Questão c41fd241-e1
Prova:UCPEL 2008
Disciplina:Português
Assunto:Interpretação de Textos, Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto
Leia as afirmativas a seguir e assinale a opção correta.
I. O texto transmite ao leitor uma sensação de rancor
e ojeriza.
II. O texto possui sete partes e, na última, fala da
superstição dos escravos.
III. O poema conta o passamento de Angelina.
Leia as afirmativas a seguir e assinale a opção correta.
I. O texto transmite ao leitor uma sensação de rancor
e ojeriza.
II. O texto possui sete partes e, na última, fala da superstição dos escravos.
III. O poema conta o passamento de Angelina.
II. O texto possui sete partes e, na última, fala da superstição dos escravos.
III. O poema conta o passamento de Angelina.
Leia o texto a seguir.
ANGELINA
I
A mão de Deus passou de leve pelos seus cabelos loiros e ela adormeceu. Ao pé de sua alcova, nesse dia de luto e de tristeza para os de sua casa, as roseiras amareleciam e finavam também com saudade. Era quase noite... a lua pálida, como um cadáver, surgia através da montanha, atirando os primeiros raios à cabeceira da morta.
II Angelina expirara com um sorriso a brincar-lhe na boca
cor de rosa.
É assim que emurchece a campainha dos vales; é assim
que morre a abelha que não lhe encontra no seio o último
favo de mel.
A alma da criança voara de seus lábios sorrindo e
parecia adejar ainda em torno daquela cabeça emoldurada
em ouro.
É que as almas das moças bonitas são como as
mariposas da noite, amam as rosas mesmo depois que se
esfolham.
III
Pobre Angelina!
E a dor prostrara a todos naquela casa, porque ninguém
supunha que ela morresse; tão linda que era, tão cheia de
vida!
A família não se animara a vê-la no leito de defunta.
Apenas de joelhos junto à cabeceira, chorava uma pobre
escrava que a trouxera aos peitos, quando pequena, e
chorava com a eloqüência dessas agonias maternais que
não se explicam.
IV
E a Nhan-nhanzinha já não podia ouvir o soluçar de
sua negra velha!
Era em vão que as lágrimas caíam sobre as mãos frias
da criança; o sono dos que vão para o céu é tão suave que
os próprios espíritos aprazem-se em fazê-lo eterno!
V
E quando, no outro dia, o esquife saiu, a pobre escrava
deixava cair sobre a mortalha fria de Angelina um ramo de
cravos brancos, que fora arrancar no jardim.
VI
A ponte desceu... os convidados voltaram... e a menina
ficou na sua cova do cemitério velho.
Nunca mais a alegria voltou à estância.
Durante um ano e mais, os escravos supersticiosos
imaginavam ver a figura branca e vaporosa de Nhannhanzinha, altas horas da noite, voltear sorrindo por entre
as cravinas e as rosas do canteiro grande ao pé da casa!
VII
Mas, o certo foi que, sobre a sepultura da menina,
nasceram muitos cravos brancos e perfumosos, cuja essência
agreste e divina embalsama o leito de mármore dos que ali
dormem...
Ainda hoje mesmo, as borboletas, que perpassam pelo
ninho daquelas flores, parecem ser o espírito de Angelina
que se lembra, com saudade, da casa onde nasceu e para
onde nunca mais voltará!
LOBO DA COSTA, Francisco. Angelina. Arauto das Letras, 8 de
outubro de 1882.
Leia o texto a seguir.
ANGELINA
I
A mão de Deus passou de leve pelos seus cabelos loiros e ela adormeceu.
Ao pé de sua alcova, nesse dia de luto e de tristeza para os de sua casa, as roseiras amareleciam e finavam também com saudade.
Era quase noite... a lua pálida, como um cadáver, surgia através da montanha, atirando os primeiros raios à cabeceira da morta.
II
Angelina expirara com um sorriso a brincar-lhe na boca
cor de rosa.
É assim que emurchece a campainha dos vales; é assim que morre a abelha que não lhe encontra no seio o último favo de mel.
A alma da criança voara de seus lábios sorrindo e parecia adejar ainda em torno daquela cabeça emoldurada em ouro.
É que as almas das moças bonitas são como as mariposas da noite, amam as rosas mesmo depois que se esfolham.
III
Pobre Angelina!
E a dor prostrara a todos naquela casa, porque ninguém supunha que ela morresse; tão linda que era, tão cheia de vida!
A família não se animara a vê-la no leito de defunta.
Apenas de joelhos junto à cabeceira, chorava uma pobre escrava que a trouxera aos peitos, quando pequena, e chorava com a eloqüência dessas agonias maternais que não se explicam.
E a dor prostrara a todos naquela casa, porque ninguém supunha que ela morresse; tão linda que era, tão cheia de vida!
A família não se animara a vê-la no leito de defunta.
Apenas de joelhos junto à cabeceira, chorava uma pobre escrava que a trouxera aos peitos, quando pequena, e chorava com a eloqüência dessas agonias maternais que não se explicam.
IV
Era em vão que as lágrimas caíam sobre as mãos frias da criança; o sono dos que vão para o céu é tão suave que os próprios espíritos aprazem-se em fazê-lo eterno!
V
VI
Nunca mais a alegria voltou à estância.
Durante um ano e mais, os escravos supersticiosos imaginavam ver a figura branca e vaporosa de Nhannhanzinha, altas horas da noite, voltear sorrindo por entre as cravinas e as rosas do canteiro grande ao pé da casa!
VII
Mas, o certo foi que, sobre a sepultura da menina,
nasceram muitos cravos brancos e perfumosos, cuja essência
agreste e divina embalsama o leito de mármore dos que ali
dormem...
Ainda hoje mesmo, as borboletas, que perpassam pelo
ninho daquelas flores, parecem ser o espírito de Angelina
que se lembra, com saudade, da casa onde nasceu e para
onde nunca mais voltará!
LOBO DA COSTA, Francisco. Angelina. Arauto das Letras, 8 de
outubro de 1882.
A
A primeira e a segunda estão corretas.
B
A segunda e a terceira estão corretas.
C
Apenas a terceira está correta.
D
Todas as afirmativas estão corretas.
E
Todas as afirmativas estão erradas.
Gabarito comentado
M
Marina Lima Monitor com apoio de IA
Gabarito: C
Fundamento decisivo: O critério decisivo é a correspondência literal entre as afirmativas e o texto-base, observando a organização interna em partes: a morte de Angelina é narrada em tom idealizado, a superstição dos escravos aparece na parte VI e a parte VII trata da sepultura e dos cravos brancos. Por isso, a afirmativa I é incompatível com o campo semântico do texto, a II localiza mal a informação e apenas a III está correta.
Tema central: passamento de Angelina
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta porque depende da veracidade de I e II, e ambas estão erradas. A I é incompatível com o campo semântico dominante do texto: “A mão de Deus passou de leve pelos seus cabelos loiros e ela adormeceu.” e “nesse dia de luto e de tristeza para os de sua casa” constroem suavização da morte, luto e saudade, não rancor nem ojeriza. A II também erra, porque a superstição dos escravos não está na última parte, mas na VI: “Durante um ano e mais, os escravos supersticiosos imaginavam ver...”.
B
Errada
Incorreta porque a afirmativa III está certa, mas a II está errada por localização temática incorreta. O texto realmente tem sete partes, mas a última não trata da superstição dos escravos. A parte VII começa com “Mas, o certo foi que, sobre a sepultura da menina, nasceram muitos cravos brancos e perfumosos”, concentrando-se na sepultura, nos cravos e na evocação espiritual de Angelina.
C
Certa
A alternativa C está correta porque apenas a afirmativa III corresponde ao conteúdo efetivo do texto. O poema em prosa narra a morte de Angelina em tom elegíaco e idealizado, desde a suavização inicial da morte até o enterro e a permanência simbólica de sua memória. Isso se confirma de modo direto em “Angelina expirara com um sorriso a brincar-lhe na boca cor de rosa.”
D
Errada
Incorreta porque I e II contrariam o texto. A I falseia o sentido global ao atribuir ao texto valores semânticos de repulsa e hostilidade, ausentes do poema em prosa. A II mistura o conteúdo da parte VI com o da VII, quebrando a correspondência fiel entre afirmação e organização interna do texto.
E
Errada
Incorreta porque a afirmativa III está correta. O texto tem como eixo narrativo a morte de Angelina e seus desdobramentos, o que confirma a ideia de passamento. Negar isso contraria diretamente o trecho “Angelina expirara com um sorriso a brincar-lhe na boca cor de rosa.”
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões: tomar um texto sobre morte como se transmitisse “rancor e ojeriza”, quando o tom é de luto, suavidade e saudade; e confundir a parte VI, onde aparecem os “escravos supersticiosos”, com a parte VII, que trata da sepultura, dos cravos brancos e da permanência simbólica de Angelina.
Dica para questões semelhantes
- Verifique o campo semântico dominante antes de aceitar palavras fortes da alternativa, como “rancor” e “ojeriza”.
- Quando a questão menciona partes do texto, localize exatamente em que seção aparece cada informação.
- Confirme o tema central por trechos literais do texto, sem substituir o que está dito por impressão geral.






