Aproximadamente entre o fim do Estado Novo (1945) e o início do Regime Militar (1964), um político (“rouba mas faz”) e um partido (“de bacharéis”) encarnaram no imaginário cívico paulista e brasileiro duas atitudes opostas: a ausência e a exacerbação de moralismo, ou de ética, na política. Trata-se, respectivamente, de
Gabarito comentado
Alternativa correta: E — Ademar de Barros e a União Democrática Nacional (UDN)
Tema central: cultura política brasileira entre 1945 e 1964 — confronto entre pragmatismo clientelista/populista (legitimado por obras públicas) e o moralismo partidário que reivindicava “ética na política”. É preciso conhecer atores e rótulos políticos do período para responder.
Resumo teórico: após o Estado Novo, a cena política viu governadores e líderes populistas que combinavam clientelismo e obras públicas para manter apoio (legitimação pragmática, símbolo: “rouba mas faz”). Em oposição, partidos como a UDN articulavam discurso anti‑corrupção e moralista, frequentemente compostos por urbanos profissionais liberais (advogados, jornalistas) — o apelido “partido de bacharéis” refere‑se a esse perfil.
Justificativa da alternativa E: Ademar de Barros (governador de São Paulo) ficou famoso pelo bordão “rouba, mas faz”, por obras públicas e denúncias de corrupção que não impediram sua popularidade. A UDN foi a principal força do moralismo político, criticando populistas e reivindicando “ética pública”; seus quadros eram majoritariamente de classe média urbana e profissionais liberais — daí o rótulo cultural de “bacharéis”.
Análise das incorreções: - A (Jânio/PSB): Jânio era moralista e conservador em discurso, não o “rouba mas faz”; o PSB não é o partido moralista referido. - B (Jango/PTB): João Goulart e o PTB representavam populismo e reformas trabalhistas, não o moralismo da expressão “partido de bacharéis”. - C (Carlos Lacerda/PSD): Carlos Lacerda foi líder moralista, mas era da UDN; o PSD era mais ligado às oligarquias locais, não ao rótulo “bacharéis”. - D (Juscelino/PCB): JK era desenvolvimentista (“50 anos em 5”), não o símbolo do “rouba mas faz”; o PCB era comunista, não o partido moralista citado.
Dica de prova: identifique palavras-chave do enunciado ("rouba mas faz" → Ademar; "bacharéis"/moralismo → UDN/Carls Lacerda) e use eliminação rápida das combinações erradas.
Fontes recomendadas: Bóris Fausto, História do Brasil; Thomas E. Skidmore, estudos sobre política brasileira (para contexto do período 1945–1964).
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