Questão ca684c4d-b1
Prova:UFGD 2011
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Avalie as afirmativas seguintes.
I. Em ''Até depois de morto Michael Jackson continua a
provocar escândalos'', a forma verbal em destaque
instaura um pressuposto. II. Michael Jackson tem apenas dois filhos, Prince e
Paris.
III. Conrad Murray foi responsável pela morte precoce do
cantor.
IV. Debbie Rowe, Arnold Kelin e Conrad Murray teriam
sido corrompidos pelo dinheiro de Jackson.
Estão corretas apenas as afirmações em
Avalie as afirmativas seguintes.
I. Em ''Até depois de morto Michael Jackson continua a
provocar escândalos'', a forma verbal em destaque
instaura um pressuposto.
II. Michael Jackson tem apenas dois filhos, Prince e
Paris.
III. Conrad Murray foi responsável pela morte precoce do
cantor.
IV. Debbie Rowe, Arnold Kelin e Conrad Murray teriam
sido corrompidos pelo dinheiro de Jackson.
Estão corretas apenas as afirmações em
Leia o texto “O espetáculo nunca para”, de Vilma Gryzinski, para responder à questão.
Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar a escândalos
Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe: quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados. Michael Jackson conseguiu até uma mãe para dois de seus filhos, Prince e Paris (a linhagem materna do menor continua misteriosa). Debbie Rowe era enfermeira do dermatologista Arnold Kelin, que tratava do vitiligo e do branqueamento do cantor, quando foi promovida a barriga de aluguel. Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson, em junho de 2009. O acusado de homicídio culposo é o cardiologista Conrad Murray, contratado como médico particular para dopar o cantor com o anestésico propofol, de uso exclusivo em procedimentos hospitalares, mas informalmente receitado aos ricos e insones como último recurso. Murray alega que, sem seu conhecimento, o cantor continuava a receber do velho Klein doses viciantes de Demerol. Não conseguia dormir nem com anestesia na veia por causa desse acachapante analgésico similar à morfina. É possível que esteja com a razão – assim como é possível que sua própria e inaceitável conduta médica tenha condenado o cantor. Um segurança já testemunhou que Murray mandou tirar frascos de medicamento do quarto de Michael Jackson antes mesmo de ligar para a emergência. Naqueles momentos dramáticos, Prince e Paris chegaram a entrar no quarto – chorando, a menina gritou: ―Papai‖. Ele já estava com a morte estampada no rosto, exatamente como na chocante foto, reminiscente de quadros de grandes mestres mostrando o Cristo morto, divulgada pela promotoria para enfatizar a acusação contra Murray. Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe que julgamento envolvendo celebridades pode significar fama e dinheiro para muita gente, inclusive promotores exibicionistas.
(GRYZINSKI, Vilma. In. Veja, Ed. 2237, p. 49, 5 de outubro de 2011. A imagem foi retirada)
Leia o texto “O espetáculo nunca para”, de Vilma Gryzinski, para responder à questão.
Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar a escândalos
Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe: quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados. Michael Jackson conseguiu até uma mãe para dois de seus filhos, Prince e Paris (a linhagem materna do menor continua misteriosa). Debbie Rowe era enfermeira do dermatologista Arnold Kelin, que tratava do vitiligo e do branqueamento do cantor, quando foi promovida a barriga de aluguel. Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson, em junho de 2009. O acusado de homicídio culposo é o cardiologista Conrad Murray, contratado como médico particular para dopar o cantor com o anestésico propofol, de uso exclusivo em procedimentos hospitalares, mas informalmente receitado aos ricos e insones como último recurso. Murray alega que, sem seu conhecimento, o cantor continuava a receber do velho Klein doses viciantes de Demerol. Não conseguia dormir nem com anestesia na veia por causa desse acachapante analgésico similar à morfina. É possível que esteja com a razão – assim como é possível que sua própria e inaceitável conduta médica tenha condenado o cantor. Um segurança já testemunhou que Murray mandou tirar frascos de medicamento do quarto de Michael Jackson antes mesmo de ligar para a emergência. Naqueles momentos dramáticos, Prince e Paris chegaram a entrar no quarto – chorando, a menina gritou: ―Papai‖. Ele já estava com a morte estampada no rosto, exatamente como na chocante foto, reminiscente de quadros de grandes mestres mostrando o Cristo morto, divulgada pela promotoria para enfatizar a acusação contra Murray. Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe que julgamento envolvendo celebridades pode significar fama e dinheiro para muita gente, inclusive promotores exibicionistas.
(GRYZINSKI, Vilma. In. Veja, Ed. 2237, p. 49, 5 de outubro de 2011. A imagem foi retirada)
A
I.
B
I e IV.
C
I e III.
D
II e IV
E
III e IV.
Gabarito comentado
S
Samuel Pereira Monitor com apoio de IA
Gabarito: B
Fundamento decisivo: O verbo "continua" em "Até depois de morto Michael Jackson continua a provocar a escândalos" pressupõe que ele já provocava escândalos antes; além disso, "Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson" e "É possível que esteja com a razão" impedem concluir como fato definitivo a responsabilidade de Conrad Murray, de modo que a alternativa correta é a B.
Tema central: pressuposição e inferência
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque considera correta apenas a I. A IV também é sustentada pelo texto, não por declaração literal de suborno, mas por inferência autorizada pelo enquadramento valorativo: "quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados" e pela associação de Debbie Rowe, Arnold Kelin e Conrad Murray a atuações interessadas em torno de Jackson.
B
Certa
A alternativa B está correta porque reúne exatamente as duas afirmações sustentadas pelo texto. A I se confirma pelo valor semântico de "continua", que pressupõe que Michael Jackson já provocava escândalos antes. A IV se sustenta pelo encadeamento textual iniciado em "Todo mundo em Hollywood e adjacências sabe: quem tem dinheiro consegue qualquer coisa de médicos desvirtuados.", seguido da apresentação de Debbie Rowe, Arnold Kelin e Conrad Murray em contexto que autoriza essa inferência, sem exigir que o texto declare literalmente que todos "foram corrompidos". Já II e III não entram na alternativa correta porque extrapolam o que o texto autoriza afirmar.
C
Errada
Está errada porque a III transforma apuração e hipótese em certeza. O texto afirma: "Um julgamento momentoso agora tenta determinar quem foi o responsável pela morte precoce de Jackson" e ainda diz: "É possível que esteja com a razão – assim como é possível que sua própria e inaceitável conduta médica tenha condenado o cantor." Isso impede concluir como fato definitivo que Conrad Murray foi o responsável.
D
Errada
Está errada porque a II extrapola o texto. A expressão "dois de seus filhos, Prince e Paris" indica apenas parte de um conjunto, não totalidade. Portanto, não se pode afirmar que Michael Jackson tinha apenas dois filhos. A presença de II invalida a alternativa, ainda que IV seja defensável.
E
Errada
Está errada porque depende da III, e a III é incompatível com a modalização do texto. Chamar Conrad Murray de responsável pela morte como fato consumado contraria as marcas de incerteza e investigação em curso presentes em "tenta determinar" e "é possível".
Pegadinha da questão
A banca explora quatro confusões reais: não perceber o pressuposto criado por "continua"; ler "dois de seus filhos" como se fosse totalidade; confundir acusação ou investigação com culpa comprovada; e exigir literalidade para IV, quando ela se sustenta por inferência contextual do texto opinativo.
Dica para questões semelhantes
- Verifique se o verbo aciona informação pressuposta: em "continua", o estado ou processo já existia antes.
- Desconfie de leituras absolutas quando o texto usa expressão partitiva, como "dois de seus filhos".
- Marcas como "tenta determinar" e "é possível" bloqueiam conclusões categóricas.
- Em texto opinativo, nem tudo vem declarado literalmente; algumas afirmações se sustentam pela rede de avaliações e associações do próprio texto.






