Leia o poema “Erro de Português”, de Oswald
de Andrade, e assinale a alternativa correta.
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
Gabarito comentado
Tema central: Interpretação de texto com foco na ironia como figura de linguagem e crítica sociocultural, elementos essenciais à leitura moderna e às características do Modernismo brasileiro.
Explicação da alternativa correta (E): A alternativa E é a correta pois reconhece a ironia sutil do poema, que sugere que a história da colonização poderia ter sido diferente se o clima fosse outro (“Fosse uma manhã de sol / O índio tinha despido / O português.”). O autor inverte a lógica histórica para criticar a ideia de “civilização” imposta ao indígena por um mero acaso climático, conforme destaca a tradição crítica do Modernismo. Pela norma-padrão e conforme Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), ironia é o emprego de palavras em sentido oposto ou para além do aparente, com intenção crítica ou humorística.
Como chegar a essa conclusão: Recomenda-se observar palavras-chave (“Que pena!”) e analisar se o texto propõe uma leitura literal ou crítica. Ao perceber o tom irônico, o candidato identifica o recurso estilístico e sua função social.
Análise das alternativas incorretas:
A) Erra ao atribuir o poema à segunda fase modernista (regionalista). “Erro de Português” pertence à primeira fase, marcada por ruptura e crítica social, não por regionalismo.
B) Incorreto: O poema-piada não se dissocia das questões sociais neste caso; o poema faz crítica direta à colonização — portanto, há engajamento social, não mera busca de entretenimento.
C) Incorrecta: Apesar de ser da “fase heroica” do Modernismo, o poema não mostra apego ao Classicismo; pelo contrário, rompe com a tradição clássica ao usar linguagem simples e crítica mordaz.
D) Também errada: O gesto do ‘índio despindo o português’ não tem conotação de canibalismo, mas representa a inversão dos papéis colonizador/colonizado, utilizando o humor e a ironia para subverter a narrativa histórica.
Estratégia para provas: Desconfie de explicações excessivamente literais ou históricas; repare se há ressignificação crítica no texto. Busque sempre palavras de tom, ironia e inversão discursiva para identificar o sentido proposto pelo autor.
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