Questão ceb03e58-b0
Prova:FATEC 2010
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
De acordo com as informações contidas no texto,
pode-se afirmar que a China tem se mostrado
antidemocrática porque
De acordo com as informações contidas no texto,
pode-se afirmar que a China tem se mostrado
antidemocrática porque
Leia o texto e responda a questão.
A verdadeira muralha da China
Nos últimos anos, poucos eventos sacudiram tanto a China quanto a internet. Seu número de internautas já é
maior do que os 230 milhões de usuários americanos, segundo a North America Internet Stats. Trata-se de um público
de jovens, com menos de 30 anos, que declaram ter na internet sua melhor fonte de informação. Todos eles, porém,
encontram dificuldades para superar um gigantesco problema: a censura. Um poderoso firewall oficial é a verdadeira muralha da China moderna. A segregação digital, porém, começa a ser
sacudida por caminhos inesperados. Diante da possível interrupção de serviços do Google no país, a conceituada revista
Nature realizou sondagem na comunidade científica chinesa e colheu resultados de primeira grandeza: a censura e o
eventual fechamento do Google farão muito mal à ciência do país. Segundo os dados divulgados pela agência Reuters
(24.02.2010), mais de 70% dos cientistas chineses utilizam o Google como ferramenta de busca de dados, informações,
artigos científicos e literatura acadêmica em geral. Dos cientistas entrevistados, 84% afirmaram que suas pesquisas perderiam substantivamente em qualidade se fossem privados do uso do Google; 78% afirmaram que sua colaboração internacional seria profundamente afetada. O problema de fundo, que preocupa as autoridades chinesas, é que a existência
do Google levou a uma alteração de hábitos de pesquisa, interferindo no modo de explorar, testar e difundir informações
necessárias para a geração de conhecimento. Longe de um gesto de censura de curto alcance (se é que isso é possível),
a interrupção do Google provocaria reações de longa duração, com impacto sensível na eficiência da pesquisa científica.
Para um país disposto a disputar a hegemonia mundial, em que a pesquisa científica e tecnológica é a menina dos olhos
das autoridades, as novidades vindas da comunidade científica não poderiam ser piores.
Os milhares de funcionários chineses que zelam pelo sistema de censura fariam mais pela eficiência do país se
ficassem menos preocupados em perseguir URIs, URLs, FTPs e HTTPs. Para o nervosismo da “nomenklatura” (e satisfação de todos os que desejam um mundo em que o conhecimento possa fluir livremente, a começar pelos cientistas e
pesquisadores chineses), uma sucessão infindável de geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs, com seus correlatos em
chinês, descobre a cada dia uma nova maneira de burlar os sistemas de censura.
(ARBIX, Glauco. Valor Econômico. 24.02.2010, p.A17. Adaptado)
Leia o texto e responda a questão.
A verdadeira muralha da China
Nos últimos anos, poucos eventos sacudiram tanto a China quanto a internet. Seu número de internautas já é
maior do que os 230 milhões de usuários americanos, segundo a North America Internet Stats. Trata-se de um público
de jovens, com menos de 30 anos, que declaram ter na internet sua melhor fonte de informação. Todos eles, porém,
encontram dificuldades para superar um gigantesco problema: a censura.
Um poderoso firewall oficial é a verdadeira muralha da China moderna. A segregação digital, porém, começa a ser
sacudida por caminhos inesperados. Diante da possível interrupção de serviços do Google no país, a conceituada revista
Nature realizou sondagem na comunidade científica chinesa e colheu resultados de primeira grandeza: a censura e o
eventual fechamento do Google farão muito mal à ciência do país. Segundo os dados divulgados pela agência Reuters
(24.02.2010), mais de 70% dos cientistas chineses utilizam o Google como ferramenta de busca de dados, informações,
artigos científicos e literatura acadêmica em geral. Dos cientistas entrevistados, 84% afirmaram que suas pesquisas perderiam substantivamente em qualidade se fossem privados do uso do Google; 78% afirmaram que sua colaboração internacional seria profundamente afetada. O problema de fundo, que preocupa as autoridades chinesas, é que a existência
do Google levou a uma alteração de hábitos de pesquisa, interferindo no modo de explorar, testar e difundir informações
necessárias para a geração de conhecimento. Longe de um gesto de censura de curto alcance (se é que isso é possível),
a interrupção do Google provocaria reações de longa duração, com impacto sensível na eficiência da pesquisa científica.
Para um país disposto a disputar a hegemonia mundial, em que a pesquisa científica e tecnológica é a menina dos olhos
das autoridades, as novidades vindas da comunidade científica não poderiam ser piores.
Os milhares de funcionários chineses que zelam pelo sistema de censura fariam mais pela eficiência do país se ficassem menos preocupados em perseguir URIs, URLs, FTPs e HTTPs. Para o nervosismo da “nomenklatura” (e satisfação de todos os que desejam um mundo em que o conhecimento possa fluir livremente, a começar pelos cientistas e pesquisadores chineses), uma sucessão infindável de geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs, com seus correlatos em chinês, descobre a cada dia uma nova maneira de burlar os sistemas de censura.
Os milhares de funcionários chineses que zelam pelo sistema de censura fariam mais pela eficiência do país se ficassem menos preocupados em perseguir URIs, URLs, FTPs e HTTPs. Para o nervosismo da “nomenklatura” (e satisfação de todos os que desejam um mundo em que o conhecimento possa fluir livremente, a começar pelos cientistas e pesquisadores chineses), uma sucessão infindável de geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs, com seus correlatos em chinês, descobre a cada dia uma nova maneira de burlar os sistemas de censura.
(ARBIX, Glauco. Valor Econômico. 24.02.2010, p.A17. Adaptado)
A
insiste em manter URIs, URLs, FTPs e HTTPs
sob investigação contínua de detetives que poderiam ser comparados à Muralha da China moderna.
B
persegue os 230 milhões de chineses que atuam
como geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs
C
impõe a lei do silêncio a cientistas chineses, que
não podem mais divulgar suas descobertas entre
as universidades do país.
D
burla o sistema de defesa chinês para atrapalhar
a vida de cientistas chineses que publicam seus
textos na internet.
E
invade os espaços virtuais americanos para impedir que informações chinesas transitem nesse
meio.
Gabarito comentado
A
Ana BenitesMentora Qconcursos
Gabarito: A
Fundamento decisivo: O critério decisivo é reconhecer a alternativa que preserva, por paráfrase aproximativa, a ideia de censura estatal e vigilância sobre o fluxo de informações na internet, expressa no texto por "Um poderoso firewall oficial é a verdadeira muralha da China moderna" e pela referência aos "milhares de funcionários chineses que zelam pelo sistema de censura". Por isso, a opção A é a compatível com o gabarito oficial.
Tema central: censura digital estatal
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única aceita porque, embora seja imprecisa lexicalmente, ainda recupera o eixo semântico do texto: o controle oficial da internet e a perseguição a elementos do tráfego digital. O texto não fala em "detetives" e a metáfora da muralha recai sobre o "firewall oficial", não sobre os funcionários; ainda assim, a alternativa é válida por paráfrase aproximativa e por exclusão, já que conserva o núcleo interpretativo da censura estatal.
B
Errada
A alternativa erra o referente e o dado numérico. O texto informa que os "230 milhões" são usuários americanos, não chineses. Também não diz que esse grupo corresponda a "geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs". Essa enumeração aparece no final para designar pessoas que descobrem maneiras de burlar a censura, não um conjunto de "230 milhões de chineses" perseguido pelo Estado.
C
Errada
A alternativa introduz uma proibição que o texto não afirma. O texto diz que "a censura e o eventual fechamento do Google farão muito mal à ciência do país" e que haveria perda na qualidade das pesquisas e na colaboração internacional. Não há afirmação de que os cientistas "não podem mais divulgar suas descobertas entre as universidades do país".
D
Errada
A alternativa inverte os agentes da ação. No texto, quem burla os sistemas de censura são "geeks, hackers, nerds, dorks e dweebs"; não é a China que "burla o sistema de defesa chinês". Além disso, o texto trata de censura e restrição ao fluxo de informações, não especificamente de atrapalhar cientistas que publicam textos na internet.
E
Errada
A alternativa acrescenta conteúdo alheio ao texto. Não há menção a invasão de espaços virtuais americanos nem a impedimento de trânsito de informações chinesas em ambiente americano. A referência aos Estados Unidos aparece apenas na comparação com o número de usuários americanos e na menção ao Google.
Pegadinha da questão
A banca explorou o fato de a alternativa correta não reproduzir literalmente o texto: ela é lexicalmente imprecisa, mas é a única que mantém o núcleo semântico da censura estatal da internet. As demais parecem concretas, porém distorcem números, agentes, ações ou efeitos.
Dica para questões semelhantes
- Localize primeiro o eixo temático expresso no texto; aqui, ele é a censura estatal da internet e o controle da informação.
- Aceite paráfrase apenas quando ela conservar o conteúdo central; imprecisão vocabular isolada não invalida a alternativa se o núcleo de sentido permanecer fiel.
- Confira referentes e números com rigor: nesta questão, "230 milhões" não se refere a chineses.
- Desconfie de alternativas que trocam o agente da ação ou ampliam o que o texto apenas sugere como efeito.






