Questão c5a66748-66
Prova:UNIFESP 2006
Disciplina:História
Assunto:Demandas políticas e sociais no mundo atual, História Geral, Questões Internacionais: história do tempo presente

As diferenças sutis, mas cruciais, entre Hamas, Hizbollah e Al Qaeda são ignoradas quando se designa o terrorismo como o inimigo. Israel é vista como a base avançada da civilização ocidental em luta contra a ameaça existencial lançada pelo islã radical. (Lorde Wallace de Saltaire, em discurso na Câmara dos Lordes em julho de 2006.)

Do texto depreende-se que o autor está, com relação ao Estado de Israel e ao terrorismo,

A
apoiando a política independente do governo de Tony Blair.
B
elogiando a política intervencionista proposta pela ONU.
C
defendendo a política intransigente da Comunidade Européia.
D
alertando para a política cada vez mais beligerante por parte do Irã.
E
criticando a política fundamentalista do presidente Bush.

Gabarito comentado

V
Vanessa CamposMonitor do Qconcursos

Alternativa correta: E

1. Tema central
O enunciado trata da crítica ao enquadramento do “terrorismo” e da generalização do islã como ameaça, vinculando essa visão a uma política externa militante. É preciso identificar o alvo da crítica — a retórica e a política de quem enquadra o conflito como “ocidente vs. islã radical”.

2. Resumo teórico
A análise recorre a conceitos de discurso político: generalização de atores (confundir Hamas, Hizbollah e Al Qaeda), construção de inimigo civilizacional (percepção de ameaça existencial) e legitimação de políticas militares. Esse tipo de retórica foi característico do período pós‑11 de setembro e da política externa do governo Bush (política do “War on Terror”) — útil lembrar Huntington (choque de civilizações) como referência crítica do enquadramento civilizacional.

3. Fontes relevantes
- Política externa dos EUA pós‑2001 (War on Terror) — discurso público e justificativas para intervenções.
- Estudos sobre discurso e securitização (ex.: obra de Ole Wæver) e Huntington, The Clash of Civilizations (1993) para o conceito de civilizacional.

4. Justificativa da alternativa correta (E)
O autor critica justamente a visão simplificadora e fundamentalista que identifica todo o islã radical como inimigo e enxerga Israel como bastião ocidental — crítica típica ao discurso do presidente Bush sobre o terrorismo. Logo, a alternativa E — “criticando a política fundamentalista do presidente Bush” — corresponde ao alvo do texto.

5. Análise das alternativas incorretas
A — Blair: o texto não elogia ou apoia política britânica independente; descreve uma crítica ao discurso norte‑americano, não ao primeiro‑ministro britânico.
B — ONU: nada no trecho elogia ou propõe intervenção da ONU; a crítica é ao enquadramento retórico, não a uma política intervencionista da ONU.
C — Comunidade Europeia: o autor não defende nem cita a intransigência europeia; o foco é a narrativa ocidental liderada pelos EUA.
D — Irã: embora o Irã seja um ator beligerante regional, o trecho não o menciona nem alerta sobre sua política; trata da generalização sobre o islã e do discurso pró‑guerra dos EUA.

6. Estratégia para resolver questões assim
- Identifique o sujeito da crítica: quem é responsabilizado no texto?
- Procure palavras-chave (ex.: “ignora”, “ameaça existencial”, “base avançada”) que denotam tom crítico ou justificatório.
- Relacione historicamente o discurso ao contexto (pós‑11/9 e política Bush), descartando alternativas que não dialoguem com esse contexto.

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