Questão c827142a-e7
Prova:FAG 2018
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto

São características do estudo feito pela Universidade de Washington, EXCETO:

Texto 3


Ler pensamentos já é possível


    Pense em um objeto. Vale qualquer coisa mesmo, e nem precisa ser bem um objeto. Pode ser uma emoção, uma pessoa, um lugar. Agora, vamos tentar adivinhar o que é fazendo algumas perguntas e você só pode responder “sim” ou “não”. É possível que você já conheça essa brincadeira. Nos EUA, esse jogo leva o nome “20 questions”, porque quem tenta adivinhar o pensamento do outro só pode fazer 20 perguntas.
    Num estudo recente da Universidade de Washington, 10 pessoas foram convidadas a jogar. Os cinco pares chegaram às respostas certas 72% das vezes. A novidade é que os participantes não trocaram uma palavra sequer. Aliás, eles nem mesmo estavam na mesma sala. O que aconteceu foi um caso bem-sucedido de transmissão de pensamento. Em outras palavras, os participantes conseguiram ler o pensamento uns dos outros.
    Não é a primeira vez que tentam algo do tipo em laboratório. Mas, dessa vez, a ciência foi além. A experiência funcionou assim: os voluntários foram divididos em duas categorias: os “respondedores” e os “perguntadores”. Os respondedores usavam um capacete conectado com um eletroencefalógrafo, um instrumento que registra e grava as atividades cerebrais. Eles ficavam de frente para uma tela que mostrava objetos. Aí, era só eles escolherem um e aguardar as perguntas.
    Num outro laboratório, os perguntadores usavam um capacete equipado com uma bobina magnética e podiam escolher o que questionar, a partir de um banco de perguntas previamente estabelecido.
    Quando os respondentes recebiam as perguntas via computador, tinham que olhar para uma das duas luzes piscantes que ficavam ao lado da sua tela. Olhar para a da direita queria dizer “sim”. Olhar para a da esquerda era o mesmo que responder “não”. É aí que a mágica da ciência aconteceu. As luzes tinham frequências diferentes. Quando o respondente olha fixamente para o “sim”, o seu capacete cerebral registra essa atividade e envia para o perguntador. O mecanismo magnético do capacete do perguntador faz com que apareça um flash de luz em seus olhos. Resumindo: se aparecesse uma luz nos olhos do perguntador, significava que o cara do outro lado da cidade tinha respondido “sim” para a sua pergunta. Transmissão de pensamento de verdade.
    Se o seu lado stalker já ficou animado, acalme-se. O pessoal da Universidade de Washington deixou claro que o objetivo da coisa toda é bem mais nobre do que simplesmente sair por aí lendo o pensamento alheio. Assim que as pesquisas na área evoluírem, pode ser possível, por exemplo, transferir informações de um cérebro saudável para um que tenha algum tipo de problema, como o de uma pessoa com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.
Otavio Cohen - https://super.abril.com.br/ideias/ler-pensamentos-ja-e-possivel/

A
O jogo leva o nome “20 questions”, porque quem tenta adivinhar o pensamento do outro só pode fazer 20 perguntas.
B
Os perguntadores usavam um capacete equipado com uma bobina magnética e podiam escolher o que questionar.
C
Os respondentes recebiam as perguntas via computador e tinham que olhar para uma das duas luzes piscantes que ficavam ao lado da sua tela.
D
Os voluntários foram divididos em duas categorias: os “respondedores” e os “perguntadores”.
E
Nenhuma das alternativas anteriores.

Gabarito comentado

S
Sofia RuizMonitor do Qconcursos

Tema central: Interpretação de Texto – identificação de informações explícitas e características atribuídas corretamente a um estudo apresentado em texto.

Na questão apresentada, pede-se ao candidato que identifique a alternativa que NÃO constitui uma característica do estudo realizado pela Universidade de Washington. Trata-se, portanto, de uma avaliação da leitura atenta do texto e da habilidade de distinguir informações diretamente afirmadas pelas informações meramente contextuais.

Justificativa da alternativa correta:

Letra A: Ao afirmar que “O jogo leva o nome ‘20 questions’, porque quem tenta adivinhar o pensamento do outro só pode fazer 20 perguntas”, a alternativa traz, de fato, uma contextualização geral, mas essa não é uma característica do experimento científico realizado. Ou seja, essa informação serve apenas para apresentar a origem do jogo, não detalha procedimento, tecnologia ou inovação do estudo em questão!

Estratégia: Sempre que uma alternativa fizer referência a uma informação que não descreve diretamente uma ação, equipamento, etapa ou objetivo do estudo apresentado, desconfie dessa alternativa em questões que cobram EXCETO.

Análise das alternativas incorretas:

B) Os perguntadores realmente usavam um capacete com bobina magnética, conforme explicitamente indicado.
C) Os respondentes de fato recebiam as perguntas via computador e escolhiam a resposta olhando para luzes piscantes ao lado da tela.
D) O texto afirma que os voluntários foram divididos em duas categorias: respondentes e perguntadores.

Todas essas alternativas trazem informações explícitas do texto, comprovando que são, sim, características do experimento.

Referência didática: Segundo Ingedore Koch, “informações explícitas são facilmente localizáveis no texto; já informações não atribuídas ao texto precisam de inferência”. Assim, para resolver questões do tipo “EXCETO”, sempre identifique o que está meramente contextualizando ou introduzindo o tema, sem pertencer ao núcleo do estudo em foco.

Dica para provas: Atenção a pequenas mudanças de foco (do geral para o específico) e a termos que servem de “apresentação” (mas não fazem parte dos procedimentos pesquisados).

Resumo: A alternativa A é a correta pois não descreve uma característica do estudo científico, apenas contextualiza o nome do jogo.

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