Questão c031699f-e0
Prova:UFTM 2013, UFTM 2013
Disciplina:História
Assunto:História do Brasil, Brasil Monárquico – Segundo Reinado 1831- 1889

O avanço industrial brasileiro nas três primeiras décadas do Segundo Reinado

As poucas fábricas que subsistiram durante as décadas de 1840 a 1870 se mantiveram graças a privilégios de exploração, de subvenções governamentais na forma de empréstimos e isen­ções de direitos de importação; em certas regiões, como o único substituto possível à produção agrícola decadente, enquanto, em outras, as dificuldades de comunicação e o alto custo do trans­ porte atuavam como meios de proteção.
Uma série de acontecimentos iria, contudo, reanimar as ati­vidades industriais, no fim da década de sessenta
.

A
foi estimulado pelas obras de infraestrutura desenvolvidas pelo governo imperial e pelo crescimento acelerado do mercado interno.
B
dependeu, sobretudo, de investimentos estrangeiros e do apoio tecnológico britânico.
C
foi limitado pela política governamental de estimular a descentralização da economia e apoiar a monocultura açucareira.
D
dependeu, sobretudo, do empreendedorismo de alguns industriais e da expansão geral da economia brasileira no período.
E
foi limitado em função da forte pressão norte-americana para que o Brasil importasse a maioria dos manufaturados e industrializados que consumia.

Gabarito comentado

V
Vanessa CamposMonitor do Qconcursos

Gabarito: Alternativa D

Tema central: Trata-se do início da industrialização brasileira durante as primeiras três décadas do Segundo Reinado (c.1840–1870). É preciso entender o contexto econômico (expansão do café, acumulação de capital, mercado interno) e o papel de agentes privados na dinamização da indústria.

Resumo teórico: A industrialização brasileira nesse período foi incipiente e concentrada em pequenas fábricas protegidas por privilégios e custos de transporte. A reanimação industrial no fim da década de 1860 deveu-se a fatores diversos: maior demanda interna e de guerra (Guerra do Paraguai, 1864–70), iniciativas de empresários como o Barão de Mauá, investimentos em ferrovias e crédito, e a expansão das exportações de café que geraram capital para novos negócios (ver obras de Caio Prado Júnior e Boris Fausto).

Justificativa da alternativa D: A alternativa D apresenta a explicação mais completa e equilibrada. O avanço industrial não foi resultado exclusivo de um ator ou fator externo: surgiu sobretudo pelo empreendedorismo de industriais (investimento privado em tecelagens, ferrovias, bancos, estaleiros) aliado à expansão geral da economia (café, crédito, mercado doméstico ampliado e demanda wartime). Exemplos clássicos: iniciativas do Barão de Mauá, crescimento de pequenas indústrias têxteis e a demanda gerada pela Guerra do Paraguai.

Análise das alternativas incorretas:

A — Parcialmente verdadeira (mercado interno cresceu), mas exagera o papel do governo em obras de infraestrutura: muitas obras foram privadas e o Estado imperial atuou de forma limitada aos privilégios e isenções, não em um amplo programa estatal de infraestrutura.

B — Há influência britânica em tecnologia e capital, mas afirmar que a industrialização “dependeu sobretudo” disso ignora o protagonismo de capitais e iniciativas nacionais e a limitada penetração tecnológica estrangeira no período inicial.

C — Incorreta: não houve política de descentralização visando reforçar a monocultura açucareira; o café foi a cultura em expansão e o Estado não orientou a economia para reforçar o açúcar naquele período.

E — Falsa: a pressão econômica internacional mais relevante vinha do Reino Unido, não dos EUA, e a limitação do setor manufatureiro decorreu de competição com importados e falta de mercado e crédito, não de “pressão norte-americana” específica.

Dica de prova: Busque alternativas que combinem múltiplas causas (internas e atores locais). Desconfie de enunciados absolutos que atribuem tudo a um único fator externo ou estatal.

Fontes sugeridas: Caio Prado Júnior, Formação do Brasil Contemporâneo; Boris Fausto, História do Brasil; estudos sobre Barão de Mauá e a economia do Segundo Reinado.

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