Conforme a argumentação do educador espanhol, é CORRETO afirmar:
Texto 3
O educador espanhol Jorge Larrosa Bondia, em ensaio nomeado “Notas sobre a experiência e o saber
da experiência”3
discute a falta de oportunidades, contemporaneamente, para que as pessoas tenham
experiências significativas. Segue um excerto desse ensaio, em que Larrosa Bondia fala sobre a
natureza humana e sobre o que seria, efetivamente, uma experiência:
“As palavras determinam nosso pensamento porque não pensamos com pensamentos, mas com
palavras, não pensamos a partir de uma suposta genialidade ou inteligência, mas a partir de nossas
palavras. E pensar não é somente “raciocinar” ou “calcular” ou “argumentar”, como nos tem sido
ensinado algumas vezes, mas é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece. E isto, o
sentido ou o sem-sentido, é algo que tem a ver com as palavras. E, portanto, também tem a ver com as
palavras o modo como nos colocamos diante de nós mesmos, diante dos outros e diante do mundo em
que vivemos. E o modo como agimos em relação a tudo isso. Todo mundo sabe que Aristóteles definiu
o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão, porém, é muito mais “vivente dotado de
palavra” do que “animal dotado de razão” ou “animal racional”. Se há uma tradução que realmente trai,
no pior sentido da palavra, é justamente essa de traduzir logos por ratio. E a transformação de zôon,
vivente, em animal. O homem é um vivente com palavra. E isto não significa que o homem tenha a
palavra ou a linguagem como uma coisa, ou uma faculdade, ou uma ferramenta, mas que o homem é
palavra, que o homem é enquanto palavra, que todo humano tem a ver com a palavra, se dá em
palavra, está tecido de palavras, que o modo de viver próprio desse vivente, que é o homem, se dá na
palavra e como palavra. (BONDIA, 2002, p. 21).
3BONDIA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro ,
n. 19, p. 20-28, Abr. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
24782002000100003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 30 abr.2021.
Texto 3
O educador espanhol Jorge Larrosa Bondia, em ensaio nomeado “Notas sobre a experiência e o saber da experiência”3 discute a falta de oportunidades, contemporaneamente, para que as pessoas tenham experiências significativas. Segue um excerto desse ensaio, em que Larrosa Bondia fala sobre a natureza humana e sobre o que seria, efetivamente, uma experiência:
“As palavras determinam nosso pensamento porque não pensamos com pensamentos, mas com palavras, não pensamos a partir de uma suposta genialidade ou inteligência, mas a partir de nossas palavras. E pensar não é somente “raciocinar” ou “calcular” ou “argumentar”, como nos tem sido ensinado algumas vezes, mas é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece. E isto, o sentido ou o sem-sentido, é algo que tem a ver com as palavras. E, portanto, também tem a ver com as palavras o modo como nos colocamos diante de nós mesmos, diante dos outros e diante do mundo em que vivemos. E o modo como agimos em relação a tudo isso. Todo mundo sabe que Aristóteles definiu o homem como zôon lógon échon. A tradução desta expressão, porém, é muito mais “vivente dotado de palavra” do que “animal dotado de razão” ou “animal racional”. Se há uma tradução que realmente trai, no pior sentido da palavra, é justamente essa de traduzir logos por ratio. E a transformação de zôon, vivente, em animal. O homem é um vivente com palavra. E isto não significa que o homem tenha a palavra ou a linguagem como uma coisa, ou uma faculdade, ou uma ferramenta, mas que o homem é palavra, que o homem é enquanto palavra, que todo humano tem a ver com a palavra, se dá em palavra, está tecido de palavras, que o modo de viver próprio desse vivente, que é o homem, se dá na palavra e como palavra. (BONDIA, 2002, p. 21).
3BONDIA, Jorge Larrosa. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro ,
n. 19, p. 20-28, Abr. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-
24782002000100003&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 30 abr.2021.
Gabarito comentado
Gabarito comentado:
Tema central: Trata-se de uma questão de interpretação de texto, que exige do candidato a habilidade de analisar ideias principais, identificar argumentação e fazer inferências com base no texto de Jorge Larrosa Bondia.
Justificativa da alternativa correta (B):
O texto afirma que “pensar não é somente 'raciocinar' ou 'calcular', mas é sobretudo dar sentido ao que somos e ao que nos acontece” e que "as palavras determinam nosso pensamento". Ou seja, a reflexão e a subjetividade da espécie humana são mediadas pela linguagem. Por isso, a alternativa B está correta: destaca que a linguagem é o ponto central da experiência humana e que o ser humano pensa sobre o próprio pensamento usando palavras.
Na norma-padrão, segundo Bechara, “a compreensão semântica requer analisar o contexto e as inferências sugeridas pelo texto”. O conceito de metacognição (pensar sobre o pensar) é tratado no texto como um diferencial humano, mediado por palavras.
Análise das alternativas incorretas:
A) Enfatiza raciocínio, cálculo e previsão como diferencial humano, contrariando o texto, que critica a redução do homem ao cálculo. O próprio texto adverte contra traduzir logos como razão apenas.
C) Sugere fatalismo e ausência de controle sobre a vida, o que não é abordado no texto. O trecho “as palavras determinam nosso pensamento” significa mediação linguística do sentido, e não destino inevitável.
D) Novamente foca na capacidade científica/matemática, descuidando do verdadeiro argumento do autor, que denuncia essa visão reducionista do ser humano; o texto valoriza a linguagem e seu papel na construção do sentido.
Estratégia para questões desse tipo: Leia atentamente para perceber as palavras-chave (ex.: linguagem, palavra, sentido) e evite ser atraído(a) por respostas que repitam conceitos comuns de fora do texto (ex.: “animal racional”). Atenção às oposições feitas pelo autor e à crítica à tradução errada de termos, pois são pistas centrais.
Resumo: A resposta correta exige que o candidato reconheça que, para Larrosa, o que caracteriza o homem é a linguagem como construção de sentido, não o simples raciocínio ou cálculo.
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