistura um dado correto parcial — há paradoxo na última estrofe — com uma conclusão falsa — dizer que isso não é próprio do Barroco. Outra confusão real é ler as perguntas como dúvida meramente informativa, quando elas funcionam como recurso retórico de intensificação da tese da instabilidade.
Dica para questões semelhantes
  • Localize o fecho do texto quando ele explicita a tese; aqui, a conclusão decide o sentido global do poema.
  • Não separe recurso estilístico de argumento: antíteses e perguntas podem ser o próprio modo de sustentar a ideia central.
  • Desconfie de afirmativas mistas: quando uma parte está certa e a outra falseia o valor do recurso, a afirmativa inteira fica errada.

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