O continente africano é associado, de uma forma geral, a
situações complexas e difíceis, como o continente, entre
outros, de origem do vírus da Aids e do ebola, do
subdesenvolvimento, da fome, de guerras.
Essa visão decorre de um processo histórico que pode ser
corretamente associado
Pandemia é uma epidemia que se espalha por
uma região muito grande, como um continente,
ou até por todo o mundo. Uma doença é
considerada pandemia quando é altamente
contagiosa e, ao se difundir, mata grande número
de pessoas. O câncer, por exemplo, é responsável
por um número muito grande de mortes, mas não
é considerado pandemia porque não é uma
doença infecciosa, como a Aids (Síndrome da
Imunodeficiência Adquirida).
Pelo menos 30 novas doenças foram descobertas
em diversas partes do mundo, nos últimos 20
anos. Características do mundo atual, como
pobreza urbana, negligência no desenvolvimento
de vacinas e baixa qualidade nos serviços de
saúde pública, entre outras, potencializam os
efeitos das pandemias. (PANDEMIAS..., 2014).
Gabarito comentado
Tema central: O foco da questão é a associação do continente africano a estereótipos negativos – como origem de pandemias, pobreza e guerras – e qual processo histórico está por trás dessa visão.
Explicação teórica: Durante o século XIX, as potências europeias colonizaram a África, justificando sua dominação usando o Darwinismo Social. Essa doutrina (leia-se Herbert Spencer) distorce ideias darwinistas para afirmar que alguns povos seriam “superiores” e, por isso, teriam o direito de dominar outros considerados “inferiores”. Isso serviu de base para a colonização, mascarando interesses econômicos com um discurso “civilizatório”. A Conferência de Berlim definiu fronteiras sem considerar diferenças culturais africanas, agravando problemas sociais e étnicos.
Justificativa para a alternativa correta (D):
A alternativa D está correta, pois a visão depreciativa da África nasceu justamente do imperialismo europeu, que usou o Darwinismo Social para legitimar a exploração do continente, atribuindo-lhe características de atraso e incapacidade. Essa ideologia ignorou as ricas civilizações africanas pré-coloniais (ex.: impérios de Mali e Gana).
Análise das incorretas:
A) Afirma que inexistiam civilizações africanas complexas antes da colonização, o que é falso. O continente abrigava sociedades avançadas e organizadas.
B) Apesar do tráfico negreiro ter retirado a dignidade dos povos africanos, não justifica o “complexo de inferioridade” atual e não aborda diretamente o paradigma do darwinismo social/imperialismo.
C) Inverte causa e consequência: as potências europeias exacerbaram conflitos ao impor fronteiras artificiais, não o contrário.
E) Demonstra visão paternalista e ignora o protagonismo africano nas lutas emancipacionistas. Não foi a incapacidade dos africanos que provocou a descolonização.
Estratégia para interpretar a questão: Identifique termos-chave como “justificativa ideológica”, “superioridade racial” e “imperialismo”. Questões assim, frequentemente, cobram a distinção entre discurso de dominação (justificativas ideológicas) e fatos históricos (ações concretas).
Dica importante: Desconfie de alternativas que naturalizam a “inferioridade” africana, associando-a à ausência de civilizações ou incapacidade política – trata-se de visão eurocêntrica e cientificamente refutada.
Resumo: A alternativa D explica corretamente a origem histórica da visão negativa sobre a África, baseada em doutrinas de dominação e falsas teorias de superioridade racial.
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