Questão cfadc49e-ed
Prova:CÁSPER LÍBERO 2013
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Coesão e coerência, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

De um lado, ocorre que, hoje, cada vez mais intensamente, cresce o número de pessoas que, embora procurando trabalhar, não conseguem colocação e não contam com qualquer outra forma de sobrevivência. Assim, ainda que, objetivamente, haja condições para que disponham de mais tempo livre e possam preenchê-lo de forma mais independente, aumenta o número daqueles que, ao invés de tempo livre, vivem um tempo sem ocupação, sentem-se pressionados pela condição de nãotrabalho e, portanto, impedidos de crescerem enquanto indivíduos.”
Fonte: Oliva-Augusto, Maria Helena. Tempo, indivíduo e vida social. Cienc. Cult. Out/dez 2002, vol 54, nº2, p.30-33.


As ideias do texto se mostram coerentes com a

A
ocorrência do desemprego como fenômeno social que atinge os trabalhadores que não se dedicam com afinco ao trabalho.
B
necessidade do indivíduo de ampliar o tempo disponível para o lazer – mérito daqueles que trabalham.
C
ideia de que o capitalismo é a sociedade das oportunidades, portanto, somente não trabalham indivíduos sem iniciativa.
D
noção, na sociedade capitalista, de que o tempo não pertence ao indivíduo, mesmo não formalmente ocupado.
E
concepção de ócio como merecimento advindo do trabalho exaustivo e como meta a ser alcançada por todos.

Gabarito comentado

G
Gabrielle FrancoMonitor com apoio de IA

Gabarito: D

Fundamento decisivo: A resolução depende da oposição semântica construída no excerto entre “tempo livre” e “tempo sem ocupação”: embora haja, em tese, condições para mais liberdade temporal, o texto afirma que os desempregados “vivem um tempo sem ocupação” e se sentem “pressionados pela condição de não-trabalho”. Esse contraste sustenta a alternativa D e afasta leituras de lazer, mérito individual ou ócio positivo.

Tema central: tempo e não-trabalho
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque transforma o desemprego em falha de empenho individual. O texto afirma o contrário ao dizer que há pessoas que, “embora procurando trabalhar, não conseguem colocação”. Há contradição direta com a informação explícita do excerto.
B
Errada
Está errada porque troca a análise do texto por uma defesa de lazer como mérito de quem trabalha. O excerto não trata de lazer nem de merecimento; ele mostra que a ausência de trabalho não produz fruição do tempo, mas “tempo sem ocupação”.
C
Errada
Está errada porque introduz uma leitura meritocrática incompatível com o texto. A afirmação de que só não trabalha quem não tem iniciativa é invalidada pelo trecho que apresenta pessoas “procurando trabalhar” e, ainda assim, sem colocação.
D
Certa
A alternativa D sintetiza fielmente a ideia central do excerto: mesmo sem ocupação formal, o indivíduo não passa a dispor de um tempo autônomo. O texto afirma que, em vez de “tempo livre”, os desempregados vivem “um tempo sem ocupação” e se veem “pressionados pela condição de não-trabalho”. Portanto, a lógica social continua subordinando o valor do tempo ao trabalho, o que torna coerente a noção de que, na sociedade capitalista, o tempo não pertence efetivamente ao indivíduo, mesmo quando não está formalmente ocupado.
E
Errada
Está errada porque fala em ócio como recompensa e meta coletiva, ideia ausente do excerto. O texto atribui valor negativo à situação descrita: os indivíduos vivem um “tempo sem ocupação”, sentem-se pressionados e ficam “impedidos de crescerem enquanto indivíduos”.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre “tempo livre” e “tempo sem ocupação”: quem lê a ausência de trabalho como lazer, ócio positivo ou escolha individual erra, porque o texto constrói exatamente a oposição entre essas ideias.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão pedir a alternativa coerente com o texto, procure a que preserve a relação de sentido central, sem acrescentar juízo moral ou tese externa.
  • Se o texto opõe duas expressões, como “tempo livre” e “tempo sem ocupação”, a resposta correta costuma depender dessa diferença, não da semelhança superficial entre os termos.
  • Afirmações sobre mérito, iniciativa ou culpa individual devem ser rejeitadas quando o texto explicita uma condição social, como em “embora procurando trabalhar, não conseguem colocação”.

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