No poema, o eu lírico sente-se
Cruz na porta da tabacaria!
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-’star que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.
Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.
Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou.
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.
Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.
Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou.
(Obra poética, 1997.)
Quem morreu? O próprio Alves? Dou
Ao diabo o bem-’star que trazia.
Desde ontem a cidade mudou.
Quem era? Ora, era quem eu via.
Todos os dias o via. Estou
Agora sem essa monotonia.
Desde ontem a cidade mudou.
Ele era o dono da tabacaria.
Um ponto de referência de quem sou.
Eu passava ali de noite e de dia.
Desde ontem a cidade mudou.
Meu coração tem pouca alegria,
E isto diz que é morte aquilo onde estou.
Horror fechado da tabacaria!
Desde ontem a cidade mudou.
Mas ao menos a ele alguém o via,
Ele era fixo, eu, o que vou,
Se morrer, não falto, e ninguém diria:
Desde ontem a cidade mudou.
Gabarito comentado
Gabarito comentado:
Tema central: Esta questão exige interpretação de texto e análise semântica, competências fundamentais para concursos. É necessário identificar com precisão o sentimento e o estado emocional predominante do eu lírico diante da morte do dono da tabacaria.
Justificativa da alternativa correta (A):
No poema, o trecho "Meu coração tem pouca alegria" revela explicitamente um estado de melancolia. Já a expressão repetida "Desde ontem a cidade mudou" denuncia um sentimento de desorientação e estranhamento diante da nova realidade após a perda. A referência constante ao dono da tabacaria como “um ponto de referência de quem sou” reforça a noção de perda de orientação. Ainda, há grande introspecção e tristeza, percebida nas reflexões sobre sua própria existência (“Se morrer, não falto, e ninguém diria”).
De acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), a interpretação textual envolve a busca de detalhes explícitos e implícitos que sustentam as emoções do texto. Aqui, a análise objetiva mostra desorientação (perda do ponto de referência) e melancolia (sentimento de tristeza profunda).
Análise das alternativas incorretas:
- B) Desamparado e entediado: "Desamparado" poderia remeter a perda, mas "entediado" significa apatia, ausência de interesse, não tristeza. O texto expressa dor e não tédio.
- C) Nostálgico e orgulhoso: "Nostálgico" sugere saudade, que não é foco central; "orgulhoso" é sentimento inexistente no poema.
- D) Perplexo e eufórico: "Eufórico" é totalmente oposto à melancolia sentida pelo eu lírico; não há sinal de alegria ou animação.
- E) Aliviado e resignado: O texto não indica alívio e sim tristeza. "Resignado" envolveria aceitação tranquila, o que não se observa: prevalecem revolta e estranhamento.
Estratégia para futuras questões: Fique atento a termos-chave que sinalizam emoções, como “alegria”, “tristeza”, “mudança” ou “horror”. Compare sempre todos os elementos presentes no texto com cada alternativa, evitando interpretações apenas superficiais.
Conclusão: A alternativa A) desorientado e melancólico é a única que representa, com exatidão, o estado emocional do eu lírico, fundamentada na interpretação semântica e nos elementos do próprio texto.
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