O avanço industrial brasileiro nas três primeiras décadas do Segundo Reinado
As poucas fábricas que subsistiram durante as décadas de 1840 a 1870 se mantiveram graças a privilégios de exploração, de subvenções governamentais na forma de empréstimos e isenções de direitos de importação; em certas regiões, como o único substituto possível à produção agrícola decadente, enquanto, em outras, as dificuldades de comunicação e o alto custo do trans porte atuavam como meios de proteção.
Uma série de acontecimentos iria, contudo, reanimar as atividades industriais, no fim da década de sessenta.
Uma série de acontecimentos iria, contudo, reanimar as atividades industriais, no fim da década de sessenta.
Gabarito comentado
Gabarito: Alternativa D
Tema central: Trata-se do início da industrialização brasileira durante as primeiras três décadas do Segundo Reinado (c.1840–1870). É preciso entender o contexto econômico (expansão do café, acumulação de capital, mercado interno) e o papel de agentes privados na dinamização da indústria.
Resumo teórico: A industrialização brasileira nesse período foi incipiente e concentrada em pequenas fábricas protegidas por privilégios e custos de transporte. A reanimação industrial no fim da década de 1860 deveu-se a fatores diversos: maior demanda interna e de guerra (Guerra do Paraguai, 1864–70), iniciativas de empresários como o Barão de Mauá, investimentos em ferrovias e crédito, e a expansão das exportações de café que geraram capital para novos negócios (ver obras de Caio Prado Júnior e Boris Fausto).
Justificativa da alternativa D: A alternativa D apresenta a explicação mais completa e equilibrada. O avanço industrial não foi resultado exclusivo de um ator ou fator externo: surgiu sobretudo pelo empreendedorismo de industriais (investimento privado em tecelagens, ferrovias, bancos, estaleiros) aliado à expansão geral da economia (café, crédito, mercado doméstico ampliado e demanda wartime). Exemplos clássicos: iniciativas do Barão de Mauá, crescimento de pequenas indústrias têxteis e a demanda gerada pela Guerra do Paraguai.
Análise das alternativas incorretas:
A — Parcialmente verdadeira (mercado interno cresceu), mas exagera o papel do governo em obras de infraestrutura: muitas obras foram privadas e o Estado imperial atuou de forma limitada aos privilégios e isenções, não em um amplo programa estatal de infraestrutura.
B — Há influência britânica em tecnologia e capital, mas afirmar que a industrialização “dependeu sobretudo” disso ignora o protagonismo de capitais e iniciativas nacionais e a limitada penetração tecnológica estrangeira no período inicial.
C — Incorreta: não houve política de descentralização visando reforçar a monocultura açucareira; o café foi a cultura em expansão e o Estado não orientou a economia para reforçar o açúcar naquele período.
E — Falsa: a pressão econômica internacional mais relevante vinha do Reino Unido, não dos EUA, e a limitação do setor manufatureiro decorreu de competição com importados e falta de mercado e crédito, não de “pressão norte-americana” específica.
Dica de prova: Busque alternativas que combinem múltiplas causas (internas e atores locais). Desconfie de enunciados absolutos que atribuem tudo a um único fator externo ou estatal.
Fontes sugeridas: Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo; Boris Fausto, História do Brasil; estudos sobre Barão de Mauá e a economia do Segundo Reinado.
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