Nos versos “Minha bela Marília, tudo passa;/
(...) Ornemos nossas testas com as flores,/ E
façamos de feno um brando leito”, o poeta
revela seu desejo de aproveitar a vida na
companhia da amada, característica árcade
denominada carpe diem.
Leia atentamente o fragmento do poema abaixo e,
a seguir, assinale a alternativa correta.
Lira XIVMinha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos deuses
Sujeitos ao poder do ímpio fado:
Apolo já fugiu do céu brilhante,
Já foi pastor de gado.
(...)
Ornemos nossas testas com as flores,
E façamos de feno um brando leito;
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito,
Gozemos do prazer de sãos amores.
(...)
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. 2. ed., São
Paulo: Martin Claret, 2009, p. 46-47.
Vocabulário
ventura: destino, sorte.
ímpio: que não tem fé, herege.
fado: sorte, destino, ventura.
Apolo: deus da mitologia clássica, símbolo da luz e
da beleza.
ornemos: verbo ornar, enfeitar.
feno: erva que serve para alimentar os animais.
brando: macio, flexível.
sãos: sadios, em estado perfeito.
Gabarito comentado
Gabarito: C) certo
Tema central: Interpretação de texto literário, associando características do Arcadismo à expressão latina “carpe diem”.
O objetivo dessa questão é identificar se o trecho do poema Lira XIV, de Tomás Antônio Gonzaga, expressa o conceito de “carpe diem”, amplamente presente na literatura árcade. Pela norma-padrão e teoria literária, interpretar corretamente exige atenção à mensagem central do eu-lírico e à relação com o movimento Arcadismo.
“Carpe diem” significa “aproveita o dia”, ideia presente nos versos:
“Minha bela Marília, tudo passa; / (...) Ornemos nossas testas com as flores, / E façamos de feno um brando leito...”
O poeta propõe aproveitar o presente, pois a vida é efêmera (“tudo passa”) e o futuro é incerto (“A sorte deste mundo é mal segura”). Isso traduz perfeitamente o ideal árcade de valorizar os instantes de felicidade simples, como defendiam obras de referência (Cunha & Cintra; Bechara).
A alternativa C) certo é correta, pois reconhece que a mensagem do fragmento condiz com a busca pelo prazer e desfrute do momento ao lado da amada — núcleo do conceito “carpe diem” no Arcadismo.
Por que não E) errado?
A alternativa “errado” está equivocada porque ignora elementos centrais do texto. Não há, nos versos apresentados, crítica ao prazer imediato nem valorização do sofrimento ou do futuro. A ênfase está na urgência do agora, explicitada tanto morfologicamente (“tudo passa”) quanto no convite direto à amada (“Ornemos”, “façamos”, “gozemos”). Ignorar isso seria desconsiderar a base textual e literária do período árcade.
Dica de interpretação:
Atenção às palavras-chave e comandos verbais presentes no texto (“aproveitar”, “gozar”, “façamos”), pois indicam o desejo de viver o presente, frequentemente cobrado em provas sob o tema do “carpe diem”. Evite distrações com palavras pouco relevantes ou trechos meramente descritivos.
Resumo: Identifique o tema central do fragmento, relacione com os principais conceitos literários do período e direcione sua análise ao que o texto expressa de forma predominante.
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